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A verdade sobre 2026 na indústria | José Velloso, presidente executivo da ABIMAQ

1:38:0675 min de leitura
Episódio completo no YouTube: A verdade sobre 2026 na indústria | José Velloso, presidente executivo da ABIMAQ

José Velloso, presidente executivo da ABIMAQ, analisa desindustrialização, reforma tributária, ex-tarifários e a projeção de 1,8% de PIB para 2026.

Divulgação: Rui Katsuno, anfitrião do PodPlástico, é associado da ABIMAQ, fundador da MTF Termoformadoras e presidente do Instituto Soul do Plástico, citado no episódio. As projeções e opiniões econômicas são de José Velloso.

Principais insights

  • José Velloso, presidente executivo da ABIMAQ desde 2013, diz que a indústria chegou a ser cerca de 45% do PIB e hoje está perto de 20%; a indústria de transformação caiu de cerca de 25% para 11% a 12%, o que ele chama de desindustrialização precoce.
  • Para ele, a reforma tributária é o único fator estrutural a favor da indústria: desonera investimento e exportação, e uma máquina deve ficar de 10% a 12% mais barata depois da transição, concluída em 2032, com cobrança no destino e fim da guerra fiscal.
  • O custo de capital é o grande freio: um Finame custa de 18% a 20% ao ano, segundo ele, porque o BNDES passou a captar a juros de mercado (TLP) desde 2017 e o spread do banco repassador se soma ao custo.
  • Sobre os ex-tarifários, Velloso explica a regra atual (sem ex-tarifário quando há produção nacional), conta que o número saiu de 6 mil para 30 mil após a portaria de 2019 e voltou a cerca de 6 mil, e alerta para fraude, NR-12 e riscos civis e criminais para o importador.
  • Ele defende o negociado sobre o legislado: a indústria de máquinas trabalha em média 42 horas por semana, abaixo das 44 da Constituição, e o apagão de mão de obra tem mais a ver com falta de formação do que com desemprego, segundo ele.
  • Para 2026 a ABIMAQ projeta PIB de 1,8%, mercado interno de máquinas estável (0%) e exportações de máquinas crescendo de 10% a 12%, com investimento de 16,8% do PIB contra os 25% que ele considera necessários.

Perguntas frequentes

Quem é José Velloso e qual é o papel da ABIMAQ?
José Velloso é engenheiro mecânico e administrador, com carreira na indústria de máquinas (Voith e PTI) antes de ser contratado pela ABIMAQ em 2013, quando a associação profissionalizou sua gestão. Hoje é presidente executivo da ABIMAQ, a associação brasileira da indústria de máquinas e equipamentos, e do Sindimaq, e fala em nome do setor sobre competitividade e política industrial.
O que é desindustrialização precoce, segundo Velloso?
Velloso explica que é normal a indústria perder peso no PIB quando um país ganha renda e desenvolve serviços de alto valor agregado, como nos Estados Unidos. No Brasil, afirma, o processo começou no fim dos anos 1980 sem renda per capita alta e sem serviços sofisticados: a indústria caiu de cerca de 45% para perto de 20% do PIB, e a de transformação de cerca de 25% para 11% a 12%.
Como a reforma tributária deve afetar a indústria de máquinas?
Segundo Velloso, ela desonera investimento e exportações, traz transparência e acaba com a guerra fiscal de ICMS, já que o imposto passa a ser cobrado no destino. Pelas contas da ABIMAQ, com a reforma totalmente implantada, depois da transição que vai até 2032, uma máquina custará de 10% a 12% menos, por causa do fim da tributação em cascata.
O que é ex-tarifário e por que o tema é polêmico?
É uma exceção ao imposto de importação para máquinas que não têm produção nacional. Velloso lembra que a portaria de 2019, que exigia produto "equivalente" e comparava preço e prazo, fez o número de ex-tarifários subir de 6 mil para 30 mil; a regra voltou ao critério de existir ou não produção local e a lista caiu para cerca de 6 mil. Ele também aponta fraudes com catálogos trocados e lembra que máquinas importadas sem NR-12 expõem o empresário a responsabilidade civil e criminal.
Por que faltam trabalhadores se a PNAD mostra desemprego baixo?
Velloso diz que a PNAD mede desocupação, não falta de vontade de trabalhar: muita gente faz bicos ou trabalha em aplicativos e, sem formação técnica, não preenche as vagas da indústria. Para ele, o gargalo está na formação de mão de obra, que a indústria hoje financia com cerca de 2,5% da folha de pagamento para o Senai, e em prioridades como educação em tempo integral.
Quais são as projeções da ABIMAQ para 2026?
Na gravação, Velloso cita previsão de 1,8% de crescimento do PIB e queda de 15% do setor de máquinas em janeiro e fevereiro, com expectativa de fechar o ano com 0% no mercado interno e exportações crescendo de 10% a 12%. Ele atribui o fraco investimento ao custo do dinheiro, com Selic ainda restritiva, e a taxa de investimento de 16,8% do PIB.

Capítulos e transcrição

Transcrição gerada automaticamente e revisada em parte: nomes, siglas e termos técnicos podem conter erros, e o vídeo é a fonte oficial. Rui Katsuno, apresentador, é fundador da MTF Termoformadoras e presidente do Instituto Soul do Plástico.

0:00Abertura e trajetória de José Velloso na ABIMAQ

[0:00]Bem-vindo a mais um episódio do PodPlástico, hoje o episódio é diferente, porque quando a gente fala de indústria não dá para falar só de máquina, processo ou produto, tem geopolítica, tributação, tem decisão de país e para essa conversa eu recebo hoje José Velloso, presidente executivo da ABIMAQ e do Sindimaq, uma das vozes mais respeitadas da indústria brasileira, com uma visão muito clara sobre competitividade, política indústria industrial e o futuro da produção no país.

[0:31]José Velloso, muito bem-vindo, muito obrigado por participar do PodPlástico e se apresente por pessoal, por favor. Bom, é um grande prazer estar com você aqui, Rui, um grande amigo aí, um associado nosso, um batalhador, impressionante a luta que você está fazendo para mostrar para a sociedade a verdade sobre o plástico, porque existe muita mentira, a gente sabe por trás dessas mentiras todas, existem interesses econômicos, interesses fortíssimos. Então, parabéns pelo trabalho que você está fazendo e eu estou aqui, o maior prazer, para falar daquilo que eu mais gosto, que é falar sobre a indústria. Ótimo. Antes de a gente entrar no tema, eu queria ver que você apresentasse, contasse um pouquinho da sua trajetória. Eu me formei engenho mecânico, já faz algum tempo, pois que eu terminei a faculdade de engenharia, eu não estava muito satisfeito, eu já estava fazendo um bom estágio, estava trabalhando uma excelente empresa, a Voit, SEA, Máquinas Equipamentos, um fabricante de máquinas de papel e fabricante de turbinas hidráulicas para geração de energia. Era uma empresa enorme naquela época quando eu fui para lá em 1984. E aí eu resolvi fazer administração de as coisas, então eu fiz, junto com o trabalho à noite, eu fiz a Fundação de Trilho Vagras, me formei administrador, sou engenheiro-administrador e dali comecei minha carreira, mas nunca saí da indústria de máquinas. Trabalhei na Voite, depois eu fui trabalhar numa empresa chamada PTI Power Transmission Industries do Brasil, S.A., que era uma fabricante de equipamentos para transmissão mecânica e fiquei lá vinteira, só tive esses dois empregos na indústria Voite e e a vida toda militena, indústria de máquinas e equipamentos.

[2:19]Lá atrás, no final da década de 90, eu comecei a contribuir com a ABIMAQ, eu era associado nas empresas que eu trabalhava, virei vice-presidente eleito lá na ABIMAQ, primeiro vice-presidente, e a partir de 2013, quando a ABIMAQ virou profissional, foi profissionalizada a administração da ABIMAQ, eu fui contratado, saí do chão de fábrica, e desde 2013 estou lá na ABIMAQ, contribuindo com o setor de máquinas e equipamentos em específico, mas também com toda a indústria brasileira e com economia naquilo que a gente pode auxiliar.

[2:54]Caramba, muito bacana. E eu vou começar te provocando com uma coisa, hoje a gente fala de Irã, o estreito de Hormuz, parece distante, mas isso impacta em energia, frete, seguro e no fim, a indústria. a indústria brasileira está preparada para um mundo instável ou ainda opera como se o mundo fosse possível? Não, o mundo não está preparado para isso. Nós já temos até fitas passadas recentes, quando aconteceu, infelizmente, a pandemia da Covid, o mundo todo foi pego de surpresa e houve um desbalanço da logística mundial.

[3:35]naquela época muito mais grave que uma crise de petróleo, mas ali mostra que qualquer pedra no caminho, qualquer desvio na normalidade da logística cria-se um problema em cascata, muito grande. Depois mais recentemente, em 2022, nós tivemos o início da guerra da Ucrânia, a Rússia com a Ucrânia, e lá nós tivemos um choque de petróleo. O choque de petróleo agora é maior do que aquele, mas ali a gente já teve um choque de petróleo e nós vimos o governo anterior do presidente Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes, nós ajudamos naquela época, buscando alternativas para a gente resolver o problema da falta de petróleo.

[4:18]O Brasil ainda, me lembro da ministra Teresa Cristina, ainda negociar na Rússia a manutenção do fornecimento de fertilizantes para a agricultura brasileira, então o Brasil ele fica vulnerado principalmente nos fertilizantes, nos vários tipos de fertilizantes que a agricultura utiliza, mas principalmente na logística, porque o país é muito grande, são grandes distâncias e a maioria da nossa logística é feita com uso de diesel.

[4:50]Então, sim, vai haver uma reação importante, o governo federal e os estados estão negociando ou uma possível redução na tributação do ICMS para combustível, isso é importante para isso não irradiar na carestia para o consumo no Brasil, é um modelo pouco parecido com aquilo que foi feito no governo anterior, mas é importante, nessa hora, a gente ter medidas que mitiguem o risco que é da inflação e pior do que a inflação é a falta do do combustível. Já se está se falando na possível falta do kerosene utilizado em aviação, imagina só. Então nós temos aí alguns riscos pairando, exatamente porque o Brasil deixou de ser autossuficiente na produção de gasolina e diesel. O Brasil passou a ser um importador, a gente importa mais ou menos 30% do consumo. Então é um risco grande de uma inflação ou de um colapso na logística.

[5:49]Nesse caso, não é quem sobrevive quem é mais eficiente, quem é mais resiliente. E, no seu ponto de vista, o Brasil é um país resiliente? Sim, o Brasil tem várias vantagens comparativas. Por exemplo, para o Brasil nós temos o etanol, então, quando teve a crise do petróleo ainda no final da década de 70, começo da década de 80, o Brasil não tinha divisas, ele não podia importar petróleo porque não tinha dólar. Então o Brasil teve que desenvolver uma solução caseira e desenvolveu o etanol brasileiro que depois foi, na época era álcool, depois virou etanol e que depois foi copiado por vários outros países, o próprio Estados Unidos tem uma matriz importante de etanol de milho, hoje no Brasil nós temos além da matriz energética com a cana de açúcar, nós temos já o etanol de segunda geração, mas também temos retornal de milho e também temos a biomassa. Então, o Brasil já tem transporte rodoviário utilizando biomassa. Então, o Brasil tem alternativas. É, sim, um país resiliente, mas é lógico. A gente sabe que nós estamos sempre aqui a mercer do fantasma da inflação, que é uma coisa que é recorrente no Brasil. Então, nós estamos tomando muito cuidado, porque se retorna a inflação, quem mais vai sofrer é o pessoal de baixa renda.

