A Aula Definitiva Sobre Plásticos | Professor Polímeros no PodPlástico
Professor Derval dos Santos Rosa, do canal Professor Polímeros, desmonta com dados científicos os mitos sobre BPA, microplástico e a segurança do PLA.
Principais insights
- Derval dos Santos Rosa criou o canal Professor Polímeros na pandemia, mesmo sendo um pesquisador com mais de 8 mil citações pouco habituado a falar com o público leigo.
- Um artigo que ele e sua equipe publicaram na revista Polymer, revisando mais de 500 estudos sobre os 6 principais polímeros, mostra que não há BPA no processo produtivo de materiais como PET e polipropileno.
- Defende que o polipropileno pode ir ao micro-ondas com segurança porque foi desenvolvido para isso — diferente do PVC ou do poliestireno, que não foram projetados para essa aplicação.
- É favorável a plásticos oxi-biodegradáveis apenas quando usam aditivos orgânicos, e alerta que alguns aditivos à base de metais pesados (cromo, cádmio, cobre) podem ser bioacumulativos e tóxicos.
- O polipropileno reciclado já tem aprovação da FDA (EUA) para voltar a embalagens de alimento, mas ainda não foi aprovado pela Anvisa no Brasil.
- Diz que o estudo da WWF sobre "comer um cartão de crédito de microplástico por semana" já foi refutado, assim como a manchete sobre microplástico no cérebro humano, distorcida por contaminação no método de pirólise usado na pesquisa.
Perguntas frequentes
Quem é o Professor Polímeros?
Existe BPA na produção de garrafas PET e embalagens de polipropileno?
É seguro colocar embalagem de polipropileno no micro-ondas?
É verdade que uma pessoa consome um cartão de crédito de microplástico por semana?
É verdade que já encontraram microplástico no cérebro humano?
De onde vem a maior parte do microplástico no dia a dia, segundo o Professor Polímeros?
Capítulos e transcrição
0:00Abertura: professor Derval dos Santos Rosa, o Professor Polímeros
[0:00]e sejam muito bem-vindos a mais um episódio do PodPlástico e hoje eu tô aqui com o convidado que é da mesma trincheira que a minha, só que do outro lado da mesa. Enquanto eu venho do chão de fábrica, ele vem do laboratório, da sala de aula, é o professor Derval dos Santos Rosa, o professor polímeros da UF ABC, um dos maiores nomes de pesquisa em polímeros do Brasil, com décadas dedicadas à biodegradação, reciclagem de plástico, e além de tudo isso, ele fez uma coisa que eu admiro demais, pegou toda essa ciência e resolveu descomplicar para o público, criou um canal professor polímeros para ensinar de um jeito que qualquer um entende, ou seja, ele é cientista e comunicador ao mesmo tempo o que é raro de achar, mas chega de eu falar que o senhor mesmo, eu quero que o senhor mesmo se para o nosso público e seja muito bem-vindo ao PodPlástico.
[0:59]Primeiro, eu quero te agradecer muito de estar aqui no PodPlástico, para mim é uma grande satisfação e é uma grande satisfação estar aqui com você pessoalmente, a gente se vê muito na internet, a gente sabe da sua trajetória, que eu acho que é extremamente importante, além de você ser um tende gestor de uma grande empresa, que é a MTF, que vem trabalhando na parte de processo, eu acho que isso é um... E uma coisa que a gente percebe, que você tem muito em comum comigo, que é o processo de transição mesmo, que é você saiu da gestão de empresário para um grande comunicador. Então, olha, para mim é uma grande satisfação estar TAKI, conversar com você e com o seu público, né, porque eu acho que é a gente tá criando, hoje nós já somos influencers. É, nós somos influencers, é. Mas é muito bom, viu? Muito obrigado de TAKI. Eu que agradeço. E, professor, o senhor criou um canal, professor Polímeros, no meio da pandemia chamou de uma loucura da pandemia, porque um pesquisador com mais de 8 mil citações resolve virar comunicador e falar com o público leigo.
[2:19]Essa pergunta, eu acho que ela é muito provocativa, e eu acho que foi exatamente, durante a pandemia nós passamos momentos muito difíceis, todos nós. e aí veio o tal do vírus e a gente não sabia como fazer e nós que somos professores, educadores, nós tínhamos ainda uma função de continuar trabalhando online com os nossos estudantes. naquele momento, Rui, eu já com, talvez, quase 60 anos, eu olhava pra mim e aquilo tava muito difícil, rapaz, tava muito difícil falar com vocês assim, falar em público, falar e eu era um professor já com 30 anos, né, você entrava em sala de aula? A gente fala da palestra técnica, isso aquilo, mas aquilo me fez refletir um pouco o papel do educador, que é, eu trabalho só com 60 estudantes dentro de uma sala de aula, será que, e aí eu acho que a gente começou a ver também na internet algumas colocações que eram, não diriam que eram em verdades, mas poderiam ter sido e o melhor explicado. Então tudo isso foi entrando na minha cabeça e eu comecei a me atrair. Assim como a gente tem na pesquisa, os novos desenvolvimentos de novos materiais, isso sempre me atraiu, eu acho que essa coisa da informação, da comunicação, da tecnologia, dessa coisa de edição de vídeo, isso foi me criando uma coisa, não, eu vou ter que entrar, sabe? A gente que tem 2 metros de altura, você sabe como funciona, né? A gente, aquilo foi uma provocação, e eu comecei, né, o que foi difícil, eu vou ser sincero pra você, foi a autocrítica, porque como você disse, eu sou um pesquisador, assim, quando a gente fala de pesquisador, a gente sempre fala assim, ah, dos bolsistas, produtividade, quanto produz no Brasil, eu sou um lado serem pequeno, eu produzo muito, citado nos rankings de pesquisadores no mundo e a grande preocupação é você vai falar de uma forma muito simples pra explicar os materiais desta garrafa ou professor, o senhor é um pós-doutor na área, como é que o senhor vai falar desse jeito? Daqui a pouco o senhor tá falando prástico, eu acho que esse processo e aí é muito TENO, como você fala de ciência, e eu comecei a estudar um pouquinho isso e eu vi que tinha uma diferença de disseminação científica, eu falando com os meus pares e divulgação científica, eu levando essa informação para a sociedade.
[5:29]Para que a sociedade entenda. E aí foi muito interessante, eu acho que você, o Junior, a gente estava falando e agora pouco também, tem feito esse trabalho e além de levar a questão do plástico de uma maneira geral, a gente também tá trazendo, esclarecendo questões e claro, com a minha responsabilidade de pesquisador, eu tenho que trazer algumas informações, eu tenho que trazer algumas referências, porque a gente sai daquela questão do axismo.
[6:01]Sim. todo mundo tá falando, todo mundo quem, né? Então, todos esses aspectos me fizeram a criar o professor Polímeros que foi pra mim hoje, né? Acaba tendo um grande divertimento e eu estou feliz de fazer isso e é muito bom quando a gente chega, né? Com alguma idade a gente perceber que isso dá prazer é muito legal, né? Eu tava conversando ontem com um amigo que começou comigo lá, a gente com a história de falar nas redes sociais, a gente começou a falar, eu falei pra ele, poxa, quem fala, né, que aquilo ia evoluir para um podcast, para um instituto, para uma rede social ativa, nunca, jamais na minha vida, eu faço um personagem, quando que na minha vida eu ia imaginar isso nunca, que eu era o cara mais acanhado do mundo, só que eu entrava numa sala de reunião para falar TANQUILO, saía dali, apontava um celular pra mim, eu não conseguia falar, parecia que me grudava na garganta, então essa barreira foi a mais difícil, mas também depois que destravou, destravou. É muito bom, né? E eu acho que eu sempre penso duas coisas, o professor polímero, ele é mais engraçado, ele é mais o professor derval em sala de aula, ele acaba tendo que corrigir expressões, temos que de corrigir postura, temos que corrigir isso. E eu acho que isso, talvez, eu ganhei muita leveza na minha vida pessoal como professor Polímeros. Isso é um ponto importante, que eu acho que traz essa coisa, né, da comunicação, de você olhar pra dizer, eu acho que isso é muito legal, eu tô adorando. E eu te agradeço mais uma vez.
[7:47]eu fico muito feliz de poder estar com uma pessoa tão intelectualmente ativa, falando de plástico com todo o seu conhecimento. A gente puxa esse conhecimento científico pra dentro do PodPlástico, por exemplo. Tem bisfenol aqui, professor. Olha, eu já vou aproveitar. Vai ter uma excelente palestra no no Congresso Brasileiro de Plástico, a gente vai falar sobre essa presença do BPA em vários materiais.
