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A RECICLAGEM ALÉM DO QUE SE CONHECE POR AI! Com Flávio - Eco Brasil

47:2836 min de leitura
Episódio completo no YouTube: A RECICLAGEM ALÉM DO QUE SE CONHECE POR AI! Com Flávio - Eco Brasil

Flávio Nicolau, da Eco Brasil, explica a reciclagem de eletroeletrônicos, o problema dos blends de plástico, a tributação cheia e o que pede aos legisladores.

Principais insights

  • Flávio Nicolau, engenheiro de telecomunicações formado no Inatel, fundou a Eco Brasil em Varginha (MG) em 2010, depois de estudar o tema desde 2002; a empresa faz manufatura reversa, com desmontagem, separação e venda dos materiais.
  • Segundo ele, o principal gargalo é a coleta: há mais empresas legalizadas, mas também muitos informais que levam só a parte vendável e descartam o resto de forma incorreta.
  • Placas eletrônicas (metais nobres e terras raras) e metais ferrosos e não ferrosos são fáceis de vender; o plástico é o difícil, porque os blends de ABS, policarbonato e PS tornam impossível saber a composição de cada carcaça.
  • A Eco Brasil parou a linha de extrusão por causa da mistura de resinas, da exigência de mão de obra qualificada, da qualidade cobrada pela indústria automotiva e da queda de preços desde a pandemia, e hoje faz moagem.
  • A reciclagem de eletrônicos paga tributação cheia, sem incentivo; Flávio defende desonerar quem recicla, porque o lixo custa cerca de 8% da arrecadação de um município, e pede "pegar no pé do design" dos fabricantes.
  • A empresa treina e compra o material de cerca de 18 associações de catadores ligadas a lixões, gerando renda extra com a separação de celulares e outros eletrônicos.

Perguntas frequentes

Quem é Flávio Nicolau e o que faz a Eco Brasil?
Flávio Nicolau é engenheiro de telecomunicações pelo Inatel e responsável pela Eco Brasil, empresa de Varginha (MG) que recicla resíduos eletroeletrônicos desde 2010 e atende o sul de Minas. A ideia surgiu em 2002, como projeto de iniciação científica, e a empresa trabalha com manufatura reversa: desmonta, separa e destina cada material, e vende os recicláveis.
Como descartar corretamente um equipamento eletroeletrônico?
Flávio orienta contatar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente da cidade, que sabe indicar empresas locais, pontos de entrega voluntária ou associações de recicladores. Ele lembra que eletroeletrônico é tudo que liga na tomada, de geladeiras a celulares, e cita a Abree, associação nacional de recicladores do setor, como ponto de contato para outras regiões.
Por que o plástico é o material mais difícil de reciclar em eletrônicos?
Antes, as carcaças eram feitas principalmente de ABS ou PS, mais fáceis de separar. Hoje há blends de policarbonato, ABS e POM, e até peças do mesmo fabricante têm proporções diferentes, o que impede saber a composição e torna a mistura um plástico contaminado, que acaba em aterro ou coprocessamento. O retardante de chama também dificulta a extrusão.
Por que a Eco Brasil deixou de fazer extrusão de plástico?
Flávio aponta um conjunto de fatores: a dificuldade de contratar e manter mão de obra treinada para separar resinas, a mistura crescente de materiais, a exigência de qualidade da indústria automotiva, que compra esse plástico, e a queda dos preços desde o fim da pandemia. Sem volume e margem, a empresa mantém apenas moagem e, às vezes, lavagem e secagem.
Como funciona a tributação da reciclagem de eletrônicos?
Segundo Flávio, a empresa paga tributação cheia em tudo: na destinação dos resíduos não recicláveis e na venda de plásticos, placas e metais, sem incentivo. Ele considera isso injusto, porque o material já foi tributado na origem e a reciclagem tira custo do município. Propõe reduzir ou zerar tributos para quem recicla, e Rui calcula que dividir a arrecadação já seria um incentivo importante.
Como a Eco Brasil trabalha com catadores?
A empresa treina associações de catadores ligadas a lixões para separar e, às vezes, desmontar eletrônicos, e compra tudo o que é recolhido, o que dá renda extra. Hoje são cerca de 18 associações. Flávio vê dificuldade na política nacional de resíduos, que incluiu os catadores de forma obrigatória sem que muitos estejam legalizados, e defende prestigiar empresas legalizadas.