7:12Desindustrialização precoce e o peso da indústria no PIB

[7:12]e o Brasil hoje, você vê o Brasil mais como país industrial, produtivo ou um país mais consumidor, do jeito que está o mercado hoje? Olha, a economia do Brasil migrou, o Brasil tinha uma indústria mais forte do que era até a década de 80, então a indústria já chegou a ser 45% do PIB e quando a gente indústria, nisso tem, construção civil, extração mineral e produção de petróleo.

[7:43]Quando a gente tira a produção mineral e a construção civil, a gente vai falar da indústria de transformação, ela já foi 25% do PIB. Então a indústria total era 40, 45, a indústria de transformação era em torno de 25% do PIB. O processo de desindustrialização do Brasil começa no final da década de 80 e ele que vem acelerando desde lá. Não é um fenômeno recente, né?

[8:09]E esse processo de desindustrialização chegamos no momento agora, aonde a indústria, como todo, em torno de 20%, 20% do PIB era 40, 45, foi a 20, e a indústria de transformação que era 25% do PIB hoje é 11, 12% do PIB, né? Então nós temos um processo de desindustrialização. Eu costumo dizer que é um processo precoce de desindustrialização. Por que palavra precoce?

[8:34]e todo o país que se desenvolve, a indústria praça a ter menos participação no PIB. Vamos pegar o caso dos Estados Unidos. O país vai desenvolvendo, vai criando novas tecnologias, veja que as tecnologias das Big Techs, da informática e serviços associados à informática, inteligência artificial agora, tudo isso virou uma parte importante do PIB americano.

[9:02]então, quer dizer, como o PIB é 100%, a participação da indústria foi diminuída nos Estados Unidos. Então, países que se desenvolvem tecnologicamente, a indústria costuma diminuir de tamanho. E países que ganham renda per capita também, porque o ser humano vai ter uma geladeira, ele vai ter um número limitado de carros, ele vai ter uma casa só, tudo aqueles bens, uma televisão, celular, que já atendeu as nossas necessidades, você não vai ficar comprando mais bens porque a sua necessidade está coberta.

[9:36]Então, conforme vai aumentando a renda per capita, ou vai aumentando o poder de compra do ser humano, ele vai consumindo mais serviços. No caso da Europa, dos Estados Unidos, serviços de mais valor agregado. Eu falei aqui de tecnologias, mas também médico, advogado, dentista, ele vai ter o streaming, ele vai para a academia, ele vai fazer muita viagem durante o ano ao país de alta renda.

[10:04]O que acontece no país que nem o Brasil? O Brasil, nós não desenvolvemos um setor de serviços de alto valor agregado, quando a gente fala de serviços aqui no Brasil hoje, são serviços de baixo valor agregado, o Brasil não atingiu uma renda per capita alta e o Brasil, mesmo não tendo um setor de serviços desenvolvido, não tendo renda per capita, o Brasil desindustrializou. Então, a gente chama de desindustrialização prematura, porque você só se distraliza quando você dá saltos de ganho e o Brasil não teve esse salto. A renda per capita do Brasil é praticamente estagnada nos últimos 30, 40 anos e o Brasil vai perdendo participação na indústria. Bom, por outro lado, nós tivemos um grande participação do agro brasileiro. O agro, a produtividade do agro, aumentou muito, principalmente por causa da mecanização das máquinas e equipamentos, logicamente que a EMBRAPA tem uma participação muito importante, as novas tecnologias, questão genética e tal, mas o ganho mesmo de produtividade, produzir mais com a mesma quantidade de terra, com a mesma quantidade de trabalhadores, foram com as máquinas. E aí o agro aumentou no PIB. Hoje a gente estava conversando antes, o agro chega perto de 7% do PIB, agropecuária, aquilo dentro da fazenda. Quando a gente fala de agroindústria aí entre as máquinas e entre outros, fertilizantes, insumos e tal, aí o agroindústria, o agronegócio é 24% do PIB, mas a agropecuária é 7%. Então, quer dizer, aumentou a agropecuária e aumentou o setor de serviço, que hoje é 70% do nosso PIB.

[11:50]Então, infelizmente, a gente está passando por um grave problema de desinstitualização e que o Brasil ainda não conseguiu segurar esse grave problema. Hoje tem uma sensação crescente de que estamos virando uma grande prateleira de produto importado. Tem uma avalanche de produtos importados entrando e você enxerga isso como um risco real para piorar mais ainda a situação da indústria ou não?

[12:17]Olha, tudo começou lá com a globalização na década de 90. Eu me lembro da época do pensamento neoliberal, o presidente republicano lá, o grande presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e ao mesmo tempo nós tínhamos a Margaret Thatcher lá no Reino Unido, e eles, logicamente, eles vislumbraram com a globalização um incremento para os países deles. E aí, eles foram procurar a manufatura mais barata.

[12:48]Primeiro, eles foram para o Leste Europeu, porque caiu o muro no final da década de 1990, e aí foram para o Leste Europeu, do Leste Europeu, eles foram para o Tigres Asiáticos e depois na China. Tudo a busca de menor custo de produção. Então você pega hoje qualquer multinacional grande do norte-americano, europeia e a tal, qual é a empresa que não tem uma planta na China?

[13:13]Agora, o chinês foi trabalhando também, ele foi trabalhando, ganhando conhecimento, fundou estudos de pesquisa, investiu na mão de obra, na educação e foi aprendendo com os outros. E hoje você tem uma indústria desenvolvida na China, a indústria de origem chinês começa para suplantar em competitividade e tecnologia a indústria europeia e a indústria norte-americana.

[13:39]Então, agora começa essa virada. Então, você tem um processo de aumento de transferência da manufatura mundial para o Oriente, primeiro nos Tigres Asiáticos, Coréia, Tailândia, Vetinã e depois China. E agora nós temos esse grande problema, porque a China, como é um país que não não é democrático, lá tem a forte mão do Estado que manda, então lá eles têm, eles não têm problemas de custos que os países em desenvolvimento com o Brasil os desenvolvidos têm. Então, por exemplo, nos Estados Unidos, o Estado lá coloca, desculpe para a China, um programa quinquenal ou plurianual e o povo tem que aceitar, tem que obedecer porque é uma ditadura. E lá você tem capital barato, você tem um câmbio artificial, artificialmente colocado para dar competitividade para o produto chinês, você tem uma baixa carga tributária, o trabalhador trabalha, entre aspas aqui, feito um escravo, porque eles trabalham muito, a superar 50, 52 horas semanais de trabalho, algumas empresas que eu visitei trabalhando seis dias por semana em regimes de 9 a 10 horas, então eles ganham na mão de obra e com isso eles têm uma competitividade muito maior, eles têm uma grande população, o que conferiu o chineses uma grande escala, tudo aquilo que a economia gosta, e por outro lado uma legislação frouxa, onde eles copiam, eles roubam projetos e eles não respeitam as regras do mercado internacional de comércio, da OMC, então aí criou-se um grande problema para o mundo, e o China começa a mandar seus produtos para o mundo inteiro, e aí para chegar no Brasil, veja bem, o o grande consumidor dos produtineses sempre foi Estados Unidos, em segundo lugar é a Europa.

[15:48]Quando Estados Unidos começa a guerra comercial com a China, partido de 2017, e agora, muito mais forte no atual governo norte-americano, e a própria Europa começa a colocar barreiras, questão de pegada de carbono, agora tem o CBAM e tal, e a dificuldade, a China precisa começar a procurar outros mercados. e não é só o Brasil. Ela achou vários mercados. O Brasil é um mercado grande. Então chegou aqui no Brasil, o chinês. E realmente, existe uma invasão chinês em vários setores. No setor de automóveis, basta sair na rua, setor de máquinas e equipamentos, mas você vê o setor siderúrgico reclamando muito, você vê essa questão das blusinhas que agora estão querendo derrubar o imposto de importação de confecção, calçados, brinquedos que vêm da China, o que é um absurdo, porque, lógico, tem que proteger a indústria, é esse tipo de indústria, e você tem a invasão, então, em vários setores, até do setor químico e petroquímico, nós estamos aqui falando do plástico, então, realmente, a China é um grande problema e com o enfraquecimento da OMC, e a proibição da China vendendo nos Estados Unidos, esse é o problema, aumenta.

17:05Reforma tributária, juros altos, encargos e BNDES

[17:05]Hoje a indústria brasileira paga caro para produzir, paga caro para contratar, paga caro para investir, o crédito está muito caro, existe hoje algum fator estrutural que joga a favor da indústria ou tudo está contra? Tem um só que joga a favor da indústria, e vários que jogam contra, então o que o que joga a favor da indústria é reforma tributária. A reforma tributária, o objetivo dela, a indústria paga muito imposto, por exemplo, 44% da carga tributária dos impostos indiretos, ICMS, IPI, PIS, Cofins e ISS, de toda essa recadação, 44% sobre produtos industriais, 12% sobre serviços e uma quantidade muito pequena em torno de 2% sobre produtos que saem da da fazenda, do agro. Então, o que acontece? Um dos objetivos da reforma tributária era igualar a carga de bens industriais, serviços e agro. E o outro objetivo era tirar a mais carga tributária do mais pobre, porque o mais pobre consome mais bens industriais. Ele não produz produtos do agro e ele consome menos serviços. Então, era uma forma de igualar na questão do consumidor e igualar na questão dos setores produtivos.

[18:28]A reforma não sabe exatamente como gostarmos, como queríamos, mas ela é um grande avanço. Primeiro, ela vai trazer transparência, você vai saber quanto está pagando de impostos, ela vai desonerar o investimento, o Brasil era o único país do mundo que tache investimento, então aí um ganho para a indústria de máquinas, o setor que mais vai ser beneficiado e ela ela vai desoneirar as exportações. E ela não vai resolver totalmente o problema, mas a carga tributária dos produtos industrial vai cair.

[18:59]Então a reforma tributária, ela vai ajudar o setor industrial, ela vai ajudar o setor mais pobre e, em especial, exportação e investimento. Então é o primeiro ponto a gente fez a lição de casa. Agora, questão do curso de capital, juros altos, que cria um monte de dvdores. e os reviews, principalmente a base da pirâmide, nós temos uma inadiplência muito grande, nós temos uma inadiplência muito grande no agro também, mas é o custo capital, o custo capital é muito elevado no Brasil, então você vai comprar uma máquina, hoje, se você for fazer um finame, você vai pagar de 18 a 20% de juros anuais, é um juro muito alto e muitas vezes o juro é maior do que o retorno da atividade econômica de quem está investindo.

[19:49]então é um grande problema. E lá no outro ponto do consumo, o brasileiro não consegue consumir porque a taxa de juros é muito alta. Então esse é o grande break da nossa economia, o Brasil não investe, o Brasil não cresce porque a taxa de juros é alta. Então o que nós temos que fazer? Nós temos que ter um equilíbrio marco-econômico, nós temos que trabalhar para diminuir o tamanho das despesas do Estado, nós temos que fazer reformas, vamos ter que infelizmente fazer outra reforma da previdência porque hoje quem mais come o dinheiro do estado é a previdência e nós temos que atacar na produtividade do estado, quando eu falo estado eu estou falando do União, estados e municípios, o dinheiro que vai nos nossos impostos eles tem uma produtividade muito baixa, o dinheiro que fica na mão do empresário tem uma produtividade muito mais alta na geração de emprego, renda e PIB. Então, a gente precisa fazer as reformas administrativas e precisamos diminuir o consumo econômico dos estados, municípios e união. Então, nós temos que gastar menos e ter equilíbrio marco-econômico. Esses são os dois grandes problemas. E na questão da mão de obra, o brasileiro ganha mal e o empresário paga muito, por quê? Porque quando a gente vai olhar os encargos, pegar a indústria, que é o setor que eu estou, em média, se o meu funcionário tem um salário de 100, ele leva para casa 77, porque paga imposto de renda, então eu pago 100 e ele leva 77, mas para mim vai custar 180. Então eu estou pagando 180, e o trabalhador está levando 77, vamos concordar por 80, onde fica esse 100?