8:21Estudo com os 6 principais polímeros mostra ausência de BPA
[8:21]Olha, recentemente nós publicamos um artigo numa revista chamado Polymer, aonde a gente avaliou os seis principais polímeros, a gente fez um estudo dos processos produtivos, A gente avaliou as tecnologias, a gente avaliou os mecanismos de síntese, os sub-produtos, então foi bastante interessante, e nesse trabalho a gente destaca cada um desses materiais, então do PET, do polipropileno, que no ciclo do processo produtivo não há a presença BPA. Então isso é importante a gente deixar claro, tanto que teve uma referência, foi uma revista internacional, então assim, a princípio a gente pode falar, na geração do material, não existe BPA.
[9:19]Agora, eu sempre falo né, tem BPA na garrafa do cara que passa BPA. Ah sim, claro. Aí o problema é de cada um, né. O que se fala muito são dos materiais que nós temos hoje são seis tipo de materiais que a gente tem em larga escala e em embalagem, esses materiais, nós aqui do outro lado eu não sou pesquisador, eu não sou cientista, mas eu pesquiso bastante sobre as validações, as RDCs, o que o CTF fala, o que Itaú fala, o que a AMVISA fala, então eu vejo esses materiais todos seis como seguros, para estar em contato com alimento, por por exemplo, o polipropileno pode no microondas, porque vai te matar, vai te dar um câncer, porque vai pro microondas, poxa, ele foi feito pra congelar e pro microondas, então quando a gente pensa numa empresa, vamos falar de uma empresa como a Sadia, ela não ia colocar um negócio lá dentro pra ela tomar um processo depois, é como eu falo de uma Coca-Cola, ela não ia colocar pra vender pro mundo inteiro um negócio contaminado que poderia gerar bilhões e ela fali. Então eu sempre dou exemplo de grandes indústrias que utilizam esses materiais e das nossas certificadoras e também fora as outras. A gente tem a certificadora europeia, a gente tem a certificadora americana, a gente tem a certificadora brasileira e assim vai, todo mundo certifica esse material para estar em contato com o alimento. E se não estivesse, como seria nossa alimentação hoje? Sim, sem dúvida. E é engraçado que A gente tá aqui, eu tô te ouvindo, e eu fico pensando assim, como a nossa atuação é muito complementar, eu vou dizer pra você, porque ao longo que eu tô discutando aqui, você falando das empresas que produzem, das preocupações, eu já fico pensando assim, nossa, no microondas, é uma luz de microondas com aquela frequência de, então, com aquela frequência que é igual a HANI, olha a loucura do professor, que tem uma energia X em que as ligações covalentes do polipropileno, CC, CH, CH3, ele tem pra quebrar essa ligação tem que ter um nível de energia, então você percebe que a gente quando começa a olhar pro problema e é legal a gente tá aqui conversando, porque, é, ou seja, pra você degradar o material, gerar um radical livre, que é o quê? Tem uma ligação covalente aqui, você rompe essa ligação, então o professor polímero já não tá aqui, é o professor derval, e aí eu quebro e formo um radical livre. Agora, se a gente for pensar bem, o sol gera radical livre nesse polímero aqui. Sim. Cê concorda? E a gente tem que proteger o quê? Absorver essa radiação.
[12:16]Então eu acho... Ou passa um protetor solar que na boca deles vai matar você também, e então aí a gente vê que então assim, o caso do polipropileno eu acho que é bem típico, o que talvez a gente tenha que ter uma grande preocupação é quais são os materiais que eu coloco no microondas, isso é importante, então a gente tem que pensar assim quais são os produtos dependendo do material, se tem ou não o plastificante que pode eventualmente muda. Ah, mas pode ter plastificante não migrar? Pode. Então a gente também tem que pensar científicamente se ele for de alta massa molar, ou seja, uma cadeia muito grande, não vai migrar, não se preocupa. Então eu acho que são esses aspectos que a gente precisa levar para a sociedade. Então, a princípio, o polipropileno em si pode ir para o micro onda, sim. O que eu brinco muito com o pessoal na internet é o seguinte, o plástico, todo o material plástico, porque na boca do cara que fala mal de plástico só tem plástico.
[13:23]Sim. O plástico nós temos centenas, senão milhares de composições, mas pra ele plástico é plástico, né? Então, quando eu falo que o plástico, ele tem que ser usado como ele está especificado, como ele foi validado, é como um remédio, eu não vou tomar um remédio pra conter e uma diarreia, um remédio de cabeça. Então, é mais ou menos isso. Então, o polipropileno está lá, que está escrito, que ele pode infrisar microondas. Agora, eu não posso fazer a mesma coisa com PVC. Eu não posso fazer a mesma coisa com poliestireno, porque ele não foi concebido para aquilo. Agora, você pega uma bebida carbonatada, que nem é essa aqui, que é uma água com gás, uma bebida carbonatada. A espessura dessa garrafa é diferente pessura da garrafa não carbonatada, por quê? Porque essa aqui eu preciso de uma pressão, ela precisa suportar uma pressão interna muito maior, essa aqui ela já fica mais leve, então quando a gente fala de peso, de leveza, de transporte, comparar isso aqui com vidro meus amigos, a avaliação de ciclo de vida desse convido para essa aplicação mata, mas mata de paulada na cabeça, então a gente fala Mas os materiais foram surgindo à medida que a humanidade foi necessitando de alguns produtos.
[14:47]Eu já vi na televisão alguém fazer uma propaganda de uma embalagem plástica, eu nunca vi. Eu acho que as coisas foram acontecendo porque o homem, na verdade, a questão do capital, cada vez mais ela está vindo e consumindo a gente, oferecendo não só produtos, e produtos, mas eu acho que tem conforto também que são trazidos, né? É a minha palavra que é a palavra conforto, é a palavra poluição pra mim a mesma, tá? E eu acho que isso nós vamos ter que tentar pensar que eu acho que por um grande período a gente foi em busca disso, sim. E agora nós estamos agora preocupados sim com a questão do planeta, é óbvio que isso é extremamente importante. Claro que é.
[15:38]PARC, que todo esse processo, eu tô querendo aqui ser um pouco poliana também, tá? Esse processo de questionamento e tudo isso tá fazendo todos nós refletirmos. O cidadão, que na verdade consome esse produto, vai se preocupar no discard correto. Em alguns momentos, eu mesmo já reflito, se eu riso consumir, será que cada um de vocês que estão olhando aí, se chega a pensar se é a necessidade de comprar determinados produtos, eu às vezes fico pensando isso, então eu acho que primeiro a gente vai ter que estabelecer uma sequência, quer dizer, talvez uma redução do uso COIS. Hoje já tá até muito cool, você aí em determinados brechos sofisticados, o jovem tá começando a ter essa preocupação, então tá criando mais essa preocupação, essa cultura, eu acho que ela começa a mexer, e claro que essa cultura também faz o que? O setor produtivo, fazer uma reflexão. A gente, muitas vezes, tem também uma produção de determinadas demandas que são feitas e, muitas vezes, nem são questionadas essas demandas. Então, eu vejo que é importante tudo isso que está acontecendo, mas a gente não pode também jogar tudo fora. Claro que não. Eu acho que é isso que nós estamos conversando aqui.
17:12Plástico na medicina e por que "banir" é voltar ao século 19
[17:12]sim, trazer essa questão do plástico, da importância do plástico, nós vimos mesmo, você me mostrou do instituto aqui, a história do plástico, achei fantástico, quando você traz a substituição na parte da biomédica mesmo, eu lembro disso, e aí o quanto hoje a gente não precisa tirar os pontos de uma cirurgia. eu tomei a injeção na escola, parecia produção, era igual vacinaboi, o cara ficava com jota bem, parecia, era uma pistola né, pum, passa, pum, passa, não trocava agulha, não trocava nada, era que acabava o remédio do vidrinho, ele trocava o vidrinho e foi no próximo, pau, e era assim, só que a gente não tinha a quantidade de, de, de bactérias, a quantidade de doenças que a gente tem hoje que desenvolveu ao longo dos anos, a gente não e um HIV, a gente não tinha outros, a gente tinha várias, dois também, né, foi um vírus que veio e se a gente sabe que na história também a gente vai ter outras, né, só que hoje nós estamos mais protegidos graças aos materiais, sim, com certeza, plásticos, né, não dá pra colocar uma luva de papel na mão, assim como não dá pra colocar uma pizza dentro, em bala de plástico, né, então cada material, eu acredito que cada material, tem a sua função, tem a sua colocação, um perfume chique, um perfume bonito, ele tem que ser no vidro, eu não vou comprar num balade de plástico, não tem sentido, ele tem que vender aquele glamour do perfume, então são coisas assim que é cada um ali, só que o plástico veio buscando o mercado automaticamente, veio diminuindo o peso, veio diminuindo consumo de água, veio diminuindo o consumo de energia, e os outros materiais, obviamente, é igual o cachorro hakuado, ele vai te morder, os outros materiais, eles foram perdendo o mercado, perdendo o espaço, e eles tiveram que tomar uma posição péssima, posição, né, péssima, porque hoje nós temos duas ONGs lá em Brasília, trabalhando para o banimento dos materiais plásticos, aí eu acho que eles não viram a história, eles e que precisavam vir aqui pra eu dar uma palestra pra eles sobre como era lá no século dezenove, dezoito, lá pra trás, né, como era que é o que eles querem que volte, então eles precisam entender, hoje nós estamos século vinte e um, a história é outra, nós somos muito mais sensíveis do que a população lá do século dezenove, nós somos mais sensíveis e nós vivemos muito mais graças a todo tipo de material que nós temos, graças ao ocemento, graças ao vidro, graças ao plástico, graças a todas as descobertas, não, sem dúvida.