Capítulos e transcrição

0:00Abertura: Flávio Nicolau e a Eco Brasil

[0:00]seja muito bem-vindo a mais um episódio do PodPlástico. Hoje temos o prazer de receber aqui o Flávio Nicolau, da Eco Brasil. O Flávio ele mexe com reciclagem de eletroeletrônicos, o REE, e Flávio, muito obrigado por participar do nosso PodPlástico e se apresenta pra galera, por favor. bom dia a todos, meu nome é Flávio, eu sou responsável pela Eco Brasil e nós trabalhamos principalmente com a reciclagem dos resíduos eletroeletrônicos e é um prazer estar aqui participando do PodPlástico. É isso aí. Flávio fala pra gente um pouco, conta um pouco da história da sua empresa, da Eco Brasil, como começou, por que começou? Tá Jair, na verdade a e eu começou como um projeto de iniciação científica na faculdade.

0:53Da iniciação científica no Inatel à empresa, em 2010

[0:53]Eu sou formado engenharia de telecomunicações, ali pelo Inatel, Instituto Nacional de Telecomunicações, que fica em Santa Rita do São Paulo, Cair, e durante esse período na faculdade, lendo uma revista a respeito de resíduo eletroeletrônico. Eu descobri as dificuldades que se tinham na época, isso era lá em 2002, de se reciclar o eletroeletrônico. na verdade existia um despejo muito grande de resíduo eletroeletrônico em lixões, em aterros e não se sabia muito bem o que poderia ser feito até então com esses resíduos eletroeletrônicos.

[1:30]A partir daquele momento eu comecei a estudar e pesquisar aqui no Brasil o que era feito, quais as empresas que trabalhavam com o resíduo eletroeletrônico e o que era produzido desse processo de reciclagem. bom, desde 2002 esse processo ficou, a gente pode colocar em banho Maria, eu continuei estudando, pesquisando a respeito e já existiam várias empresas aqui no Brasil que trabalhavam o resíduo eletroeletróleo, eu fui implementar Eco Brasil, ali no sul de Minas Gerais, na cidade Varginha, no ano de 2010, então foi 2010, desde 2002 até 2010 que a gente ficou estudando, eu trabalhando ainda como engenheiro de telecomunicações, mas eu implementei o projeto mesmo em 2010, tive consultoria de outras empresas do ramo de reciclagem de eletronicos e a partir daquele momento a gente implementou todo o processo, que é bastante conhecido no Brasil como processo de manufatura reversa. Então a reciclagem de eletronicos no Brasil o processo é o de manufatura reversa que consiste basicamente aí da desmontagem, da separação e da transformação dos resíduos eletroletrônicos, e posteriormente da destinação final e da venda dos recicláveis. Então, um resumo geral do início da Eco Brasil foi esse. Era uma projeta de iniciação científica de um estudante curioso, que ao longo do tempo, ao longo de 8 anos, foi estudando, pesquisando e acabou transformando essa ideia com a consultoria de algumas outras empresas do ramo na Eco Brasil. E desde então, nós estamos aí, vamos completar 15 anos esse ano trabalhando, né, na reciclagem de eletrônicos.