[21:43]Fica na previdência, fica no monte de pililicários que tem na nossa folha de pagamento, nos tributos, enfim, todos aqueles encargos trabalhistas. Então, às vezes a gente pensa que o Brasil dá benefício para o trabalhador, mas na verdade isso não é benefício, porque como a mão de obra que poderia ser menor no no Brasil, ela é muito cara em função dessa quantidade de encargos que nós pagamos, isso diminui a nossa competitividade, diminuindo a nossa competitividade, nosso produto fica mais caro, aí eu vou empregar menos, vai entrar mais produto importado, vai entrar mais produto chinês, a área de serviço não se desenvolve, ela fica só na área de serviço de baixo valor agregado, então o Brasil precisa melhorar produtividade do dinheiro que o empresário para pagar o salário, nós temos que formalizar mais a nossa economia por, em função do financiamento da previdência, nós temos que resolver o nosso problema de custo de câmbio, de custo de capital e temos que resolver o problema tributário, da carga tributária que é muito alta no Brasil, 33% não é possível, nós temos que reduzir essa carga para menos de 30%.

22:57Como o BNDES empresta e como o fim da guerra fiscal muda o ICMS

[22:57]muito menos. E falando de financiamento do BNDES, como que você entende o jeito que o BNDES impresta dinheiro para o grande, para o médio, para o pequeno e para o estrangeiro? Olha, o BNDES passou por uma grande transformação em função daquele escândalo que nós tivemos o problema fiscal que o Brasil teve lá em 2015, 2016, 2017. E como havia muito subsídio no Brasil através do BNDES, através do Banco do Brasil, através da Caixa, subsídio para a agricultura, subsídio para a indústria, subsídio para o custo civil, esses subsídios foram muito altos, foram crescendo, crescendo, e aí o Brasil teve uma ruptura na questão fiscal.

[23:49]e aí aconteceu a grande crise lá que começa em 2015. Depois daquilo, no governo Temer, o ministro Meirelles, ele começou a combater todos os subsídios, né? Então o BNDES, ele não era o culpado, o BNDES era a ferramenta que foi usada pela política, pela política. Então o que que acontece? Do mesmo jeito que o Banco do Brasil financiava agricultor com subsídio, a bendécia indústria e a caixa econômica, ou nossa casa na nossa vida, ou minha casa na minha vida, ou o setor da construção civil, também com dinheiro subsidiado.

[24:27]Então o que aconteceu? O Brasil teve que diminuir os subsídios, na hora que ele diminuiu os subsídios, ainda ficou uma parte subsidiada na construção civil através da remuneração do FGTS, que quem tem FGTS não tem remuneração correta, tem um subsidiador da construção civil. grande subsídio na agricultura, que é através do plano SAFRA, mas ele é um subsídio transparente e que está no orçamento, tão diferente do que era no passado, que é lá um subsídio que tem todo ano no orçamento para a subsídio e a agricultura, e acabou o subsídio para a indústria, não existe mais.

[25:05]Então, naquela reformulação lá em 2017, quando acabou com o PSI, que era o Programa de sustentabilidade do investimento, e acabou com a TJLP, que era o indexador dos investimentos do BNDES, hoje o indexador é a TLP, é um juros de mercado. Então o que acontece? O BNDES, a fonte de dinheiro dele é o fundo de amparo trabalhador, o FAT. Então o BNDES tem que pagar para o FAT que dá o dinheiro para ele, a TLP, que é um juros de mercado. Então não se acelique, sobe, esse justo sobe, então o custo de captação do BNDES é muito alto, e a hora que ele vai repassar para você, para quem vai comprar uma máquina, ele repassa o dinheiro para o Bradesco, o Itaú, o Bembeji, eu não queria fazer pagamento de banco aqui, mas qualquer banco, né, Banco do Brasil, Casconômica, PTG, todos aqueles que operam um finame, né, então ele repassa e aí o banco vai ter também a remuneração dele, então quando você vai somando a remuneração do FAT, o custo do BNDES, a remuneração do banco repassador e principalmente lá na base que é a TLP, que é Juro de Mercado, a taxa vai chegar de 18, porque que ela varia de 18 a 20, 22, aí vai depender do crédito que o banco repassador vai dar para o adquirente, né? Então quem tem melhor crédito, menor.

[26:28]Então o BNDES, ele acabou ficando, o dinheiro do BNDES acabou ficando caro, porque a e a legislação mudou em 2017. Então, é um dinheiro muito caro. Tudo bem, ainda temos subsídio para a agricultura e com sua civil, mas para a indústria não temos mais subsídio. Então, por isso ficou caro e o investimento é caro no Brasil, porque a selic é muito alta. Hoje você pega um CDC e um BNDES, eles estão pau a pau ali de mais a gente. Sim, porque o custo no Brasil do dinheiro custa muito alto. Então, o problema está lá na selic, o problema está lá na taxa essa básica de juros. Agora, quando você fala de para quem o BNDES impresta, ele não impresta para fora. O BNDES não impresta para a empresa do estrangeiro. Então, por exemplo, aquela crítica que teve o BNDES que não foi justa, porque foi medida provisória e foi um projeto do país, o BNDES foi só o canal utilizado. Então, por exemplo, quando as grandes empreiteiras os brasileiros vendiam obras no exterior, quem era financiado era financiado essa obra, então essa obra, ela tinha um conteúdo local, então, por exemplo, a empreiteira XPTO vai fazer lá um porto na Venezuela, né, então quando ela vai fazer esse porto, o BNDES, naquela época, ele não aprovou o crédito, não aprovou o crédito, aí o que acontece, o crédito não foi aprovado, mas foi para a política, e a política aprovou um crédito, esse crédito, o BNDES dá esse crédito, e quem ficou como o avalista foi o Tesouro, então o BNDES pagou, ele financiou, e aí quando houve a inadimplência, o BNDES recebeu dinheiro do Tesouro, então ficou um custo para o Tesouro, então o fato desse problema foi um problema muito mais daquela época, isso não se repete mais há muito tempo, e com isso o BNDES, desde 2016 e 2017, o BNDES não financiou mais exportação de serviço, isso era uma exportação de serviço, uma empresa brasileira ia construir um aeroporto...

[28:43]Ela não citava o crédito. Em Miami, então eu ia construir uma ponte na Europa, eu ia construir alguma coisa, e essas grandes empreiteiras do Brasil faziam muitas obras no exterior, isso chamava exportação de serviços. Então, o que está acontecendo agora? Nós defendemos um projeto de lei que está no Congresso de vende-se voltar a fazer exportação de serviços, porque todos esses serviços, os bens aplicados são brasileiros.

[29:09]Então, o cara usa um uniforme brasileiro, ele usa butinha brasileira, máquina brasileira, tudo brasileiro, e entra, divisa-se para o Brasil, é uma exportação de uma empresa brasileira. então, o cuidado é dar crédito para quem merece crédito. Então, na hora da concessão do crédito, daquela empresa que vai construir uma infraestrutura no exterior, esse crédito ser bem avaliado, e ter algum aval por trás, alguma segurança que vai receber.

[29:40]Então, isso é uma coisa que não tem feito mais o BNDES, mas que era importante que a gente voltasse a fazer para o Brasil, voltar a exportar serviço, com mais garantia. E o Brasil não empresta dinheiro para empresas estrangeiras, isso não acontece. E aqui no Brasil, há grandes projetos acima de 20 milhões, que é aquele que vai direto no BNDES, ele tem uma pequena vantagem, que ele não tem o exprédio do repassador.

[30:05]Então se você tem um projeto de 20 milhões ou mais, você vai direto no BNDES e faz o seu projeto, ele te empresta dinheiro e você não tem o Del Crédere ou a margem do banco. Quando você vai pegar, por exemplo, você vai vender uma máquina aqui, uma termoformadora ali, 300 mil reais, você tem que ir num banco repassador. Aí, então, tem o spread do banco repassador, o ganho dele. Essa diferença, quem vai direto no BNDES, não paga.

[30:30]É, se só não paga, é essa diferença. O resto tudo é o mesmo mecanismo. Tá. Já partindo ali para o lado do banco do Nordeste, do Nordeste tem muito incentivo. além do Banco do Nordeste, eles têm uns financiamentos que chegam a 6%, então aí é subsídio mesmo. Ele tem subsídio, mas ali não é o Banco do Nordeste, ele de novo, ele é o repassador, o subsídio está nos fundos constitucionais, então existe o Fundo Constitucional do Centro-Oeste e tem o Fundo Constitucional do Nordeste, o FCO e o FNE, então tem um pedaço que que está no orçamento, igual o plano SAFRA para a agricultura, tem lá um dinheiro no orçamento para auxiliar regiões pobres, regiões carentes, para ter investimento, então ali tem um subsídio.

[31:29]Então o Banco do Nordeste, ele financia, por exemplo, um pequeno empresário, um pequeno agricultor ou que queira colocar lá uma placa solar na casa ou na indústria dele. Então ele vai no banco do Nordeste, o banco do Nordeste pega o funding do fundo constitucional que tem subsídio e aí empresta pra essa pessoa que vai comprar o equipamento. Então ali tem subsídio no Nordeste, mas pra ter o subsídio existe alguns parâmetros. A empresa tem que estar avaliada necessária do do subsídio, ela vai ter que gerar emprego, renda, ela tem que ter um faturamento muito pequeno, ou então o usuário final tem que ser uma pessoa de baixa renda.

[32:14]Entende. A questão do ICMS, isso sempre foi uma dúvida. São Paulo, a gente nunca teve desconto de ICMS, a gente que eu falo, a indústria de máquina tem um incentivo de ICMS. mas, no modo geral, para você montar uma empresa, aqui em Minas Gerais hoje, você tem um desconto de CMS absurdo. Você vai montar em Fortaleza, tem um desconto de CMS absurdo, que isso vai acabar em 2032.

[32:46]Por que que São Paulo não acompanha hoje? Não, é o seguinte, existe uma coisa que, ouvi um acordo entre os gestais, isso é guerra fiscal, tá? No passado, você tinha guerra fiscal, então você tem uma líquita do CMS muito alta, então o governador chegava lá e falou eu abaixo a minha líquita e aquilo que eu deixei de, não é tão simples como eu estou falando, mas a pessoa tem que entender melhor, então eu abaixo o que eu vou receber de CMS e eu vou, eu deixo de, você deixa de pagar esse CMS para mim, desde que você faça investimento no meu estado e que você compre materiais prínemos, coisa, e movimenta a economia do meu estado de gerar emprego aqui no meu estado. Então isso era a guerra fiscal.

[33:30]Chegou uma hora que ficou uma loucura, porque todos os estados brigando e tinham estados que eram notórios, Ceará, principalmente Espírito Santo, Santa Catarina, enfim, vários estados do Brasil disputando investimentos. Isso criou um grave problema. Imagina só, eu tenho tem uma fábrica de automóvel, que eu sou uma multinacional, e eu tenho uma fábrica de automóvel aqui, no estado de São Paulo.