[19:58]Eu acho que importante também, quando você fala isso, eu fico pensando também um pouco no papel que cada um de nós tem. Eu acho que, no meu caso, como educador, sem dúvida, eu acho que a gente tem que trazer, porque todo esse processo que você cita são NARRATIVAS QUE SÃO CONSTRUIDAS, CERTO? Então, assim, por um lado também, Rui, a gente tem também assumir alguns, eu acho que erros da nossa parte, principalmente eu como cientista, que eu acho que muitas vezes a ausência de informação por parte, inclusive de nós educadores, professores, eu acho que a gente tem que levar também a sociedade, né, como eu falei pra você dessa palestra que eu vou dar, eu vou levar os mecanismos e e então nós também temos que contribuir para as decisões que de políticas de resoluções, de portarias, de leis, de maneira que elas sejam embasadas em estudos científicos.
[21:04]Então a ciência tem que ajudar na gestão, seja nas escolhas do vidro, do papel, como você falou aqui, dos diferentes mercados. para as narrativas construídas exclusivamente por questões mercadológicas, e a gente sempre sabe que tem isso muito envolvido, eu acho que, então a gente tem que pensar também, então eu sou muito acionado em relação, entre aspas, para apartar alguma briga aqui, assim, sabe aquela coisa?
[21:36]Mas o senhor já foi convidado, por exemplo, para ir lá no Senado, quando eles estão pautando um príncipe de lei? Não vou. Não vou. Mas já foi chamado para ir na Câmara dos Deputados? por que? Porque tem coisas que determinadas situações é que a gente também, a gente sente quando você vai pra ser, pra somar, pra somar, ou pra ser ouvido muitas vezes, né? Então assim, eu tô olhando aqui você, eu tô vendo seu olho, eu vi que você tá ouvindo o que eu tô falando, mas tem coisas que tem momentos que a gente, às vezes, é convidados que e, por outro lado, hoje eu já estou começando a pensar que às vezes eu tenho que ir, porque em alguns momentos a gente percebe que é acaba sendo uma ausência de uma posição científica, então eu diria pra você que acho que a gente tem que começar a mudar e eu estou refletindo um pouquinho sobre isso.
22:35Abiplast x ONGs: quem tem ciência para sentar à mesa
[22:35]O que acontece hoje, nós temos aí quem nos defende muito e muito bem defendido, é a Abiplast, ela está em toda a mesa, a Abiplast está em toda a mesa de discussão, está lá, está o Paulo, está a Magali, eles estão lá e estão batendo, só que assim, o que eu vejo que falta nisso, ou o excesso, como que você pega uma ONG que não vem do setor produtivo, não entende absolutamente nada de indústria, não entende entende absolutamente nada da ciência que o senhor estuda, não entende absolutamente nada do que é ter um funcionário, estar pautando projetos de lei.
[23:17]Eu falei com, essa semana eu soltei um podcast de uma pessoa, foi do promotor do Brato Grosso do Sul, promotor ambiental, excelente, foi excelente o podcast, muito elucidador, eu não escrevo nada e nenhum projeto de lei passa na minha mão que não tenha passado com as pessoas da cadeia produtiva. Eu tenho que ter um cientista, eu tenho que ter um industrial, eu tenho que ter a pessoa, a ONG que está lá pode estar, mas tem que estar todo mundo na mesa e a gente tem que tomar a melhor escolha, não a escolha por sentimento ou por ideologia, porque hoje eu sei que o que o senhor trabalha muito com biopolímeros, tem uma experiência muito vasta, sim, com biopolímeros.
[24:04]Vamos falar um pouco sobre, por exemplo, o PLA. O senhor acha que o Brasil está pronto para transformar tudo para PLA? Eu gostaria que tivesse, isso é uma vontade. Por outro lado, eu trabalho com PLA já bastante tempo. O que eu vejo, nós estávamos discutindo isso um pouco. Nesse momento, não. Eu sinto dizer isso, eu gostaria muito que tivesse e isso, mas eu vejo que o mercado poderia também ter um maior esclarecimento das características do PLL, PLL é muito parecido com o polipropileno, sim, muito parecido, as características, propriedade mecânica, a questão da fluidez em alguns momentos dá para trabalhar muito parecido com isso, então assim, ele não suporta o térmico, né, o térmico, ele vai até uma estrutura e isso, mas de qualquer forma, se a gente for olhar, eu fico sempre olhando o lado bom disso, não o lado ruim, porque em alguns produtos, você vai me dizer que isso aqui vai ser exposto a que temperatura, então alguns produtos eu acho que a gente teria que fazer essa reflexão, mas o que que eu vejo, então assim, pra entrada de um polímero no mercado NACIONAL, primeiro tem que ter o que? Dinheiro para tentar fazer um marketing adequado, tentar dar amostra para os fornecedores, trapazeristas, traial, e eu não posso triplicar o preço do produto. Então esse é o ponto, mas eu fico lembrando, você lembra de uma coisa lá atrás quando a gente falava, essa bolagem, como que é? Tinha um preço, era, oi nós e, por isso, eu fico lembrando daquilo, eu fico pensando, bom, o custo, talvez, por que?
[25:50]Porque a gente ainda tem a pouco, então talvez isso seja uma escala, então a questão da escala é significativa, por outro lado, o processo em si é um pouquinho mais caro do PLA. Então precisaria verificar o quanto que, e aí penso muito na avaliação do ciclo de vida, ou também nas questões termodinâmicas mesmo, quanto que eu gasto de energia para a processão, quanto que eu gasto para o outro, qual é o tipo de material que eu vou de variedade de material e que aplicações eu posso ter.
[26:24]Então e qual é o mercado dessas aplicações? Então o que eu diria para você é o seguinte, dá para ampliar isso no mercado nacional? Dá. Hoje como que a perspectiva, eu acho que não é tão grande ainda, ele está muito e o incremento está muito pequeno. Na Europa está crescendo mais, eu percebi que nos últimos cinco anos aumentou um pouquinho, inclusive assim como o polietileno, que a gente tem aqui o verde e o de origem fóssil, também está tendo os de fonte renováveis de outros materiais na Europa, então você vê que também, mas tem incentivo fiscal, tem vários aspectos que estão colocados. Tem um material que está e que ele é a base de alga marinha. A gente vai participar da EmbalaMundi agora no mês que vem e eu vou ser mediador desse painel de materiais biomateriais e vem um material à base de algas que ele é um material, que ele se decompõe com facilidade. Então estão vindo, nós teremos que ter ter biomateriais, sim, nós vamos ter que ter biomateriais. Hoje, por exemplo, a gente falava antigamente que todo material evolui, né? Se a gente pegar o primeiro PLA de 1983 para hoje, não é o mesmo material de jeito nenhum. Então, eu falo a mesma coisa dos oxibio.