3:12Panorama da reciclagem de eletrônicos e o problema da coleta

[3:12]Então Flávio, como você enxerga o panorama geral hoje no Brasil, referente à reciclagem de eletro eletrônicos, você acha que está tomando um curso bom, está aumentando? Como que está? Existem muitas empresas em relação a quando você começou, o nível subiu, subiram os números de reciclagem, como que você vê isso? e isso. Sim, eu acho que a gente pode dizer que em questão de número de empresas, isso aumentou. O que a gente ainda enxerga como dificuldade é a questão da coleta, essa coleta seletiva. O problema da reciclagem do eletrônico em si, não o problema, mais um dos problemas, é a fase de coleta, a fase de você captar o resíduo eletrone. Então, apesar do número de empresas legalizadas terem subido, você tem muitas pessoas trabalhando de forma informal, coletando eletroeletrônico.

[4:10]Então, qualquer um hoje pode pegar uma caminhonete e sair visitando lixões, visitando aterros e coletando eletrônicos. E aí leva para algum local que não é o adequado, sem licenciamento ambiental e faz a retirada somente da parte que é interessante, da parte que é comercializável. então, nós temos o problema da coleta, ainda como um problema principal.

[4:35]Você tem poucas cidades com a implementação da coleta seletiva, você ainda não tem os aterros sanitários implementados conforme a lei determina no Brasil, a lei da política nacional de resíduos, sólidos. Então, isso gerou, na verdade, uma solução, mas também gerou um problema, porque você tem um aumento de empresas legalizadas e isso é muito bom, toda vez que você tem esse aumento, isso gera concorrência, isso ajuda o mercado.

[5:09]Por outro lado, você também tem um aumento de pessoas de forma informal, trabalhando com a reciclagem de eletrônicos, e isso gera mais problema do que solução. Ele gera um resíduo ruim, né? Ele gera um resíduo ruim, porque aí você tem pessoas pegando somente o material que é comercializável e fazendo o descarte de forma incorreta. as empresas legalizadas não fazem isso, elas têm uma responsabilidade ambiental, elas têm responsabilidade financeira em torno de todo o resíduo, seja ele comercializável ou não, então o destino vai ser dado de forma correta. Aquele escravalo de forma informal não tem responsabilidade com nada, então simplesmente pega a camionete, sai comprando eletroletrônico aí, em aterro, em lixão, etc., pega somente a parte comercializável e o restante descarta de forma correta gerando um problema maior, que o certo, na verdade, era nem chegar isso no aterro sanitário, né?

6:01Como descartar corretamente um eletroeletrônico

[6:01]Mas eu, por exemplo, eu sou município do seu município, e eu quero descartar o meu equipamento eletroeletrônico. O equipamento eletroeletrônico, na verdade, é tudo, né? É geladeira, tudo que liga na tomada, né? Exato, tudo. Ligou na tomada. Então, vamos falar que eu quero descartar a minha geladeira. O que que eu devo fazer para que seja descartada da maneira coeta?

[6:25]isso, no caso lá de Varginha a gente possui dois canais de comunicação, um é a própria empresa, a própria Eco Brasil e o outro é Secretaria Municipal de Meio Ambiente, então como dica para todos os municípios de qualquer cidade, independente seja Varginha ou não, sempre uma cidade vai possuir uma Secretaria Municipal de Meio Ambiente, então a dica é para que os municípios, o cidadão em geral, ele entre em contato com a sua Secretaria Municipal municipal de meio ambiente, que ela vai saber indicar, seja uma empresa da cidade, ou seja uma empresa da região que atenda a cidade. E aí, pode ser que aquela cidade tenha outros pontos de coleta, que é os pontos de entrega voluntária, pode ser que aquela cidade também tenha parceria com alguma associação de reciclador, que seja mais específica para a reciclagem de eletrônicos, e isso tudo, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente vai saber informar, é sempre o ponto inicial para que o cidadão entre em contato, se ele tem alguma dúvida do que fazer com qualquer tipo de resíduo, seja um eletroelectrônico, ou às vezes seja até uma cartela de remédio, ou o próprio remédio vencido em si, então a secretaria no Esponja do Ambiente é quem direciona, ela quem direciona isso, ao destino ela vai direcionar e vai saber indicar para o cidadão o que ele deve fazer com aquele resíduo.