[33:56]Aí, vem uma nova... Isso aconteceu lá com a Ford, né? A Ford falou assim, vou montar uma fábrica no Brasil, aí ficou a briga, né, a Rio Grande do Sul e Bahia, a Rio Grande do Sul e Bahia, quem que ia levar a fábrica era a Ford. Então, quem dava mais vantagem, o município, o ISS, o estado, o ICMS, levava. Então, ela resolveu ir para Bahia, ela foi para Bahia, porque o estado da Bahia lá deu um benefício maior.

[34:24]Mas eu, que estou aqui em São Paulo, como é que eu faço? Já estou aqui desde a década de 50, criou aqui uma simetria. Eu estou investindo no mesmo país, eu sou uma multinacional na Alemanha, por exemplo, abri uma empresa norte-americana, uma multinacional na Nova Ia, e você tem menos tributo do que eu, pago. Então, o que aconteceu? Isso começou a diminuir o investimento no Brasil.

[34:45]Por quê? que, em vez do cara ir atrás do benefício, e você fala, não, em benefício eu só tenho aonde eu tô longe da matéria-prima, onde eu tô longe do consumidor e aonde eu tenho problema de mão de obra. Eu não quero montar minha fábrica em lugares aonde eu vou depender eternamente de vantagens tributárias. E se muda o governador, e se muda o prefeito, e quando acabar o meu contrato, vai renovar do benefício fiscal?

[35:11]Então ficou uma coisa ruim, uma coisa que começou a trabalhar contra o Brasil. então foi feito um acordo que a partir daquela data, o com-faz, o com-se-faz, a partir daquela data não pode mais ter guerra fiscal, mas aquela guerra fiscal que existia até aquela data, ela permanecia até 2032. Então, por exemplo, uma fábrica que está no Pernambuco e tem um benefício fiscal, ele vai ter esse benefício fiscal só até 2032.

[35:42]então em 2002 acaba, fica tudo igualitário, fica tudo igual, mas também por causa da reforma tributária, é outra vantagem da reforma tributária, porque acaba o ICMS, acaba o PIS, o Cofins, o ISS e tal, e você vai ter o imposto IVA dual, ele é um IVA só, um imposto só, uma legislação só, mas dual que uma parte vai para a União, vai ser em torno de 9% e uma parte que vai para os municípios, que vai ser uma coisa em torno de 19, 18%.

[36:14]Isso já entra no IBS e CBS. IBS e CBS, mas é uma legislação só. É um imposto só, só dual, porque é a recada para Estado e município, a recada para o União. Então isso vai acabar com a guerra fiscal, e aí o Brasil vai ter a locação correta de recursos. Por exemplo, porque você estava falando aqui, nós estamos em Mairiporã. Aqui virou um APL da indústria de plástico.

[36:39]eu vou lá para o Mairiporã porque ali tenho uma terap Lima, no meu negotiation com o Mão de obra, ali tenho um ecossistema para produzir plástico, eu não vou produzir esse plástico lá em um lugar longe distante, só por causa do tributo, mas eu não tenho mão de obra e não tenho matera-prima não tenho logística. e aí o que acontece? Para o Brasil, quando soma todos os investimentos mal alocados por causa de um benefício do ICMS, você cria uma baixa produtividade. Produzir no Brasil começou a ficar cada vez mais caro porque o empresário estava produzindo no lugar errado.

[37:23]Então tem coisa que você pode produzir no Norte, na verdade, por exemplo, nós estamos com um monte de empresas da ABIMAQ se estalando no Nordeste. por quê? Porque são fabricantes de componentes para a indústria eólica. Onde que tem vento? É no Nordeste. Então é lá que eu vou falar. A alta tecnologia. Nós estamos muitos indústrias se instalando no Nordeste por causa de tecnologia. Então o que acontece? Essa questão da guerra fiscal fez o mal tremendo para o Brasil. E a reforma tributária vai resolver isso. Então a partir de 32 não vai ter. Agora quem se instalou no lugar errado vai ficar comigo na mão. A partir de 32. Mas o Brasil vai ficar mais competitivo, mais transparente e outra coisa, vai ter menos sua negação, porque com a nota fiscal, como você vai gerar crédito, tudo que você comprar na sua fábrica gera crédito, desde o arroz do seu funcionário aqui, tudo que é utilizado na empresa, tudo você vai ter crédito, então você vai crer nota fiscal para tudo, senão você não vai ter o crédito, e o crédito é alto, a alíquota vai ser em torno de 28%.

[38:25]então aí todo mundo vai exigir nota fiscal, e aí com isso lá na frente nós vamos poder diminuir a alíquota porque vai ter maior arregadação. Então nós na indústria vamos pagar menos imposto? Na indústria de máquinas a conta que nós fizemos é que com a reforma tributária totalmente implantada depois da transição a partir de 2032 uma máquina vai custar de 10 a 12% mais barato do que custa hoje, só pela eliminação de tributos em cascatas que você não consegue recuperar na hora de vender seu produto.

[38:59]E uma pergunta minha, que eu escutei de um prefeito, que agora a prefeitura vai ter que receber o dinheiro dela direto do governo federal, só abrindo tudo e depois vem. Não. Então, essa é a dúvida. Não. Como que vai gerir essa transição de dinheiro para a prefeitura? Então, isso não é verdade. foi criado na reforma tributária um comitê-gestor, um comitê-gestor do dinheiro da prefeitura e dos estados. Então esse comitê-gestor, ele substitui como você faz, que já existe. E só que ele vai incluir também a representatividade, a representação das prefeituras. Então quando você paga como agora o crédito é financeiro, eu paguei lá, eu paguei com a passeio cartão na hora que eu paguei esse cartão de crédito, vai ter um split, na hora o imposto vai lá, vamos dizer que a parte, o IVA seja 28% e que a parte do Estado do município seja em torno de 19%.

[40:01]Esse 19% do copo da caneca que eu comprei, vai direto para esse fundo-gestor, só dinheiro do Estado do município. e o fundo-gestor é tudo algoritmo, tudo no computador, não vai ter mais livro de CMS, tudo automático, automaticamente ele já vai distribuído para os municípios e o Estado aonde foi consumido, uma parte desse 19 vai para o município, uma parte vai para o Estado, seu consumir aqui em Mairiporã, vai vir o dinheiro para Mairiporã e vai vir o dinheiro para para o estado de São Paulo, porque eu estou em São Paulo. E o federal, a parte federal que vai ser em torno de 9%, ele vai para a receita federal, que já existe, então o dinheiro não mistura, não tem esse negócio que o governo federal vai dar o dinheiro, isso não existe, o dinheiro ele sai do cartão de crédito que você passou, imediatamente a parte todo o município e Estado vai para eles, que eles administram, e o dinheiro do CBS, que é federal, vai para a receita federal.

[41:07]Então... O da indústria ele corre o mesmo percurso. Não, todo o dinheiro ele vai coer. O da indústria, do consumo do final, da agricultura, é a mesma coisa, tá? Se eu consumir Mairiporã e eu... Você compra uma máquina minha aqui e o dinheiro da minha empresa vai vir. e aqui tem uma grande diferença, digamos que eu estou em Mairiporã, consumir aqui, o imposto ele sai, da origem vai pro destino, então se eu consumir aqui o imposto vai ficar em Mairiporã, mas a máquina foi fabricada em São Paulo, não, o imposto vai ser cobrado no destino, ele vai ser cobrado no destino, não tem mais uma parte na origem, uma parte pós-consumo destino, não, o imposto vai para o destino, todos os, o consumo, né, a partir de 32, quando tiver totalmente implantado e acabada a transição, ele vai para o destino, então se eu consumir em Mairiporã, o dinheiro vai ficar em Mairiporã e no estado de São Paulo.

[42:09]Então se eu vender uma máquina daqui para Bahia, o imposto vai ser lá na Bahia? Quando comprar vai ser lá na Bahia. Então o meu, a minha tributação, quem vai receber é o Bahiano? A sua tributação não. atributação é dele, que é ele que é o consumidor, é sobre a sua máquina que você vendeu, mas é ele que, pra tudo que eu comprar pra mim, indústria aqui, o município aqui recebe, e tudo que eu faturar pro outro estado, o outro estado recebe, entendi, então era essa a dúvida que pairava no ar aí, bom, agora vou tocar um assunto sensível que a gente já falou bastante lá fora, que é o ex-tarifário, né, que ele foi criado para ajudar, mas hoje ele pode estar sendo usado contra a indústria, estamos importando tecnologia ou importando concorrência financiada, que a questão é, hoje o pessoal está entrando com equipamento aqui, ele dá um jeitinho o Mudo NCM e nós industriais estamos sofrendo inquisição, vamos falar assim, que é o jeito mais fácil de explicar. Eu entro aqui e um pedido de hex tarifário. Eu pego e coloco que eu fabrico a máquina, eu escrevo tudo bonitinho e mando. Lá no MDIC, ele me questiona e me pede uma cópia da minha nota fiscal. Aí o outro cara da outra ponta pega e fala, não, mas o meu tem um parafuso diferente, eu tenho que mandar um outro relatório. Então esses questionamentos que a gente tem que ficar as vezes eu tenho um projeto de uma máquina e nunca fabriquei, porque ninguém nunca comprou.

43:49Ex-tarifários: regra, portaria de 2019, fraude e NR-12

[43:49]O ex-tarifári, vamos lá, nós somos a favor do ex-tarifári, porque não faz sentido tributar investimentos de um produto que seja um produto. Eu vou comprar uma máquina que não existe no Brasil, um tipo de máquina que existe no Brasil. Então, se ela não existe no Brasil e eu vou importar essa máquina, não faz sentido eu pagar o imposto de importação sobre essa máquina, porque ela não existe no Brasil.

[44:23]E país do mundo nenhum tributa investimento. Então, isso é uma regra mundial. Então, quando foi feito o Mercosul, ficou combinado entre os países, os quatro países do Mercosul, que, em investimento, cada um faria do seu jeito. Então, por exemplo, o Paraguai e Uruguai em posiportação é zero, não tem posiportação. Na Argentina tem um waiver e no Brasil ele só tem posiportação da máquina que é feita no Brasil e a máquina que é importada e que não é feita no Brasil não tem posiportação.

[44:58]Aí nasce o ex-tarifário, que é X, exceção, exceção tarifária, ex-tarifário. então, uma máquina que tem lá X de imposto de importação e é fabricada no Brasil, eu quero importar e o Rui fabrica a máquina, então eu quero importar e eu entro com uma documentação muito simples, coisa muito singela, tranquilo, eu entro com uma documentação no MDIC e falo, olha, eu vou importar essa máquina e não quero pagar a imposto de importação porque ninguém fabrica no Brasil.

[45:28]o MDIC faz uma consulta pública, a ABIMAQ, ela está olhando todos os dias na consulta pública, apareceu lá a máquina que o Rui fabrica, imediatamente a ABIMAQ pega e comunica o Rui que tem alguém que está querendo comprar aquela máquina, o Rui vai lá, comprova, que fabrica a máquina e devolve pro MDIC e aí não sai o ex-tarifário. Então a regra atual do ex-tarifário, ela é bem clara, tem produção nacional, não tem ex-tarifário, não tem produção nacional, TEA, ex-tarifária. Mas nós tivemos um problema em 2019. Em 2019, na época, o ministro era o Paulo Guedes, lembra que não tinha mistério da indústria, né? Era mistério da economia, e ele editou uma portaria, que era portaria 309, foi junho de 2019. E o que que ele dizia? Ele mudou para a produção nacional, para a produção equivalente nacional, equivalente.