[27:51]O oxibio que a gente tinha lá no passado é muito diferente do oxibio que a gente tem hoje. Então, você pega, por exemplo, tem o Sellera, que é um tipo de oxibio. o célera, ele não aterrosanitário, ele vai muito bem, porque ele vai e ele se decompõe no aterrosanitário, o problema, ele gera metano, então só que aí é o problema ele gera metano, o papel gera metano também, e a carga de geração do papel, a curva de geração é muito mais alta do que a do plástico, então ele gera metano mas gera menos, então é melhor o material inerte ou é melhor o material gerando metano, mas aí é material de cadeia simples, sim. Só que quando a gente põe um material como o Célera, ele volta pra economia circular, se eu quiser. Eu pego a garrafa, quando eu passo no canhão quente, ele mata as moléculas do oxibio e tchau. Aí nós temos outro tipo de oxibio, que é o da Pillife. O da Pillife já é um material que ele tem outras certificações, ele tem várias outras edificações e agora vem a certificação brasileira deles. Eu acompanho bastante isso porque eu quero para entender também onde o mercado está indo. E eu acredito muito que esse material que leva o oxi-biodegradável é para aquele cara desavisado que jogou a garrafa pela janela, que o cara que joga uma de plástico, ele joga uma de vidro, ele joga uma de ferro, ele joga uma abituca de cigarro, ele joga um chiclete, ele joga um papel, então ele joga tudo.
[29:24]cara, é o cara que vai ter que ter uma garrafa com um material compostável, não serviria porque não ia compostar, mas um material com o oxi-biodegradável, validado, certificado e indicado que não gera microplástico, né? É, mas olha, eu vou ser sincero, eu já estudei bastante essa questão dos oxi-bios, eu não vou falar marca aqui até pra que a gente não tenha nenhum problema legal, mas eu diria pra você o seguinte.
[29:53]ou é a minha posição em relação ao oxi-biode? Primeira coisa, é a presença de elementos potencialmente tóxicos. O que significa isso? Antigamente nós tínhamos um termo que é o tal dos metais de transição, alguns metais chamados metais pesados. Manganeza. Manganeza, então vários outros metais. Só para você ter uma ideia, hoje eu tenho um projeto financiado pela MAFAPESP, que é o Morgan respeitado com mais de 4 milhões o projeto. E pra que que é esse projeto? Pra desenvolver materiais porosos, pra remoção de contaminante emergente desta água que a gente bebe. E olha só, qual é esse projeto? Eu cuido de seis elementos totalmente tóxico, cromoseis, cádmio, cobre, você vai falar, professor, mas isso aqui tem aqui, tem traço, traço, mas esses elementos são biocomulativo, eu tomei um pouquinho hoje, tomei um pouquinho amanhã e ele vai acumulando, tá tudo bem no seu metabolismo, tá tudo bem, só que eu estudo esses seis elementos que causam materialzime. Então, o que quando você fala de oxibio, eu só sou o favorável do oxibio, que tem materiais orgânicos, que tem ressonância, que pega energia, faz a ressonância, gera o radical pro plástico e começa a degradar. A presença de íons metálicos, e isso é quando você fala de CERDIFICAÇÃO, eu fico muito preocupado que tem que ter esse cuidado na certificação.
[31:43]Por quê? Porque, como você falou lá no passado, desculpa, a gente teve... Não, tinha muito problema. Tinha muitos metais. Então, hoje eu me preocupo, ah, ferro, o professor, pode? Pode, ferro. Olha, eu já estudei ferro, já estudei calço, porque calço usa também pra gente de fluxo, né? Sim. Que também poderia também ser usado. e vários orientados estudando isso. Então, qual que é o segredo dos desenvolvedores de materiais oxibil? Eles têm que se preocupar, e a gente está preocupado muito com essa questão ambiental, de ter elementos que não criam, porque não só degradam, mas que ao longo da cadeia, ele não gere elementos potencialmente tóxicos. Então, sou favorável, oxibil, desde que, e preferência, nós tenhamos aditivos orgânicos, existe no mercado, aditivos orgânicos que causam o que captam essa energia da luz e promovem a degradação, e aí sim é o que você falou, vai gerar lá a compostagem, olha, se biodegradar em fragmentos menores, me preocupa, mas não me preocupa tanto quando o maco plástico, a gente fica sempre preocupado com isso, O que foi o senhor? O senhor está falando então que o senhor é favorável ao microplástico? Não, não é isso que eu estou dizendo, né? Mas eu estou dizendo que no processo degradativo, se você acelera esse processo, se reduz muito o tempo de entrega do carbono para a natureza, que é isso que a gente quer, quando a gente quer degradar esse material. Então é muito legal essa conversa, porque, porque a gente ter essa preocupação e é um pouco a minha função falar essas coisas, né?
[33:26]e aí tem solução, é só a gente pensar como fazer, troca o 6 e se põe meia 12, sabe essa coisa? Então eu gosto muito de falar, isso eu falo sempre, toda hora que eu tenho oportunidade eu falo que tudo se resolve quando provoca a indústria, é verdade, é só provocar. Eu também acho. Então provocou, resolve, não tinha problema, qual era o terror de 1980, não era o pneu? Hoje escuta falar de pneu?
[33:55]PNEU, parou de gastar PNEU no asfalto, mas resolveu o problema das carcaças de PNEU, a gente estraia nego de fumo, a gente estraia óleo, a gente estraia material pós-falto, a gente estraia um monte de coisa e recicla a carcaça do PNEU inteiro, sem dúvida, e uma coisa que é legal, eu vou aqui a levantar sua bola do instituto que vocês estão fazendo em relação a formação dos jovens, eu me lembro que quando começou essa polêmica PINEO, eu fiz uma parceria com uma empresa que me deu amostras de pneus moídos em diferentes granulometrias e eu dava aula de reciclagem ambiente e a gente fez pisos com diferentes teorias e uma coisa que é importante porque lá atrás quando a gente pensava no uso desses materiais é um termofixo, ligação A gente tinha essa questão a ser colocada e aí juntou alguns cientistas à indústria e se estabeleceu uma logística, se identificou um grande negócio e hoje isso é um grande negócio e na disciplina de reciclagem, porque eu quero falar isso assim só para concluir, é que a gente conseguia você vai fazer o que? Mostrar a viabilidade. Então hoje vocês conhecem esse instituto, vocês estão fazendo, à medida que vocês vão trazendo as escolas, vocês vão trazendo informações, então é uma provocação também, né, da indústria como você colocou, mas também a sociedade também, ela tem que ajudar a gente a catalisar isso aí, né.
35:40Por que o PP reciclado tem aval da FDA mas não da Anvisa
[35:40]Hoje, por exemplo, a gente tem via decreta a obrigação de colocar 22% de material reciclado, ano que vem, 30%. Então, ótimo, nós vamos colocar o material, já está sendo colocado. O polipropileno, não necessariamente, precisa voltar para onde ele nasceu, que era para o alimento. Mas, a FDA aprova, por que que a nossa Anvisa não aprovou ainda? Eu queria entender, até mesmo, porque o senhor tem um conhecimento muito melhor do que eu, sobre esse assunto. Por que que o polipropileno reciclado não pode voltar APA, cadê do alimento? Eu acho que tem uma questão que é ao meu ver assim, eu estou tentando assim, eu não sei a fundo como funcionam os processos de autorização dentro da Anvisa, eu sei que são processos relativamente demorados e caros, mas o que eu percebo é que muitas vezes tem algumas questões acadêmicas e científicas, que elas têm que ter um tempo de duração para CERDITAR DETERMINADAS INFORMAÇÕES. Vou me fazer um pouquinho mais claro, então você tem dois, três artigos que provam isso daí, tem testes de fitotoxicidade, ou seja, e o submeto material reciclado em células e vejo que não tem modificações. Quanto às vezes foram esse testes? Então, provavelmente, para essa certificação tem que ter três, quatro testes, são testes que que tem que ser feito, que tem etapas que tem que ser cumpridos. Então muitas vezes o que eu percebo é que tem que ter alguém pra capitaniar alguns órgãos que tem que começar a pensar científicamente. Quais são os ensaios que você quer, Anvisa? Começa a pegar em laboratório certificado, produz isso, começa isso, então assim, talvez, né, é isso que a gente tá discutindo aqui, é uma coisa é muito provocativa, mas de fato, quer dizer, se você tem um teste de fitotoxicidade, fitotoxicidade fito pra planta e citotoxicidade, pensando em células animais e assim por diante, a gente percebe que isso daqui, ó, não teve com esse tempo, com esse tempo, então é um processo de convencimento, muitas vezes a gente vê isso também no setor produtivo, eu não e o que eu percebo e qual é a minha grande preocupação e eu corroboro com você é o tempo de indução disso, isso poderia ser menor. É isso que eu coloco.
[38:34]estudo, né? É, e aí sim, eu acho que a gente poderia tentar pensar. Agora, o que a gente precisa? Se organizar melhor. Quantas vezes nós conversamos, como essa conversa que nós estamos tendo agora? Nunca. Nunca. E eu percebo que, né, que eu tô começando, a gente tá começando a aproximar, então a universidade também, ela ficava no seu mundo. Isso também é um ponto. E a indústria, aqui, então o que a gente percebe, que agora tá começando com essa abertura, né? A informação, e é isso um pouco que a gente está fazendo aqui, isso tem trazido frutos, e traz parcerias e traz isso, eu acho que está faltando essa sistematização.