[7:49]caso eletroelectrônico lá em Varginha, é um pouco mais simples, por a gente estar lá, então a Secretaria já indica, né, para que seja feito no Descartes ou num ponto de entrega voluntário nós ou diretamente lá na empresa, né, mas qualquer cidade, nossa recomendação é, inicial, entre em contato com a sua Secretaria Municipal de Meio Ambiente. e, referente à legislação tributária desse material remano-faturado, esse material que vai ser reciclado, né?

8:16Tributação cheia e o argumento da desoneração

[8:16]Você abre ele em... tem muitos itens, né? Você destina um item pra cada lugar. Exato. E como é que funciona a parte tributária de vocês? Vocês são tributados cheios? Isso, é, a tributação é normal, não existe nenhum tipo de incentivo, nenhum tipo de benefício, ou seja um desconto, qualquer, nada. É uma tributação cheia e ela funciona de forma normal para qualquer tipo de material oriundo da reciclagem de eletrônica. Então, uma vez que você desmembra um eletrônico, você tem os plásticos, você tem as placas eletrônicas, você tem diversos metais, sejam metais ferrosos ou não ferrosos, e você tem resíduos que não são recicláveis e você é tributado em tudo.

[8:59]seja na destinação final de um resíduo não reciclável, onde você já vai pagar para que seja feito o descarte correto e nisso você também é tributado, seja na venda dos recicláveis. Então você vendeu um plástico, você vendeu uma placa eletrônica, você vendeu um metal, você é tributado de forma cheia, então não existe nenhum tipo de incentivo nessa questão tributária para a reciclagem do eletrônico em si.

[9:28]e você vendo essa parte tributária cheia desse jeito em cima de um resíduo, que ele já foi tributado lá desde o início da cadeia? Primeiro, você acha justo? Não, justo a gente não acha, porque se você parar para pensar, o Rui, como você mesmo disse, o eletroelectronico, ele já foi tributado muitas vezes, então você já... todo o insumo foi tributado, o produto final foi tributado, você está fazendo um trabalho de recuperação e recolocando uma matéria-prima no mercado para que esse material seja transformado em um novo produto e você está sendo tributado de novo.

[10:08]Que antigamente isso aí era um resíduo e era custo para o estado, o estado como um todo, para o estado brasileiro, correto, você está tirando um custo do município, então se se a gente parar para pensar, tem uma estimativa que o custo com o tratamento de lixo em uma cidade gira em torno de 8% da arrecadação e você está tirando parte, está diminuindo o volume, está diminuindo o custo ali do município, consequentemente você diminui o custo do Estado e da Nação em geral, né? Você é tributado por você retirar um custo do município, então não é justo se a gente parar para pensar já de cara, né?

[10:50]a gente pergunta sempre aqui o que você acharia que seria justo, que tipo de tributação você acha que seria uma tributação viável, até para melhorar o volume do resíduo. É, eu acho que quando você tem empresas legalizadas trabalhando de forma correta... Primeiro a legalização. Primeiro a legalização. Então você tem todo mundo trabalhando ali prestando todas as contas, seja tributária, seja ambiental, seja fiscal, descalta, trabalhando de forma correta. Eu acho que você está retirando um custo do município, você tem que fazer um estudo para que aquela prestação do serviço da forma, seja de ISS, ou seja, da própria venda do insumo depois, ela tem que ser reduzida ou às vezes até zerada, porque se você está retirando um custo do município, você está retirando um custo do estado, você ser tributado por estar ajudando, não faz sentido algum.

[11:48]e uma vez que você tenha o incentivo de não ser tributado por estar fazendo um processo de reciclagem, por estar colocando uma matéria-prima de novo no mercado, isso sem a gente parar para pensar até no processo de extração. Você está reduzindo o impacto ambiental no todo, desde a extração, desde o processo de produção, até o processo de descarte, você tem uma redução em geral.