[46:23]então digamos que eu vou importar a China uma máquina idêntica a que o Rui fabrica, idêntica. Mas na hora de comparar as duas, a da China custa 100 e a do Rui custa 120. Na portaria 309 elas não são equivalentes, elas podem ser idênticas, uma cópia da outra, mas se o chinês custa 100 e a brasileira custa 120, elas não são equivalentes. Outra coisa, prazo, se o chinês me entrega essa máquina em três meses e o Rui me entrega em seis meses, elas não são equivalentes. Então começou a dar ex-tarifário para produtos não equivalentes.

[46:59]Vê a diferença? Equivalente produção nacional. Tem produção nacional, mas não é equivalente. Por que não é equivalente? Porque é mais caro. Agora eu pergunto para você, o que que da China não é mais barato? Tudo lá é mais barato. Em qualquer país do mundo, você vai na Turquia, você vai na Vietnã, você vai nos Estados Unidos, na Europa, os chinês é mais barato.

[47:18]então, outras palavras, ex-tarifários para tudo. Nós reclamamos, brigamos, brigamos, brigamos, e os ex-tarifários, que tinham 6 mil ex-tarifários em vigência em 2019, foi para 30 mil ex-tarifários, porque tudo que você pedia é ex-tarifário, você conseguia, por causa do produto equivalente. Então, o que aconteceu? Nós trabalhamos junto com o MDIC depois da recriação do Ministério e mudamos a regra do fenômeno. Ela está alterada, agora ela voltou a ser o que era antes.

[47:49]Tem produção local, não pode dar o ex-tarifário. E o que acontece? Muitos ex-tarifários ficaram. E na virada de 2025 para 2026 foram retirados da lista de ex-tarifários, milhares de ex-tarifários. E nós voltamos hoje até os mesmos 6 mil ex-tarifários. Então, a gente tinha 6 mil ex-tarifários, foi para 30 mil. agora estamos com um 6 mil de novo, né?

[48:16]Agora, o que que acontece? A máquina, muitas vezes, o importador, ele começa a colocar detalhezinhos que a máquina tem para conseguir o extra de fará, a máquina do Rui não tem a manivela do jeito que eu quero, ou a produção do jeito que eu quero, não, aí, o que que a gente está fazendo agora? Produção equivalente, ou seja, digamos que a máquina do Rui produz 1.000 tampinhas por hora.

[48:49]Ah, mas eu quero produzir 2.000 tampinhas por hora. E no Brasil, ninguém faz uma máquina de 2.000 tampinhas por hora. Sai o ex-tarifári, porque realmente eu vou produzir 2.000 tampinhas, mas é... agora, digamos que a minha fabrica 1.000 tampinhas e a importada fabrica 1.500 tampinhas. Não vai dar o ex-tarifári. então existe uma análise técnica, feita pelo Ministério, avaliando produtividade, produção, consumo de energia, a quantidade de matéria premotilizada, a quantidade de mão de obra utilizada, então existe isso.

[49:27]Agora, o que o Rui mais reclama, o que o pessoal mais reclama, não tem nada a ver com a lei, ou com a rega, que na verdade não é uma lei, né, o ex-tarifário é uma portaria, é uma... então o que que acontece? Existe a fraude, aí é caso de polícia, aí não é caso de política industrial. Então, por exemplo, eu já vi, o cara vai trazer uma máquina, por exemplo, um torno, ele vai trazer um torno e que um fabricante nacional fabrica o mesmo torno.

[49:57]Aí o que que ele faz? Ele pega e faz um catálogo diferente, isso aqui é um catálogo de uma, eu vou exagerar aqui pra melhor compreensão, isso aqui é o catálogo de uma extrusora e coloca a foto do torno lá. Vamos falar, por exemplo, eu vou trazer uma sopradora que tem fabricante nacional, na hora que eu vou pedir o ex, eu falo isso aqui uma extrusora e mando o catálogo de uma extrusora que não tem fabricação nacional, ou seja, eu tô dando a questão técnica, a especificação técnica de uma máquina que ninguém fabrica, mas coloca no catálogo a foto de uma outra máquina que tem fabricação local.

[50:40]Quando chega na alfândega, o técnico que está na alfândega, que é da Receita Federal, ele não sabe a diferença de uma foto, como ninguém aqui que está assistindo a gente, mas sabe a diferença de uma extrusora para uma sopradora numa foto. Com certeza. E ele olha, olha o catálogo, olha a máquina, olha lá, não tem, está aqui, passa. Mas isso é questão de polícia. Aí não é questão de política industrial, questão de polícia.

[51:06]então tem contrabando, tem contrabando, máquinas menos contrabando, mas o Brasil é um país que tem contrabando. Na máquina, em vez de ter o contrabando, tem a fraude em cima do ex-tarifário. Então nós temos que combater a fraude, e aí qualquer cidadão, fabricante de máquinas ou não, que denuncia a ABIMAQ, nós fazemos a denúncia junto à Receita Federal.

[51:29]e quem for pego, importando uma máquina e fazendo fraude no ex-tarifário, as penas são severas, econômicas, severas, além da empresa ser proibida de fazer importação. O cara vai ter que abrir outra empresa. Então esse cara que já trouxe, por exemplo, a gente sabe que tem um monte de empresa que já trouxe e estão com plantas instaladas no Brasil e que veio errado, tá? A gente já sabe que tá errado.

[52:02]Ele tá correndo risco. Se for feito a denúncia, a Receita Federal pode ir lá na empresa dele, fazer fiscalização. Vai tomar uma multa, vai tomar a máquina e uma multa. E tem mais. A maioria das máquinas importadas, elas não respeitam NR12. hoje em dia. civil, tá na lei, que se tiver um acidente de trabalho, ou alguém perdeu uma mão, perdeu um braço, uma perda, ou a vida, são responsáveis, solidários, quem comprou a máquina, o empregador, o empregador que, o patrão do cara que se machucou, o importador, o importador, e se no caso de uma máquina brasileira ou fabricante da máquina.

[52:53]Então, o Rui vendeu a máquina, alguém se machucou nessa máquina lá no cliente do Rui. Nós vamos ver o que aconteceu. Se a máquina tem NR12, está tudo certo, beleza, não vai ter problemas mais sérios. Vai ser um problema só para o empregador. Agora, se a máquina foi vendida irregular, sem NR12, o Rui e o dono da máquina estão sujeitos. acrime civil e criminal, pode dar cadeia, dependendo do acidente.

[53:27]Então, por exemplo, o cara que foi lá, burlou o ex-tarifário, batendo o peito ao que eu fiz aqui, consegui trazer uma máquina, mais do pano, tal, burlei o ex-tarifário. Só que, se essa máquina chinesa, ela também não respeitou. eficiência energética, INR-12, pode dar cadeia para aquela pessoa que importou aquela máquina, se no caso de um acidente, ou no caso, não precisa nem ter acidente, não daria cadeia, digamos que não teve acidente, mas o Ministério Pulgo Trabalho visitou aquela fábrica e identificou aquela máquina.

[54:03]Ele vai isolar aquela máquina, aquela máquina vai ser proibida de ser utilizada e vai ter uma grande multa para a empresa. cadê, eu só se tiver um acidente grave de uma pessoa viria a fazer sério, né, mas o risco é muito grande, ele tá correndo esse risco, e no caso do ex-tarifário, é um risco de evasão fiscal, é um risco fiscal, ele vai ser... É crime. É crime, é crime fiscal e ele vai ter que responder para a receita federal, é crime.

[54:33]então, então, então, você, espertão, que está trazendo a máquina de fora, falando, ah, eu trouxe, ó, trouxe embaixo do pano, trouxe lá pelo Espírito Santo, eu trouxe lá por Santa Catarina, que eu estou estudando bastante, não paguei o imposto, é crime, e você pode sofrer algumas sanções gravíssimas e não respeitando a nossa normativa de Nr12, NR13 e NR10 também podem te gerar problema, então pense bem antes de cometer este crime, isso é crime, tá? É só para ficar claro.

[55:11]O risco existe, é grande, mistério público de trabalho e atuante no Brasil, não é? É, se for denunciado é mais atuante. O empresário que faz tudo direito já leva a ação trabalhista? Imagina se você causar um problema para o seu funcionário numa máquina que é irregular. É, não, é que a gente está vendo muito isso e cada vez está ficando mais claro e assim, tá ficando evidenciado pra gente onde essas máquinas estão sendo instaladas.

[55:36]A gente já sabe quais são as plantas que estão importando dessa maneira, tá? Então, esses caras, eles sabem quem são. Qual que é o risco de ser denunciado? Veja bem, uma pessoa que tem interesse em fazer a denúncia é o concorrente dele. Claro. Eu sou um fabricante de, sei lá, um balado de ovo para choque de carro, né? e aí eu tenho custo elevado, faço tudo direitinho, trabalhar no Brasil não é barato, faço tudo direitinho, aí vem um cara aqui no meu vizinho, monta uma fábrica concorrente com a minha, e não paga os impostos através de subterfúgios, eu sou concorrente dele, eu vou denunciá-lo.

56:14Jornada, 6x1 e negociado sobre o legislado

[56:14]Quer dizer, além do fabricante de máquina nacional, além dos outros problemas que você pode ter, você tem o próprio concorrente que pode ter denunciado. e mudando de assunto, por que que o Brasil insiste ignorar modelos que funcionam? Em muitos desses países o trabalho está conectado à produtividade e no Brasil o custo do emprego muitas vezes assusta. Por exemplo, por que não se espelhar no modelo americano, no modelo europeu, que o funcionário trabalha por horas? E não essa discussão que está tendo agora o 6x1, que são discussões, eu acho que vão limitar muito mais a contratação e vai aumentar o custo da empresa, se passa uma legislação dessa.

[57:00]Por que não se espelhar no que dá certo, no que é produtivo e em países ricos? Olha, se a gente for, a carga tributária na Alemanha, a carga tributária, a carga horária, na Alemanha é 48 horas, Brasil é 44 pela Constituição, aí Velloso está louco, como 48? porque lá tem sindicato e existe uma negociação e muitas empresas da indústria de máquinas, por exemplo, na Alemanha, trabalham no regime de 36 horas ou 40 horas, mas isso é livre negociação. A lei fala 48, mas você pode negociar. Negociar no Brasil também. Então, quando a gente vai na raiz da indústria de máquinas, a média no ano passado foi 42 2 horas. A regra que está na constituição é 44 horas, mas a indústria de máquinas na prática está em 42 horas. Quando a gente vai na raiz do Brasil de tudo, entrando serviços, entrando todos os trabalhadores do Brasil, a média tem 39,3 horas por semana. Então isso mostra que a livre negociação funciona. E a livre negociação foi um grande ganho da constituição de reforma trabalhista que entrou na posição em 2017 no governo Temer. Então, quer dizer, o que que diz a lei? Ela disse que vale o negociado sobre o legislado. Então, o seguinte, a lei está falando 44 horas, a lei brasileira. Aí, o Rui vai lá falar com o sindicato aqui de Mairiporã, na verdade, ABIMAQ, que faz a negociação, o Rui através do Sindimaq, a gente faz negociação, a gente faz uma convenção trabalhista. Vale o que está está na convenção, não vale o que está na lei, tudo que está na convenção é superior ao que está na lei, então o que nós defendemos é que mantenha-se o que está na reforma trabalhista de 17, que ela é ótima, a reforma no Brasil, e vale o livro negociado.