[39:12]A informação que a gente está levando, na verdade, que às vezes tem uns haters, que são até meio mal criados, mas tudo bem, faz parte. Eu já tive. É, mas a gente fala que a responsabilização da destinação, da reciclagem, ela tem alguns passos. Sim. Então, a gente tem lá, ele sai da petroquímica, dependendo do processo, ele já vai para injeção, que ele já faz o produto, do produto vai para a loja, da loja vai para o usuário final, que é o consumidor, ou ele passa por uma revenda, depois vai para o consumidor, ou tem outro processo que sai da petroquímica, vai para um laminador, do laminador, vai para o cara que vai fazer o termoformado, termoformado, vai para uma indústria que vai embalar e aí vai para o consumidor final, vai para o PDV, o material depois que ele saiu para o PDV, como que a indústria vai ter acesso se eu não colocar aquilo disponibilizado no local correto, que eu coloque para um catador, a gente fala muito do catador, porque o catador é o agente de reciclagem que a gente tem no país, é o catador, se não existisse o catador, a gente estava full, PU, porque não tem como fazer esse clave no Brasil sem catador. Então, se todo mundo disponibilizar isso aqui, separado do outro, que é separado do outro, que é separado, a gente está facilitando a cadeia do ciclo que não seja economia linear, que ele volte para economia circular. E isso, as pessoas estão começando a ter essa percepção por conta de pessoas como nós que estamos EXPLICANDO o que é uma economia linear e o que é uma economia circular. Isso, eu acho que tinham que ter muitas outras pessoas falando sobre o mesmo tempo, porque a gente fala para uma bolha meio pequena ainda. A gente ainda não explodiu para fora dela. A gente mora e sai, mas a gente ainda fala dentro da nossa bolha. Então, quando esse material cai na economia circular, para a indústria é lindo, essa garrafa aqui, ele pagar na na garrafa mais barata do que ele paga na matéria prima-vígio, é lindo, todo mundo quer o mais barato, produzir mais e fazer mais. Então, a responsabilidade é do cara que faz o grão, sim, sim, ela é do cara que faz o processamento, sim, ela é da revenda, sim, ela é do consumidor final, sim, três vezes, é, e aí o cara fala, quando eu falo isso, ele fala negacionista, você acha responsabilidade da indústria, maldosa, maldita, e não é só da indústria, tem uma responsabilidade da cadeia inteira, se você não vai disponibilizar no local correto, por que que você comprou, se você sabe que polui, você tem informação que se você jogar na rua polui, por que que você comprou, por que que você jogou, não é? Então, Rui, mas você sabe que eu gosto dessa discussão, e agora você já puxou a coisa aqui, a gente também tem que olha um pouco para a história. Porque o que acontece? Em alguns momentos, o próprio capital faz o que? Ele quer que a gente trabalhe mais, que a gente fica trabalhando o dia inteiro e que de fato a gente chegue cansado, compre os embutidos, as embalagens de comida e isso e aquilo. Aí abre uma taça de vinho, já toma, já fica, já joga, descarta, isso e aquilo. O que a gente tem que entender é que, em termos de cultura, esse usuário, esse cidadão, ele nunca teve um estímulo. Não, porque o que que acontece? A gente foi estimulado, porque quando eu chego cansado de dar uma aula, sair, eu moro sozinho. Aí eu ficava meio assim, sim, para ficar sozinho, aí eu pegava, ligava a televisão, a televisão fazia o que? Me estimulava ao consumo, sim, mas ela não me estimulava ao consumo responsável e ao consumo e o descarte adequado, sim, então esse processo eu fico pensando que eu sou usuário muitas vezes, então às vezes eu carrego no meu carro o que um monte de matéria prima secundária e aí a minha mulher entra no carro e ela fala, der, mas não tá na hora de mandar lavar o carro, não, tá tudo bem, né, mas você sabe que é ruim, então eu fico pensando em que momento eu trabalho com essas questões da reciclagem, de materiais ambientalmente amigáveis, mas eu não sei se e o usuário que nós estamos conversando aqui, ele teve esse processo formativo. Não tem. E eu dizer mais até, quando você é até mais novo que eu, mas eu posso dizer da minha idade. Quando eu era criança, nós não tínhamos essa questão da educação ambiental na escola. Mas agora também não tem. Não, tá melhor que antes. Mas eu posso te falar uma coisa, que eu ficava pensando, eu fiquei lembrando, porque eu sou oriundo de Andradina, uma cidadezinha que é piloto, perfe, perfe da barretto, perfe, só que uma coisa que eu fiquei pensando, eu não tinha educação ambiental, mas a minha avó matava a porco, usava todas as partes do porco, era uma coisa impressionante, só que então a gente se preocupava com a questão do consumo inteiro, punha na lata, banha, guardava, tudo bem, você vai falar, deve ter crescido e o monte de microorganismo, eu também acho. Mas, né, agora, o que que acontece de lá pra cá, as crianças, as minhas crianças hoje, né, eu tenho filho já, né, bem grandes, né, então assim.
[45:21]É, os meus também, tá tudo criança ainda. É, então, aí o que a gente percebe, né, o que a gente percebe é que já pelo menos tem algo a mais. Eu tô tentando ser poliana aqui, tá? Eu estou tentando ver o seguinte, a gente tem que fazer esse trabalho, estimular aqueles que estão nos ouvindo, nós temos que preocupar com a questão do consumo exagerado e dos processos de descarte adequado, é esse o ponto, e bater, e bater, e bater, para que a gente chegue no processo formativo, a educação ambiental é fundamental, então acho que é esse o ponto principal.
[45:57]Então, se eu ver o que a gente pegou no Instituto, foi esse gancho, porque a gente ia fazer palestra nos lugares, eu entrava numa escola, fazer uma palestra numa escola e tal, todo mundo entendia o que eu tava falando, e acabava, acabava, eu ia embora, eu tenho certeza que dali duas semanas aquela criança já não sabia o aquele jovem, já não tava pensando do mesmo jeito que eu saí de lá, quando nós começamos a implementar os equipamentos, eles começaram a fazer manuseio daquilo e entender na prática, a prática é melhor que qualquer coisa, né? Sim, sem dúvida. E eles entenderem na prática que aquilo transforma, que aquilo recicla, aí a gente entendeu que a chave virava. Então, de um projeto de economia circular que a gente tinha que andava nas escolas, eles começaram, e aí comecei a trazer as indústrias, apoiando a gente, que graças a Deus, um monte de gente tá acreditando nisso e tá vindo junto, a minha ideia é chegar a doar 4 ou 5 escolas, né?
[47:05]Eu tô tentando me aproximar do governo do Estado pra ver se a gente consegue também levar pra dentro das escolas estaduais como um todo, não umaquela que a gente escolheu, né? então, quando a gente entra hoje, dá uma palestra, leva o nosso circuito e o jovem mexe com aquilo, a gente vira a chave na cabeça dele, e ele vira a chave lá dentro da casa dele, porque se eu estou jogando a tampinha fora, e ninguém fala nada, tá, eu joguei fora, não tá tudo certo, abro a janela do carro, jogo fora e tá tudo bem, pra mim tá tudo bem, foi embora.
[47:42]e o meu filho tá dentro do carro, joga, joga, papai, está louco, joga isso de fora, eu vou ficar com vergonha, eu vou mudar meu hábito. É verdade. Então a nossa ideia do instituto é mudar o hábito das pessoas que vêm da economia linear como nós, nós somos criados inteiramente na economia linear, tem que mudar o nosso hábito via os jovens. É verdade. Então é nisso que o instituto tá trabalhando. E olha, BENS, porque eu acho que além de vocês terem a concepção, as ideias, os conceitos do instituto são muito bons, vocês têm também, eu acho que um cuidado, um detalhe, eu pude analisar ali toda aquela história do plástico que você construiu, muito bem pensado, e ali você viu que eu já até perguntei pra você, eu fiz uma pergunta e falei, nossa, como foi bem elaborado, eu não vou nem fazer a fala minha aqui porque eu acho que ela FAL, foi um pouco preconceituosa, mas de alguma forma eu quis dizer assim, que você elaboraram muito bem a sequência, trouxeram questões históricas e elaboraram o encadeamento das ideias, que eu acho que isso é fundamental no processo de convencimento mesmo, que existe um processo de convencimento quando a gente fala de educação ambiental, então eu eu acho que isso é o futuro então assim e cada vez mais quando você traz o setor produtivo eu fico tão contente com isso porque muitas vezes né eu me sinto como um sacerdócio dentro da universidade sabe porque você tem que pregando e pregando e pregando salvou três almas tá ótimo tá bom mas eu acho que a gente vai fazendo isso e isso que você que você falou, é transformar vidas, você transforma famílias. Claro. E eu acho que isso é um pouco que a gente tem que fazer para que a gente possa ter. E eu acho que também uma grande preocupação que nós temos também que ter, além dessas questões do plástico, é que o Brasil hoje é um país ainda em desenvolvimento. Sim.
[49:53]e talvez isso possa ser a diferença. Eu recentemente dei uma aula de reciclagem ambiente e eu tava olhando do consumo de recursos naturais no mundo. Rapaz, a África tá começando a crescer, o Brasil ainda tá, alguns países da Europa muito alto consumo, então aí a gente vê o movimento do que que tá sendo tira coisas naturais nossas e coisas desse tipo. Lógico que a gente não vai entrar nessa celeuma aqui, mas eu acho que tem a ver com o que, com a questão de levar a informação também, né? Então a gente discutiu bastante essa questão do plástico, dos efeitos, do BPA e eu acho que isso é, são informações relevantes que a gente tem que trazer para, de maneira para desmistificar alguns pontos. E aí quando a gente ouve determinadas questões o tipo, ah, todo mundo tá falando, ou é isso, ou aquilo, isso, aonde tá escrito, aonde tá publicado, quem revisou? É esse é o ponto, pra mim eu falo isso com muita tranquilidade.
50:58"Cadê o estudo?": o mito do cartão de crédito de microplástico
[50:58]A minha pergunta em todos os meus reacts, quando eu termino é, cadê o estudo? É verdade. Cadê o estudo? Cadê o estudo? Porque a academia, porque nem é um senhor, cientista que pesquisa tudo, entende tudo, Poxa, ver uma informação dessa do cara falando, o que nem tem, tem um aqui que eu falo dele toda vez. Ele fala que a gente come um cartão de crédito por semana em gestão de microplastica.
[51:25]Peor que eu não lembro quem falou, eu sei quem falou, mas eu não lembro agora. WWF. Tá tudo bem, tá bom. É um estudo que foi feito, mas já foi refutado por todo mundo. E você come em toda audiência pública que esse cidadão está, ele fala isso e ele não responde as perguntas feitas posteriori. Ele sabe que material que é o cartão de crédito será? Será que ele sabe? Quantos materiais tem ali, né? Porque ele tem delaminação, né? Então ele não sabe, SABE, ele não sabe, então a gente come um cartão e falei, eu fiz uma continha besta pela minha idade, foi pouco, comi já tudo isso de cartão, caramba né cara, aí são essas coisas que nos pega na veia e fala, a gente tem que defender, porque esse cara tá falando muito isso e ele tem mídia pra falar, a gente não tem mídia pra falar, hoje a gente tem internet e trouxe um espaço para a gente falar, mas você pega uma emissora falando de microplástico, falando de coisas que não entende, não sabe do que está falando, porque você vai falar de um produto? Ah, encontraram, que nem teve estudo recente, que encontraram microplástico no cérebro humano. Sim. Aí foram lá e foram fazer a verificação. Aí entendeu-se que o estudo foi feito com um processo de pirólise que pega o polietileno, a gordura que nós temos no cérebro e o polietileno, quando passam para o processo de pirólise, eles se tornam praticamente a mesma coisa e não dá pra identificar o que que é o que. Tem a contaminação do tubo de ensaio, tem a contaminação da luva, tem a contaminação, aí refutaram, não cravou. Que a gente tem microplástico, a gente não pode ser negacionista falar que não tem. Claro, claro. Tem. Tem. A roupa solta microplástico. Sim, sim, sim.
53:23O maior fabricante de microplástico é a máquina de lavar roupa
[53:23]é o que mais solta microplástico, mas eu nunca vi ninguém vim aqui debater e falar assim, poxa, vamos falar com o fabricante de máquina, para ele pôr um filtro na máquina para não descarregar microplástico da lavagem de roupa, cadê que ambientalista está fazendo campanha para isso? Não, ele quer banir o plástico, ele quer banir a roupa, então olha que loucura.
[53:42]É, e eu acho que a gente também tem que ver o que é que, o que tem gerado mais também, né, o próprio pneu, tem várias outras coisas, a máquina de lavar roupa, a gente confiltra A máquina de lavar roupa, isso, é exatamente isso. Agora eu queria trazer um ponto aí que eu acho que é meio assim, né, porque quando a gente fala de plástico, né, eu fico pensando assim, eu dou uma matéria, materiais poliméricos, polímeros, então uma macromolecula grande, né, eu sei que eu tô dando uma aula aqui, mas de alguma forma, entre os materiais, entre os materiais o polietileno, que é um polímero, CELULOSI, Polímero, Polímero, e em que a gente introduz plástico no nosso corpo, dentro do nosso corpo. Ainda bem, porque isso tem salvo muitas pessoas nos exames, que são, que colocam coisas dentro da gente.
[55:00]Então, assim, eu acho que me preocupa muito essas coisas generalistas, eu acho que isso não. Agora, tem que ter mais profundidade nas questões que são colocadas. E aí, por um lado, que nem eu vou voltar a falar desse artigo que a gente publicou numa revista da polímer, é uma revista conceituada até, com um fator de impacto razoável, a gente procurou fazer uma revisão de mais de 500 artigos, então assim, demoramos horas, cinco ou seis autores escrevendo, lendo, questionando, indo a fundo, entendendo o mecanismo, A, mas hoje, que tecnologias, que, por exemplo, PET, né? E quais foram as tecnologias que estão sendo produzidas nos diferentes lugares do mundo? Quais são os componentes que são utilizados? Então, ou seja, foi um trabalho de mais ou menos uns seis meses, estudando a fundo sistematicamente, três horas por semana, seis pessoas reunidas fora o horário que a gente ficava estudando individualmente para fazer as reuniões semanais.
[56:10]e o que eu vejo quando eu ouço esse tipo de coisa, sim, nós temos microplásticos dentro da gente, então agora o que mais me preocupa é, não é a presença desse elemento que é, de alguma forma ele é inert, mas o que tem perto dele é disorvido, e isso vem da onde? De outros elementos, como a própria poluição. Então, assim, muitas vezes a gente sabe que ele é disidiado, então, aí entra o ponto que a gente precisa pensar, eu mesmo falei para você do projeto que eu tenho aí, que é de íons metálicos que causam câncer em Alzheimer. Opa! Então eu acho que esse tipo de coisa a gente tem que discutir com bastante cautela. É, mas é isso. O cara pega um negócio, fala isso aqui para o Rui Contamina, vai para a rede social, a gente pega um monte de médico que pega um poste, recorte, coloca médico, pô. Eu falo médico, médico é a última pessoa de cima da fase da terra que pode falar mal de plástico. Médico devia ser proibido e amordaçado de falar mal de plástico.
[57:14]Ah, mas é o direito dele. Não é. Mas é um direito da gente também falar que o que que é verdade? Não é. Não, mas é a democracia, tal da democracia que a gente tem que pensar. Boa, poxa, eles salvam tantas vidas com material plástico. Então, mas aí precisa ver o quanto ele estuda. É. Então, eu preciso entender, porque quando você fala, você usa o o seu discurso. Muitas vezes a responsabilidade é aquilo que eu falei no início que foi a autocrítica na criação do professor polímero. Pra mim foi muito difícil ter o professor polímero, porque a minha grande preocupação é falar em verdade, porque quando você simplifica é muito tênue você pegar e eu acho que eu dou um curso hoje de divulgação científica e eu acho que é muito legal quando a gente percebe o seguinte, eu fico pensando assim, quando eu olho pra falar de um tema, a gente sempre pensa assim, eu estimulo muitas pessoas que forem falar de um tema, que vocês busquem em base de dados informações, hoje tem vários softwares que fazem esses mapeamentos e te dão inteligência artificial, nós estamos falando, eles trazem um compilado disso, o que me preocupa é que muitas vezes oitem nós tavam fazendo um estudo, um dos alunos pegou 7 mil abstract, selecionou 700, jogou na inteligência artificial e tirou um apanhado.