[59:02]Você falou, ah, por que a gente não se expende do que tem lá no exterior? Você pode fazer isso aqui na sua empresa, você pode, porque vale o combinado. mas o meu funcionário pode trabalhar 12 horas? Não, no máximo 44, dentro desse máximo de 44 você pode negociar qualquer coisa, mas você falou por exemplo do orista, normalmente as empresas, indústrias, quem trabalha no chão de fábrica, esse é o apelido que dão, quem trabalha no chão de fábrica é orista, ganha por hora, quem trabalha no escritório, no administrativo é mensalista, ganha por por mês. Quando a gente vai para os serviços no Brasil, que é o grande empregador, 70% do PIB brasileiro é serviço, o pessoal é mensalista. Mas veja bem, vários setores têm negociações diferentes. O enfermeiro, quem foi já internado no hospital sabe que enfermeiro vira 12 por 12. Então ele trabalha 12 horas e descansa 2 dias. Então ele não faz 6 por 1, porque descansa muito mais dias, você pega o cara que está embarcado numa plataforma da Petobras, ele fica lá uma semana, ele fica três semanas em casa, né? Então, o que dizer, existem atividades que quem sabe o que precisa é um empresário e o trabalhador. Então, Rui, eu respondo sua pergunta, dizendo o seguinte, ó, se a gente mantê a lei como ela está, não mexer, você pode combinar com seu trabalhador o que você quiser dentro do limite de 44 horas, e, logicamente, que existe bom senso, senão vai botar um trabalhador para trabalhar sete horas por sete dias por semana, porque também não pode, isso também proíbe a nossa liclação atual, mas você vai buscar a melhor forma você ter um trabalhador mais descansado, mais produtivo e aquilo que adequa ao seu negócio.

[1:00:52]Então, por exemplo, imagina um pequeno empresário, um pequeno negócio aqui, no centro de Mairiporã, que ele tenha três funcionários, e aí ele é um comércio, ele tem que abrir no sábado, e a lei proíbe. Esse infeliz, ele vai ter que contratar mais pessoas, que ele vai conseguir, ele não vai conseguir, ele já luta para ter seus trechos, o que ele vai fazer?

[1:01:18]Ele vai informalizar, aí ele não vai assinar carteira de trabalho. Aí nós vamos criar um outro problema, que é o problema do financiamento da previdência social, porque como hoje nós temos perto de 40 milhões só com carteira assinada, o que acontece? Você arrecada menos para a propositadoria, e hoje o maior rombo do tesouro, o maior rombo do nosso orçamento é a própria previdência.

[1:01:46]Então o que nós temos que fazer? Nós temos que fazer uma coisa que seja bom para o trabalhador e bom para o empresário. regra atual, ela mostra na prática que não existe exploração. O setor de máquinas em média trabalha 42 horas por semana e o setor e o Brasil com carteira assinada menos de 40 horas por semana, porque funciona a livre negociação e é assim que os países envolvidos fazem.

[1:02:12]Entende? E não podia deixar escapar eu como do setor do plástico, nós estamos tendo vários problemas hoje lá no Federal, que estão instauradas lá no nosso Parlamento, duas ONGs pautando normativas contra o plástico 24 horas por dia. E eles estão conseguindo aprovar algumas coisas em cima de narrativas, não em cima de dados técnicos. Como que você acha que isso pode mudar? A percepção do político pode mudar em relação a isso, porque eles estão ouvindo um lado que não é nada técnico. Você não chama o técnico pra mesa pra discutir.

[1:02:57]Quando você vai discutir uma legislação de um automóvel, você tem uma equipe técnica de governo que é técnico que entende de automóvel e você tem os técnicos das montadoras que entende de automóvel. Hoje eles estão pautando o projeto de lei em cima de ONG e, claro, que chama pra mesa ABIMAQ, ABIMAQ, ABIPLAST, ABIMAQ, chama todo mundo. Mas quem tá e, apautando hoje o projeto de lei, são ONGs, que a gente sabe que tem interesses e excusos por trás disso.

[1:03:24]Mas, como você vê isso, como eles chegarem ao governo, como que chega ao governo uma ONG dessa com tanta força? Olha, existem lobis, que tem por trás disso, é dinheiro, são interesses comerciais. Então, você tem lobis, né? Então, o plástico, ele substitui muita coisa, tem muitos produtos, e outros vistos pelo plástico, inclusive o papel. Então, existe um lobby muito grande por trás dessa Zong, pra fazer a cabeça e eles começam logo nas crianças.

[1:03:56]Logo na escola, lá. Já ensina que o plástico é do mal. Aí, põe uma tartaruga, a tartaruga comeu o plástico, abra a riga da tartaruga. Então, eu vou fazer algumas perguntas. É a época de vacinação. Na covid lá. Nós fomos tomar a vacina contra covid. se você chegasse no hospital com um monte de gente morrendo de Covid e viesse alguém com uma injeção de vidro ou uma injeção de metal, olha, acabei de aplicar a injeção no outro lá, mas eu limpei ela, vou usar em você.

[1:04:27]Você tomaria essa injeção se não fosse de plástico e descartável? Se você fosse internado no hospital, a roupa do cirurgião, a roupa dos enfermeiros, ah, tem uma agulha aqui, a roupa do cirurgião, a roupa dos enfermeiros, a roupa de cama, de uma sala de cirurgia, é tudo de matéria plástica, acaba a cirurgia, aquilo tudo vai vai para reciclagem, aquilo tudo, olha, eu pergunto pra você, tem dois hospitais, tem um hospital que é tudo de plástico e vai lá, e o outro hospital é tudo de pano, e você, olha, teve um cara aqui antes de você, isso aqui encheu de sangue, essa mesa de cirurgia, mas a gente lavou na nossa lavanderia, nossa lavanderia é ótima, você faria uma cirurgia nesse lugar?

[1:05:07]Outra coisa, você vai no submercado, vou comprar carne no submercado, a carne precivel, pegar por exemplo carne de peixe, e ela é super precivel, e se eu colocar na gôndola uma carne de peixe embalada com papel, papel úmido molhado em cima do peixe, e do lado tem uma embalagem de plástico, onde o peixe você tem certeza que ele está fresquinho, da hora que ele saiu do pesqueiro, qual peixe que você compraria?

[1:05:41]Se você chegar no supermercado e tem lá uma embalagem de arroz fechada com plástico, e tem uma embalagem de arroz que tem um furinho mínimo, que não sai arroz para aquele furinho, mas tem um furinho lá, ou o arroz está lá, condicionado, mas tem um furinho. Você compra essa embalagem de plástico e que tem um furinho no plástico? porque você sabe que o plástico está garantindo a sua saúde. Então, o problema não é o plástico, o problema é o que a gente faz com esse plástico depois que a gente consome. Então, o plástico, além de trazer economia, porque ele é um produto barato, muito mais barato do que outros produtos que o substituem, ele traz muito mais garantia de que você está consumindo bens mais higiênicos, com menos problemas de transmissão de doenças e mais facilidade de reciclagem, que o plástico ele é facilmente reciclado, então o que nós temos que fazer, em vez de gastar tempo com as ONGs para tentar proibir o plástico, nós temos que gastar esse mesmo dinheiro é para educar a população, educar as pessoas, as empresas e criar normativas de que é obrigado, quem vende um produto, a entrar na economia circular e reaproveitar tudo.

[1:07:04]Quando eu tiver a economia circular rodando perfeita e tudo sendo reaproveitado, você vai economizar também da natureza, porque quanto mais você reciclar, menos você vai tirar da natureza. E o que é o mais reciclável? O que é o mais fácil de reciclar? É o plástico. Muito mais fácil e mais barato para reciclar. Então, é tudo uma guerra... Eu até não diria, Rui, que são interesses e excusos.

[1:07:34]Porque o interesse de alguém fazer um lobby para ganhar dinheiro é o interesse dele de ganhar dinheiro. Então, ele está metendo o pau no produto que é o concorrente dele para ganhar dinheiro. o que nós temos que fazer é combater a má informação, a fake news e mostrar que realmente essa guerra contra o plástico é, na verdade, uma guerra contra o ser humano.

[1:07:58]É verdade, acabou o plástico, acabou o alimento barato na mesa. E higiênico, né? E conservado. É, a sacola de plástico, por exemplo, ela faz um papel fundamental na sanidade do lixo ali, porque se você colocar tudo numa caixa de papelão, antigamente a gente tinha as latas, lembra, as latas? Sim, na minha casa. Sava a lata, o lixeiro vinha, corria, jogava, deixava a lata lá embaixo, a gente ia correndo, pegava aquela lata.

[1:08:24]Ele virava a lata dentro do caminhão. O caminhão andando, ele largava, a gente saia correndo para pegar a lata de volta. Exatamente. E aquilo, pois, era extremamente sujo, né? Hoje, colocaria-se em caixa de papelão, senão em sacolinha. e o público não sabe que o plástico que é usado para fazer essa garrafa que tem água, ele não pode ser, ele tem uma especificação, ele tem um monte de requisitos para poder ter contato com o alimento, não é qualquer plástico que tem, que tem tecnologia.

[1:08:55]Tem muita tecnologia e o PET inclusive esse é o único material que ele pode ser reciclado e voltar para o alimento, ele é o único material laudado para voltar para o alimento que já a tecnologia dele está tão avançada, que você tira todas as toxinas quando você vai fazer a reciclagem. Normalmente as embalagens termoformadas são provenientes de materiais reciclados de garrafa.

[1:09:20]Você vê, na época da pandemia, as mascas, né? Ninguém reclamou. Se a gente cruzava a masca de pano, né? Aí descobrimos que quem estava usando masca de pano estava recebendo COVID lá e sendo hospitalizado. Aí todo mundo correu, jogou fora as máquinas de pano e usou a marca que na verdade era feito de plástico. Que é o que usa hoje ainda, na verdade é a mesma coisa.

1:09:41Apagão de mão de obra, Senai e educação

[1:09:41]E a gente está falando aqui de indústria, emprego, e nós estamos sofrendo um apagão de mão de obra num país que tem muito desemprego, tem bastante desemprego. E a gente está num apagão de mão de obra, você vai contratar mão de obra, não tem. Eu fiquei aqui vários meses para contratar um desenhista que eu não encontrava um desenhista. aí fui correndo pra cima do SENAI, o SENAI me ajudou a encontrar desenhistas, eu consegui contratar, mas assim, a dificuldade de mão de obra qualificada, ela tá ficando cada vez pior, e conversando com o SENAI, eles têm hoje um sistema de pesquisa, que eles oram por estado, por município, onde vai, qual a faixa de emprego, o sistema onde o obce não tem, pra eles abrirem determinados cursos, mas eles não conseguem o aluno, então como é que você vê isso, esse problema, essa solução desse problema?

[1:10:37]Vou fazer uma propaganda aqui, ABIMAQ, ela tem três convenções para a busca de mão de obra, inclusive com inteligência artificial, nós já temos isso à disposição dos ossociais que você pode usar, tem o SENAI também, que é espetacular, mas nós temos um problema de apagão de mão de obra, como é que a gente explica que quando sai a PNAD, que é a pesquisa nacional de amostra de domicílios, o Brasil tem um desemprego tão baixo aí, volta de 5,5% da população, e eu vou contratar, não tenho quem contratar.

[1:11:11]E aí quando você entra dentro da PNAD, você vai ver que os índices do Nordeste são maiores, e quando você vai, por exemplo, Santa Catarina, PNAD lá é perto de 1% só de desempregado. mas não tem desempregado e não tem mão de obra, porque na verdade a palavra está errada. Eu prefiro usar desocupado e não desempregado, porque a PNAD é verdade, a PNAD, ela pergunta assim para você, Rui, você está procurando emprego? Não, não é desempregado.