[58:48]Então quando eu ouço você falar alguns comentários a respeito do cartão, de qualquer outra coisa, isso pode ter tido um artigo científico, pode ter tido, você sabe, teve Rui, mas Sabe o que acontece? Em alguns momentos, quando você pega 7 mil, você pegou esse do cartão, você pegou o outro, você pegou o outro, então o que tende estado da arte, ou seja, do que todo mundo falou, né? Porque você pode olhar para essa garrafa aqui, eu falo assim, oh Rui, que cora essa tampa, você fala assim, amarelinho, eu falo é branco, aí o Rui Filho fala o que? Ah, é berge. Então, quando a gente pensa no estado da arte, da ciência, não é pegar um artigo enviesado, totalmente, e você se apropriar disso para falar o que você quer. Então, o que eu vejo, e isso traz uma polêmica, né, que é quem deve fazer divulgação científica.
[59:51]esse é um ponto, a gente tem que ter alguns especialistas pra falar do tema, e aí Rui, eu vou te falar uma coisa, nós temos que puxar nossa orelha, vamos falar a verdade, o tru da trua aqui, quantos anos a gente ficou sem falar isso, muitos, e eles falando, e eles falando, então também, eu fiz uma puxada aí de uns dez, então, mas você concorda que esse processo que teve você que eu tive, que eu acho que a gente vai ter que estimular mais colegas, para fazer isso daí, porque de alguma forma, nós temos que levar a informação.
[1:00:26]Eu vi um podcast do senhor da com a professora Tula, foi muito bacana, eu achei interessante que eu acho super incrível que ela fala o jeito que ela fala. Sim, sim, sim. Até mandei as mensagens para ela, ela não me respondeu, professora, me responde professora. Olha Tula, ele é o cara, hein. Eu convidei ela para um podcast, mas ela não me responde.
[1:00:49]eu mandei no Instagram dela, mas eu acho super interessante porque vocês vem do lado do ciência e eu venho do chão de fábrica, então eu escuto muito o lado do industrial, o lado científico, eu tenho que entender como aquele material funciona, que senão eu não vou saber fazer a máquina, então eu tenho que entender a propriedade se ele vai esticar, se ele vai contrair, se ele vai puxar, o que ele vai fazer, se eu posso dar váxios, tem que soprar, Eu preciso entender aquilo para eu poder fazer a máquina para que aquilo dê certo, então eu tenho que me aprofundar um pouco no que é aquele material para ver como que eu vou fazer, por exemplo, peguei uma lâmina de PLA para colocar na máquina, a hora que eu coloquei ela no espinho da corrente para ir, ela quebrava igual vidro, eu falei, nossa, pelo amor de Deus, não dá certo, então a gente tem que mudar a máquina, eu ganhei 50 quilos, que dá dois minutos da marca trabalhando, aí eu peguei e coloquei umas resistências para fazer um pré-aquecimento na borda para conseguir entrar, aí entrou, lindo, foi e termoformou o bolo, a hora que abriu quebrou igual vidro, ele trabalha igual na termoformagem como se fosse um poliestireno cristal um pouco mais enrijecido, né? Sim, sim, sim. Então eu falei, poxa, esse material é difícil de termoformar desde que ele não vem em line, né?
1:02:10PMMA, telas e stents: plástico seguro dentro do corpo humano
[1:02:10]então ele tem que ter extrusão na boca da máquina e ele vai bem então a gente tem que entender aquilo para poder aí vem as composições dos materiais eu comecei a ficar curioso em cima de composição de química de material por conta do BPA por conta do disruptor endócrino por conta do cara que fala que vai te dar câncer então eu comecei a ter curiosidade comecei a perguntar para para quem sabe. Então eu comecei trazer pessoas que sabem ou ligar para as pessoas que sabem mais a fundo e conseguir acumular um tanto de informação e eu vou escrevendo, vou conversando, vou escrevendo e eu tenho um monte de coisa escrita que um monte de gente falou ou um podcast que eu via, alguma coisa que eu li. Então a gente acaba captando e a gente traz aqui para para falar para o público, eu falo de uma maneira extremamente simples, porque eu não sou conhecedor científico do assunto, eu sou um conhecedor superficial, então o que eu vou passar é o que eu li, é o que alguém me falou, às vezes me falou de um jeito, eu vou falar de outro, mas o contexto é aquele, mas eu posso ser mal educado, por favor, eu posso discordar de você, sei que eu sou muito convidado aqui com carinho, você me recebeu com muita gentileza, mas eu vou dizer para vocês que estão ouvindo esse podcast. Eu discordo do Rui em dois aspectos. O primeiro deles é o seguinte, em alguns momentos criou-se um estigma de que quem está na universidade é o detentor do saber. E quem está?
[1:03:52]Você usou a expressão chão de fábrica, não é detentor do saber. E eu vou dizer para você o eu discordo de você, porque quando você fala, eu sou do chão de fábrica, as vezes as pessoas usam essa expressão de um jeito pejorativo, eu acho que nós estudamos e nós temos conhecimentos complementares, com certeza você dá um banho em mim se eu for lá discutir processo como você de termoformagem, eu falei pra você, caiu no meu concurso pra professor na universidade Federal. Eu falei, meu Deus do céu, podia ter caído de injeção, podia ter caído, podia ter caído extrusão, né? Mas o que eu quero dizer pra você e eu estou discordando isso? Porque a gente tem que mudar esse paradigma, porque isso faz com que a gente coloque a indústria e a universidade como a detentora do saber, que tá no limpo, e isso faz o quê? O distanciamento. Eu acho A gente está aqui discutindo, eu acho que nós dois aqui, nós não estamos representando os nossos setores, nossas áreas, mas eu acho que essa questão da divulgação científica foi a forma com que nos aproximou, eu acho que vocês aí que estão é reconhecer, eu falo isso muito pros meus alunos, eu formo engenheiros, e quando você forma engenheiro, você tem tem que tomar muito cuidado que aí você usar a tua expressão, quando você vai no chão de fábrica, você vai me dizer que um ferramenteiro que trabalha a 30 anos com você, ele dá uma aula quando a gente pensa, e você entende que aí os meus jovens estudantes eles podem ir, eu brinco muitas vezes e de salto alto, coitados, né?
[1:05:45]Então o que o primeiro ponto que eu queria discordar é essa coisa dos conhecimentos, nós temos que reconhecer os diferentes conhecimentos e essas habilidades e competências elas são extremamente importantes. Você é um gestor, você é um trabalho com inovação, você está pensando no futuro, você está pensando no conhecimento e você tem a experiência prática e eu acho que isso é muito importante, essa integração. Então, a gente pensa, A gente pensa nesse aspecto interdisciplinar, eu diria que é o futuro. Eu acho que esse é o primeiro ponto. E o segundo ponto, quando você fala dessa questão, é muitas vezes, né, da tentativa e erro. É, o que me preocupa, muitas vezes, e a gente tava discutindo dessa questão da desinformação. Você sabe que a desinformação, ela pode surgir, sabe como? Muitas vezes, se você colocou a da lâmina de PLA não deu, a sorte que tinha o Rui ali que era, né, teimoso, que insistiu, que tentou já pensar em soluções, mas se não é uma pessoa que deixa, que já encara não deu certo, isso pode se propagar, então esse material já não presta, quanto disso a gente vê no cenário às vezes no mercado, fala, nossa, mas esse material é só e só fazer o quê? É só fazer um annealing. Eu trabalhei 20 anos num centro de pesquisa na área de telecomunicações e eu lembro que a gente tinha aqueles blocos de conexão que eram com materiais e depois tinha e a gente colocava um metal para inserir dentro de um plástico de engenharia.
[1:07:35]Gerava tensão residual, os caras queriam trocar o material, falava, não gente, é só fazer um annealing, que é o quê, né? E muitas vezes tinha alguns que faziam uma sopa de blocos que eles chamavam, ABRAM, jogava num, outros colocavam em estufa, então é fazer um anílis, é uma relaxação das tensões, esses dois, vivia 20 anos esse produto, então eu acho que a persistência e o uso também por outro lado, o uso da informação, sei lá, a temperatura de amolecimento, informações técnicas que muitas vezes a academia gera, pode ajudar ainda mais, então eu sou muito o favorável dessa aproximação entre o setor produtivo e a academia para que a gente possa complementar e, juntos, fazer essa diferença em relação ao plástico, em relação ao meioambiente, em relação à transformação da sociedade, que é o que vocês estão fazendo agora com o instituto.
[1:08:33]É, porque eu acho que a gente precisa ter um mundo melhor, né, e isso nós todos pensamos isso. E o senhor já está convidado, espero que aceite o convite, a dar uma palestra para os alunos aqui embaixo. CERTEZA, e só aceito se ele for lá julgar os projetos de avaliação do ciclo de vida, hein? Com certeza eu vou, adoro. Isso é muito bom. Eu só vi um negócio. Rui Filho, quanto tempo a gente está falando aí?
[1:08:59]Uma hora e nove. Uma hora e nove minutos? Eu não desci o dedo na pauta. Eu não usei a pauta. e, lembra quando a gente conversou? Eu falei, não usei a pauta, eu não tive nenhuma pergunta que está aqui escrita, porque a gente vai nessa energia do negócio e vai indo e vai indo. Então, bom, a gente falou aqui um ponto, muitos pontos importantes para você consumidor, esse ponto é muito importante. A ciência, ela está A o nosso favor aqui, ó, no PET, tá? Isso aqui não contém bisfenol, não contém disruptor endócrino, quem falar isso pra você está mentindo pra você, o polipropileno pode no microondas, isso tem estudos científicos já maturados, já selados por todos, que não acontece isso. E nós temos também, e eu queria que falasse pra gente sobre o PMMA que tá ali na cabeça do Femur, se tudo gera microplástico, a gente não podia ter o PMMA ali, né? É, o PMMA ele é muito utilizado, ele já teve, né? Eu acho que quando se coloca dentro, dentro do corpo, existe uma preocupação em a questão residuais. Uma coisa é de monômeros residuais e aí nós estamos falando de qualidade de produto. Outra coisa é do material em si. O material em si, com boa qualidade, com uma estequemetria correta, não tem nenhum problema. Esse é o ponto.
[1:10:49]e, então, nesse caso cirúrgico, a provocação, é para fazer o implante, para o cara voltar a andar, que não andava. Sim, sim, sim. Ele pode. Não, não. Mas aí, é produto de nível graudético, então, há uma preocupação, existem testes, como eu falei, CITO, que é de expor esse material em células para que veste e ouve essa modificação celular. e, assim, nesse caso não há. E o cara voltou a andar? Volta, lógico que tem, porque o material seguro ele voltou a andar.
[1:11:25]Nós temos aquelas telas. Sim, sim, sim, sim. Aquilo ali é polipropileno. Eu tô entendendo que isso daí é uma provocação, né? É, a gente tem aquelas telas, então tá ali, aquilo tá gerando um microplástico na gente, a gente não pode ter, então não pode pôr a tela, tem que ficar exposto. Não, eu diria pra você o seguinte, como eu trabalho com biodegradação, a gente sempre sabe que em alguns momentos dentro do corpo é diferente, por exemplo, de um poliepsum caprolactona PCL, que é usado para a sutura, então a enzima produzida dentro do nosso corpo, ela promove quebra das ligações, então o que a gente pode perceber é o seguinte, o meio do qual ele coloca ali, ele não tem esse tipo de, o que a gente chama de exoenzima, eu estou começando já a dizer exoenzimas aí e que vão estar promovendo essa fragmentação. Por que? Porque o polipropileno não vai fazer essa degradação ali, entendeu? Então assim, a não ser que o cara, e aí eu posso brincar aqui, né, o cara faça 200 mil flexão, sabe, de para ficar tencionando e aí ter microfissuras, né, então eu acho que, porque a gente pensa em degradação de material sobre estresse ou sob energia, né? A força, mas não é o caso. Eu tenho dois estentes, né? Graças a Deus que tinha um estente. Nossa! Eu enfartei numa época meio conturbada na minha vida. Não fazia o podcast, né? Não fazia, não me divertia com isso.
[1:12:59]Eu tenho dois estentes, que eles têm um revestimento plástico, né? Sim, sim, sim. Então, a minha provocação oitam sempre, porque o cara volta ao assunto, o cara fala plástico, né? Então se a gente fala plástico e eu vou entrar num hospital, eu vou falar, tire o plástico se não quero fazer, se não quero que toque mim com plástico. Pô, sai até o médico, porque ele vai sair pelado, né? É verdade. Hoje a gente tem que separar muito isso, é mensagem que a gente deixa é essa. A gente tem que separar plástico de plástico, função de cada material, olha a bula como se estivesse olhando uma bula médica e tudo dá certo, agora vai importar o material sem procedência, sem passar por certificações e comprar porque ele é mais barato e reclamar que ele te dê um problema, pô, já é culpa sua, não é do material.
[1:13:52]E acho que é importante também quando eu estou trabalhando bastante com a avaliação do ciclo de vida e dentro da primeira coisa que a gente faz em ACV é definir o que que é a unidade funcional. O que é uma unidade funcional? Eu vou fazer todo o cálculo de impacto em relação a função que o material vai exercer. Então, por exemplo, desse, né, esse catheter, ele tem uma função ali e muitas vezes ele até tem alguns materiais ali que são colocados dentro do que torna ele mais idrofóbico, de maneira que ou as vezes hidrofílico para não grudar gordubro, então tem todo um estudo por trás disso que não só diz em top como impede uma nova coagulação naquela região.
[1:14:43]É muito bonito essa coisa do material polimérico, do plástico de uma maneira geral, então eu particularmente estudo isso há muitos anos e a gente tem um carinho muito grande por esse tipo de material. e agora a gente precisa só cuidar dos discarts, precisa cuidar de todos esses elos da cadeia que a gente tá citando aqui, né? Sim, e se você quer assistir esse podcast, já tem a informação que se jogar na rua vai poluir, não joga mais, então aí a culpa é sua se jogar, a culpa não é da indústria.
[1:15:13]e professor estamos chegando ao final do nosso podcast um papo muito muito bacana muito obrigado tem alguma pergunta que eu não fiz que eu gostaria de de falar sobre o tema não eu acho que é de alguma forma nós nós fizemos uma discussão aqui sobre alguns paradigmas que hoje cada vez mais o plástico e vem sofrendo. Eu acho que a melhor coisa que eu posso falar aqui é reforçar essas questões do conhecimento, da ciência e em relação a alguns paradigmas que são construídos por meios de narrativas. Eu acho que esse é um ponto principal. Então, nós trabalhamos com divulgação científica no Professor Polímeros, e aí eu vou aproveitar, deixa pra olha.
[1:16:08]Por favor, com certeza. Se você ficou aqui assistindo esse podcast, por favor, siga o Professor Polímeros, né, porque a gente tem aí feito esse trabalho que eu acho que é, eu acho que é uma, é uma, é um, eu acho que é muito importante, porque desmistifica tudo isso que a gente vem fazendo, né. Então, e mais uma vez, eu quero te agradecer muito esta oportunidade.
[1:16:33]e o meu jabazinho. Opa! Esse livro eu escrevi, ele ainda não foi lançado, ele será lançado, eu recebi isso ontem. É de primeira mão, ele não foi lançado, eu vou fazer o lançamento dele, que é o vilão que salvou o mundo. Então aqui a gente conta de uma maneira muito simples, a gente conta de uma maneira muito simples o que é o material plástico, a história, de onde ele veio, o porquê ele surgiu, cada material teve um motivo de surgir e ele trouxe um bem diferente para a humanidade, então tudo tem motivo de estar aqui, eu acredito que tudo tem um motivo de estar aqui, e aqui nesse livro eu tentei sintetizar o máximo a cadeia do material plástico desde a sua primeiro semi sintético até agora, no século XXI, que estamos, que não conseguimos mais, hoje nós acordamos com o material plástico na primeira coisa que a gente toca, então, professor, se é um presente meu, eu fico muito contente de receber isso aqui, eu pude perceber na sua explicação ali no instituto, o domínio do conhecimento da história, eu acho que quando a gente vê, né, e eu aqui vejo um livro, como professor, não posso deixar de analisar tamanhos de letras adequados, uma forma muito bem apresentada, então eu vou ler, com certeza, depois vou ligar para você me comentar, e aí uma coisa que eu acho que tem que ser também, vou fazer uma entrevista no professor Polímeros do Rui, porque eu quero saber um pouco mais dessa história sua aí de vida, e também, claro, da sua história, da trajetória aí, né, da MTF, que eu acho que também é muito bom. Muito obrigado mais uma vez e obrigado por esse presente maravilhoso que eu vou aqui, eu vou guardar e vou ler muito bem e vou indicar.
[1:18:36]e já. Obrigado. Em breve, a gente faz o lançamento e aí vai para vender online. E você que ficou com a gente até agora, meu muitíssimo, obrigado. Se gostou, deixe seu like, deixe seu comentário. Se não gostou, deixe o comentário também. Aqui é processo evolutivo, a gente só vai para frente e se PEG no siga e ative o sininho para quando tiver outro podcast, ele aparecer aí para você mais uma vez, muito obrigado e até o próximo episódio do PodPlástico.

Apresentado por
Rui Katsuno
38 anos no setor plástico. Fundador do Instituto Soul do Plástico e da MTF Termoformadoras, autor de O Vilão que Salvou o Mundo e apresentador do PodPlástico.