[1:11:42]Mas não quer dizer que ele tem carteira assinada, quer dizer que ele não está procurando emprego. Agora aí ele começa a fazer outras perguntas, mas por que você não está procurando emprego? Ah, porque eu peguei um aplicativo e estou no Uber. porque eu estou vendendo carregador de celular no semáforo e estou satisfeito. Porque eu estou ajudando a dona de casa, eu faço bico aqui, bico aqui, bico lá e a soma dos meus bicos, eu estou ganhando mais do que o ganharia se eu tivesse um emprego de eslarimento, porque eu não tenho formação técnica, nenhuma formação para trabalhar.

[1:12:16]Então o que acontece? A PNAD, quando a gente vê no noticiário, o Brasil tem 5,5% de desempregados, não, nós temos 5,5% de desocupados, é o cara que não se virou, porque o cara se vira, o salário mínimo no Brasil é baixo, então o que acontece? Quando o cara vai comar um emprego formal e ele vai ganhar um salário mínimo ou dois salários mínimos, aí não é o caso da indústria, claro, é o caso de outros setores, e ele fazendo o bico, ele ganha mais, ele vai pro bico. Então, aí a PNAD não pega esse cara, esse cara não tá desempregado. Então, uma coisa é a ocupação de desocupação e outra coisa é a formação de mandiova. Agora, vamos pra formação de mandiova, porque eu tenho muita gente que tá ocupado, então ele não é desempregado, mas ele gostaria de trabalhar aqui na fábrica do Rui, porque tem um bom salário, porque ele dá participação resultados, ele paga o FGTS da pessoa, o cara ganha nas férias, então ele trabalha 11 meses e ganha 13, porque tem o desco terceiro, então é muito melhor eu trabalhar por Rui, porque ele vai me pagar um monte de benefícios do que ficar fazendo o bico, então eu bato aqui na porta do Rui e o Rui está precisando do desenhista, mas eu não sei nem o que que é um computador, um software de desenho. Então eu não estou aparelhado. O que está acontecendo não é falta de gente para trabalhar, porque tem muita gente ocupada que ele não está querendo ficar naquela ocupação que ele tem. Mesmo quem está entregando iFood, ele vai preferir ele iria trabalhar por Rui, esse cara não é desempregado, ele está entregando aí fude, mas ele preferia trabalhar por Rui, ter carteira assinada, férias, planta de saúde, pagar o transporte, pagar refeição, mas ele não tem condição, então o nosso problema está mais embaixo, ele está na questão da formação de mondia obra, então o Brasil é muito carente na mondia obra, quem que forma uma mondia obra no Brasil, basicamente para a indústria, somos nós, a gente paga da nossa folha de pagamento, o Rui paga aqui 2,5% da folha de pagamento para o dinheiro e o sistema S, que é o SENAI. O SENAI é espetacular, forma mão de obra, só que nós precisaríamos de mais ferramentas além do SENAI, porque lógico não adianta ficar tirando dinheiro do empresário mais dinheiro para formar mais mão de obra, porque aí vai aumentar o curso vai tirar com nossa competitividade, enfim, o retorno das empresas, não adianta criar mais um tributo, o sistema de SENAI, ele é muito bom, tanto que resolveu o problema do Rui, mas ele não resolve o problema do país. Então o Brasil, ele precisaria ter uma cadeia de formação de mão-de-obra, uma cultura da criança e do pai da criança de colocar tal filho na escola, mas esse pai tem que ter a garantia de que o filho fique na escola, até virar adulto, saia bem formado e que ele não tenha que ajudar no orçamento da família.

[1:15:35]Muitas vezes a evasão escolar é porque ou a criança tem que ajudar no orçamento ou porque na comunidade onde a criança está ela desvia pra droga e pra outros descaminhos. então o Brasil precisa ter uma melhora na questão social e na questão da formação de mão de obra e colocar a formação de mão de obra como uma prioridade do Brasil, infelizmente ela não é uma prioridade do Brasil.

[1:16:05]A gente vê que muitos países que fizeram o catch-up, você sair de um ponto e ir para um ponto muito melhor na economia, então vamos pegar o caso da Coreia, e o Japão são dois exemplos. a Coreia e o Japão fizeram o catch-up no aumento da renda per capita da população e da melhoria da economia do país, colocando como base a formação de mão-de-obra. A China, quando ela foi crescer, ela copiou, ela copiou o que o Japão e a Coreia tinham feito.

[1:16:38]Então, o Brasil tinha que dar mais importância para a educação, mas antes da educação da questão para a solidez, para as famílias, para que as famílias coloquem como prioridade para os filhos deles, indo para a escola e estudar, desculpa, em tempo integral. A criança precisa estudar em tempo integral, porque se ela vai para a rua, aí ela não volta para a escola.

[1:17:06]Em tempo integral é com a educação de qualidade, né? Porque, no entanto a nada, hoje tem aprovação automática, né? é quando a gente vê o salário que um professor recebe e o professor hoje tem múltiplos empregos, o cara dá aula numa escola de manhã, numa alta de tarde, vai numa alta de noite, aí faz um bico num cursinho, aí ele dá a aula particular e quando que esse professor vai se preparar para dar as aulas dele?

[1:17:32]Então o professor é mal remunerado e todos esses problemas, ou seja, a educação no Brasil ela precisaria ser a prioridade. Lógico, a gente não pode fechar o olho para algumas melhorias. Você pega aqui no estado de São Paulo, escola pública, a maioria hoje que não forem todos, sendo só do setor, peço desculpas, mas já está em educação tempo integral.

[1:17:56]Algumas sim. Então, o Brasil tem evoluído, mas ele está muito a quem do que a gente precisa, e eu não conheço nenhum empresário, seja do varejo, do comércio, da indústria, que não reclama a mesma coisa. Eu tenho uma vaga aberta e eu não consigo preencher. Isso é um grande mal da sociedade que tem. Eu participei de uma reunião da Secretaria de Educação, onde eles estavam estruturando exatamente aulas em tempo integral com aula técnica junto, né?

[1:18:28]Então, esse governo que está agora está implantando bastante isso. eu vi um caso, tem até um diretor nosso da ABIMAQ, um conselheiro, Carlos Volta, ele foi presidente da federação das indústrias do Paraná, a ABIMAQ é nacional, e eu fui visitar algumas de escolas que lá com Carlos Volta e lá no Paraná. Sabe que no SENAI, lá eles já estavam com escola bilíngue, no SENAI.

[1:18:52]É o Mariano Mato aqui, virou faculdade. É, imagina, escola bilíngue, a criança chega lá no SENAI e junto com uma atividade, uma carreira, ele também desenvolve idiomas, quer dizer, o mundo se abre para essa criança. Essa criança vai ter um mundo muito mais favorável, muito mais aberto para o futuro dela, daqui a uma criança que não tem oportunidade.

[1:19:17]Você vê, no Instituto Soul do Plástico, que nós temos, nós levamos aqui da ETEC 300 alunos, mais ou menos 340 alunos, a prefeitura disponibilizou os ônibus, a Feira Plástico Brasil nos deu o STAND e pagou a alimentação dos meninos, a ETEC cedeu os alunos e nós montamos o projeto de economia circular na Feira, na Plástico Brasil. Esses alunos, eles entraram lá, eles viram um mundo completamente diferente, depois eu fui até conversar com alguns alunos, tinha aluno com 18 anos que nunca tinha saído do município e por conta do projeto do instituto, obviamente, com a ajuda da prefeitura, da organização da feira, de muitos atores, eles puderam visitar a Plástico Brasil.

[1:20:06]Ali teve uma mudança na cabeça de alguns alunos ali, que foi incrível. Então, tudo que a gente está falando aqui, a maioria das coisas que a gente falou aqui, a gente falou de educação. A educação está na base de tudo. base de tudo. Então, o Instituto veio para trabalhar na educação do plástico contra essas fake news, que eu acho que é o único jeito que a gente consegue matar fake news e ensinar lá na base. Então, nós temos projetos hoje do primeiro ou quinto ano e do ensino fundamental e do primeiro ou terceiro ano do ensino médio. O ensino médio já trabalham com máquina, então tem alguns pilares. Eles passam por indústria, comércio, educação financeira, inclusão, tem várias benesses, e o final, eles têm uma premiação, ou eles têm uma viagem, paga com dinheiro do trabalho deles por meritocracia, ou eles têm um bale de formatura, festa de formatura, enfim.

[1:21:01]E agradeço muito a todos os apoiadores de Instituto Soul do Plástico, e espero que esse Instituto Cresa e venham mais apoiadores, mas o Instituto ele veio nessa tocada mesmo, Velloso, de pegar na base a molecada e ensinar eles que o plástico não é o vilão que ele traz renda, se você colocar no lugar errado ele vai poluir, se você colocar no lugar certo ele entra na economia circular e ele faz renda e pode ajudar muitas pessoas.

[1:21:34]E aí nesse bloco aqui eu queria te perguntar hoje se você tivesse a oportunidade de abrir uma empresa no Brasil, hoje uma indústria, você abriria? olha, o Brasil, eu costumo dizer que ele tá virando um país de nichos, né, eu abriria, né, mas agora é em que ramo que você abriria? É que tá, se você abrir alguma coisa ligada ao agronegócio, é uma boa alternativa, porque nós temos uma vantagem comparativa com o agronegócio, é um setor que se desenvolve, então eu vou abrir uma startup para gerar software para o pequeno agricultor. Eu aprenderia no Brasil, porque o Brasil é próximo a isso.

[1:22:14]Então, o que eu estou vendo é que o Brasil vai ficar um país, desculpa o português aqui, nichado, ou seja, de nichos. Então, naquilo que o Brasil está ligado à vantagem comparativa, que aquilo que Deus nos deu, que mineração, setor de petróleo, setor de, hoje o Brasil é um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, o produto que o Brasil mais exporta hoje quem diria é petróleo, mais do que sorja, então o agro, petróleo, mineração, produtos de consumo, porque o Brasil tem uma população muito grande, 220 milhões de habitantes, então por exemplo, o setor do plástico é um setor que o Brasil tem vantagem, porque você tem um mercado muito grande, um consumo muito grande de plástico, porque todo mundo tem que comer, todo mundo tem que se vestir, então eu diria que nos setores dos países tem vantagens comparativas, seja por riquezas naturais, e vantagens comparativas, porque o caso do tamanho do mercado de consumo, ou ainda no campo energético, que eu preciso de energia limpa e renovável, eu abriria, por exemplo, eu acho não, acredito, tenho certeza, que nos próximos anos vai ver um fluxo de investimentos no Brasil, de empresas de data center.

[1:23:36]em função da geração de energia que tem no Brasil barata e renovável. Então, tudo aquilo que o Brasil tem em vantagens comparativas, o Brasil vai. Então, a economia brasileira está em franca transformação. Eu acredito no Brasil. Vamos ver. Em 2025, ano passado, o Brasil atraiu $83 bilhões de dólares em investimentos termo direto. No ano passado, o Brasil superou a China em investimentos termo direto.

[1:24:03]Ficou só atrás de Estados Unidos. o Brasil tem atraído capital para a Bolsa de Valores, a Bolsa de Valores nada mais é você botando dinheiro numa empresa, para se a empresa é uma IPO, ela faz o IPO e ela vai pegar esse dinheiro e vai construir uma fábrica. Ou então, também foram torno de 27 bilhões do ano passado e mais uns outros em torno de 27 bilhões para o setor de renda fixa, que são empresas lançando os LCA, LCI, principalmente do agro, ou ele lança um LCI e constrói uma amazém, ou compra mais terra, ou compra mais matrizes de boi.

[1:24:40]Enfim, a gente vê que o Brasil tem atraído investimento com todos os problemas que a gente tem, esse problema dos juros altos, essa questão toda, segurança, que o Brasil é falho. Então, mesmo assim, o Brasil em 2025 atraiu o mundo capital. Em 2026, antes de começar a guerra no Iraque, a gente percebeu o janeiro-fevereiro e até um metade, eu não tenho números mais recentes, a gente tem os números de janeiro-fevereiro, uma atração de capital muito grande, muito maior quando comparado com o janeiro-fevereiro do ano passado.

[1:25:17]Então, o Brasil tem setores que ele vai continuar atraindo investimentos, mas cada vez mais em setores que tem alguma vantagem. O que é triste para a indústria brasileira? A indústria brasileira, nesse processo de desindustrização que falamos lá no começo da nossa conversa, que vem da desde a década de 80, o Brasil está perdendo a decidade tecnológica, a indústria brasileira.

[1:25:45]O que é isso? Cada vez mais nós estamos produzindo menos produtos com alta tecnologia e cada vez mais produtos que não tem tecnologia, fabricar sacaneca, fabricar chinello, isso é uma camiseta, isso são produtos que não tem tecnologia, nada conta a indústria, porque essas indústrias compram máquinas e tal, nada disso, mas o Brasil, hoje, quando você pega a indústria de alta e alta média tecnologia, ela é 18% da indústria e ela já foi muito mais o que é isso? E quem são os dois principais representantes disso? Máquinas e automóveis. São indústrias de alta e alta média da tecnologia. E é onde o chinês está entrando, porque o chinês, se você volta lá, quando começou a invasão chinesa, lá para 2005, 2006, 2007, que começou a entrar muito por um chinês, entrava muito Xingling, muita coisa muita quinquilharia, coisa ruim, coisa que não tinha durabilidade, muita porcaria, camiseta fosficada, de marcas famosas, hoje não, mas hoje os chinês, se você vai lá na China e você vê o plano cunquenal da China, a China se tornou, já se tornou, ela crescer cada vez mais na exportação de bens de alto valor agregado, então você vê invasão de automóveis isso que a gente tem hoje. Então, esse é um grande problema para o Brasil. Então, vamos lá, o Brasil é um país respondendo a sua pergunta, que vai continuar recebendo investimentos porque ele tem vantagens que outros países não têm, não há água, petróleo, mineração, geração de energia limpa, grande população, mas cada vez mais nós vamos importar o bem de de mais valor, de alto valor agregado. Então, se eu venho para o Brasil investir, eu tenho que investir e ter retorno. Agora tem uma coisa interessante também, Rui, que é importante, isso é uma coisa bem legal que eu tenho falado nas minhas palestras. As empresas brasileiras que têm capital, que não estão sujeitas a banco, que não estão sujeitas ao giro alto, a maioria são multinacionais, as grandes multinacionais, eu não quero citar marcas mas vocês podem imaginar. Elas têm no Brasil plataforma de exportação. Pega aqui o setor de máquinas valoviaras da ABIMAQ. A maioria das empresas lá são grandes exportadoras.

[1:28:19]Por quê? Porque são multinacionais grandes que investem, tem a mesma tecnologia no chão de fábrica que tem nas suas matrizes e quando uma empresa aqui no Brasil investe muito, ela é mais competitiva do que a matriz. Eu tenho duas empresas que fabricam máquinas de usinagem alemãs aqui no Brasil que chegam a exportar mais de 80% do fatoramento. Caramba.

[1:28:44]Inclusive para Alemanha, associado da ABIMAQ, pois em off aqui eu falo o nome delas. Então... Depois eu conto para vocês. Então quando você fala que a empresa está investindo e ela investe em inteligência indústria artificial, em automação, indústria 4.0, quando a gente tem o mesmo grau de investimento do que as empresas lá da Alemanha e dos Estados Unidos, a gente tem mais positividade aqui no Brasil ou igual. O problema é quando a gente entra no Brasil profundo e aí vem a questão do capital, custo de capital, vou comprar uma máquina, vou pagar 20% ao ano, não vou comprar essa máquina. Então, o que acontece? A taxa de investimento no Brasil é baixa. Como a taxa de investimento do Brasil investe, ano passado, incríveis 16,8% do PIB. O Brasil tinha que investir 25% do PIB, nós estamos investindo 16,8% do PIB. Então, com esse baixo investimento, o que acontece? As empresas normais, médias, pequenas e microempresas que não investem em tecnologia, aí você não consegue abrir um negócio novo no Brasil, porque o chinês vai te comer. Mas se você tiver uma empresa aparelhada, up to date com as melhores tecnologias que estão disponíveis aqui no Brasil, você aguenta qualquer chinês.

1:30:10PIB 2026 e perspectivas para máquinas e investimento

[1:30:10]E o que você vê agora para o mercado de 2026? O que você espera do PIB? então o PIB do Brasil, ele tem tido um desempenho bom, se a gente pegar os últimos anos, crescer 4, depois 3,5, depois 3,5, agora 2,3, foram crescimentos, porque se a gente for num país desenvolvido, não são crescimentos robustos, mas se você comparar esses 4 anos com o Brasil, aí são anos de bom crescimento, porque o Brasil é um país que não cresce, se a gente pegar nos últimos 40 anos, a gente cresce em média pouco mais de 2% ao ano, isso é muito pouco.

[1:30:49]Então, o Brasil, a gente precisaria, na hora que a gente vai no PIB, não é só olhar o PIB, é olhar como ele está composto. Esse ano que nós estamos agora, 2026, é a nossa previsão de 1,8 de crescimento. pô, é o sexto ano seguido de crescimento positivo? É, beleza, mas aonde que vai estar esse 1,8? Isso que é importante ver. Então, o nosso crescimento hoje é baseado em consumo das famílias, em função dos programas sociais, que a gente não pode ser contra, o programa social esconde ele bem feito, bem executado, beleza, mas ele tem crescido por o caso, do lado da demanda em função dos programas sociais, e ele tem crescido pelo lado do agro, que tem crescido bastante, tem aumentado a área, aumentado a produtividade, do petróleo, da mineração e da importação de bens manufaturados, porque o aumento da importação também aumenta a PIB.

[1:31:52]Então, quando a gente analisa o nosso PIB, ele é ruim, porque ele não está crescendo pelo aumento da produtividade. Ele não está crescendo porque o Brasil está investindo mais. O Brasil tinha que investir 25% do PIB, envia esses 16,8%. Então o Brasil tinha que estar crescendo porque tem mais empreendedor. O cara está saindo de um programa de renda mínima, um programa social e entrando para o mercado para valer, gerando mais emprego com carteira assinada, gerando mais empreendedorismo, tirar a pessoa do aplicativo, tirar a pessoa do bico e trazer ele mais para a economia formal.

[1:32:35]Então o PIB vai ser um PIB baixo em 2026, nós estamos pensando em coisa de 1,8, mas quando a gente vai investigar lá dentro do PIB, o que está puxando o PIB e o que deveria estar puxando o PIB. Então o Brasil tem esse problema grave que ele não quer. agora no nosso setor de máquinas e equipamentos, o acumulado entre janeiro e fevereiro, nós estamos em uma queda de 15% em relação a janeiro e fevereiro do ano passado, mas nós estamos prevendo, e eu conversei ontem ainda com a nossa equipe de economia estatística, nós estamos prevendo um 0 a 0 até o final do ano, porque o assunto se messe ter alguns motivos que a gente acredita que vai melhorar, principalmente no agro e tal, então, embora o águo está com problema mas sério que o água em janeiro-fevereiro teve uma queda de 18% esse ano. Então nós estamos imaginando que esse ano nós vamos ficar no zero a zero, a setor de máquinas como um todo.

[1:33:36]E o consumo aparente do Brasil que é o consumo que o Brasil faz de máquinas, entre aquilo que ele importa e aquilo que produz e fica no Brasil, um crescimento zero. E nós estamos imaginando um crescimento nas exportações. Você tem uma ideia? As exportações de de janeiro e fevereiro, tivemos um crescimento de 12% e como a gente exporta muito para os Estados Unidos e como foi resolvido, pelo menos, por enquanto nós estamos com a mesma tarifa do resto do mundo, 10% que vai migrar agora para 15%, mas nós somos igual os nossos concorrentes e a gente exporta muito para os Estados Unidos, não temos mais aquela tarifa de 50%.

[1:34:12]Então a gente está otimista na exportação, então a gente imagina que exportação vai vai ter um crescimento em torno de 10 a 12%, mas no mercado interno, 0 de crescimento. Caramba, pensei que ia vir um pouquinho melhor. Porque o custo do dinheiro continua elevado, mesmo com essa redução da selic que teve de 0,25 e também um pequeno queda da selic durante o ano, com uma salíquia em torno de 12 e meio, 12, 25, ainda é uma política humanitária muito restitutiva e com isso o investimento não vem.

[1:34:55]É isso aí. A gente está se encaminhando para o final do podcast. Tem alguma pergunta que eu não fiz, algum assunto que gostaria de abordar? olha, a gente quando mergulha aqui nos problemas do Brasil e a gente discutiu problemas, pode passar aqui uma imagem de pessimismo, mas não, a gente tem que ser otimista com o Brasil, eu falei aqui, eu tenho vários setores no país que estão crescendo, o plástico cresce, então o Brasil é um país que tem muitas oportunidades, eu vou fazer aqui uma pergunta imagina que o Brasil, que já está recebendo investimento externo, desde já de alguns meses, em 2020 foi um ano bom para investimento externo, em 2025 e em 2020 continua, imagina se o Brasil tivesse um saldo positivo no primário, ou seja, um saldo gastar menos do que ganha em torno de 3 a 4%, nada mais do que isso, tivemos aqui um saldo de 3 a 4% ao ano, que a gente tenha uma redução da carga tributária, que hoje está em torno de 33% para algo perto de 30%, ou 29%, e que a gente apontasse com isso que, no futuro, na curva longa, a gente tivesse um não crescimento mais da relação de vida PIB, ou seja, equilíbrio marco-econômico, redução de carga tributária e redução do endividamento ao longo prazo.

[1:36:34]Com isso, eu diminuiria taxa de juros com os investimentos externos e com a guerra que tem no mundo, e todos os problemas geopolíticos, os Estados Unidos isolados do mundo criando falta de confiança de outros países, a Europa, com todos os problemas econômicos que a gente sabe quais são, a Rússia em guerra, enfim, todos esses problemas geopolíticos que a gente acompanha no nosso dia a dia, o Brasil não tem esses problemas.

[1:37:01]Então se o Brasil resolver esse problema da economia, macroeconomia, recaração, taxa de juros e melhorar o ambiente de negócios aqui e imagina o que esse país poderia decolar. Tudo o que eu estou falando não é muito difícil. Tudo o que eu estou falando não é muito difícil. Se o Brasil resolvesse esse problema, marco econômico, o Brasil ia ser um foguete e ia subir e ninguém conseguia segurar por causa das vantagens que nós temos aqui.

[1:37:28]Vamos arrancar esses cartão corporativo que está lá em cima, porque vai melhorar o que está acontecendo. então eu quero deixar uma mensagem de otimismo, Rui. Que bom, muito bom, então muito obrigado por ter participado do episódio do PodPlástico, a gente está aqui sempre à disposição e para você que nos acompanhou até agora, meu muito obrigado, se não nos segue, nos siga, ative o sininho, deixa nos comentários se gostou, se não gostou alguma pergunta, faremos questão de responder e até o próximo episódio do PodPlástico.

[1:38:01]Muito obrigado, José Velloso. eu que agradeço, obrigado.

Rui Katsuno

Apresentado por

Rui Katsuno

38 anos no setor plástico. Fundador do Instituto Soul do Plástico e da MTF Termoformadoras, autor de O Vilão que Salvou o Mundo e apresentador do PodPlástico.