[12:17]se você tem um incentivo grande na questão da tributação, isso vai fazer com que mais empresas se estimulhem a trabalhar a reciclagem, você aumenta a concorrência, você reduz ainda mais o desperdício, o descarte incorreto e você tem um reaproveitamento de material muito maior, você vai ter uma busca aí depois por maquinário, melhorias de processo, então toda a cadeia de logística reversa vai ser melhorada, uma vez que você tenha talvez um pequeno incentivo de não ser tributado por estar reduzindo um custo do Estado, ou seja, você está realizando um processo de reciclagem, você está reaproveitando um material, retirando aquele material de ser descartado de forma incorreta, seja num aterro controlado da cidade, reciclagem no aterro sanitário, então ser tributado por estar ajudando, igual você mesmo disse, primeiro lugar, é injusto, segundo, se deixa de ser tributado, você cria um incentivo, você estimula a criação de empresas, e aí a gente pode falar... geração de emprego, etc etc. Muitas outras coisas são envolvidas que são efeitos colaterais. E assim, a parte da reciclagem eu acho fantástico o que sendo feito, nós estamos remodelando um sistema, que o sistema vinha de uma economia linear, que é produção, consumo e descarte, agora vem para a economia circular, e ela está tendo cada vez mais aderência de todos os players.

13:52O que é fácil e o que é difícil de reciclar

[13:52]E em cima desse raciocínio, o que é o lado bom, o que você consegue reciclar com facilidade, que vende com facilidade, e o que não, o que fica difícil, o que se torna difícil dentro do trabalho da reciclagem dos eletroeletrônicos. Legal, essa pergunta é muito importante, porque acho que remete muito ao PodPlástico. É, tem tudo a ver. Então, o que é a facilidade do eletroeletrônico, que é o que todo mundo busca, são as placas eletrônicas devido aos metais nobres e as terras raras.

[14:28]Até um assunto, essa palavra terra rara, ficou até mais conhecida agora, devido à guerra na Ucrânia, com a Rússia. Então, os Estados Unidos entraram com interesse nas terras raras da Ucrânia, e por isso eles gostariam de intermediar a guerra, fazer até com que ela cessasse, contanto que a Ucrânia desce a contrapartida de explorar a terra rária. De onde é que você encontra muita terra rária? Exatamente nos eletroletrônicos, você tem os condutores, os chips, os CIs, e ali você encontra muito desse tipo de metal, que na verdade são conjuntos de metais. Então essa parte é de uma comercialização muito fácil e não é de hoje, desde a década de 70, 80, que você comercializa isso de uma forma muito simples. Óbvio, no Brasil não existe a extração de terra rara, então você vende esse material para uma trade, que faz a acumulação de todas as placas eletrônicas, faz um pré-processo, tritura e faz a exportação para uma empresa, seja lá em algum qualquer país, Canadá, China, Estados Unidos, que vai fazer a retirada dos metais nobres, não é feito nada aqui, nada no Brasil, você não tem extração de metal aqui no Brasil, né, óbvio, pode ser que, no momento em que a gente está falando, alguém levante a mão e fala eu faço a extração de metal, mas você não tem uma extração em larga escala conhecida no Brasil todo, aonde todo mundo pode destinar para lá, né, então o que é o normal é você fazer a venda para empresas acumuladoras, fazem um pré-processo e fazem exportação para outras empresas, então essa é a parte mais fácil, a extração de metal e é e por isso que a reciclagem eletrônica existe desde o início.

[16:17]Outra parte simples de você comercializar são os metais. Seja metal ferroso, não ferroso, ferroso é o ferro, alumínio, você tem bronze, cobre, etc. Essa parte também é muito simples, é um mercado muito consolidado de muitos anos. É o antigo ferro velho lá do início, que hoje existem diversas reciclagens, que trabalham com essa parte de metais. Então essa parte também é simples.

[16:43]e o que é o difícil da reciclagem de eletrônio? Exatamente o plástico. E o plástico é um capítulo à parte da reciclagem de eletrônio, porque você tem muitas dificuldades, dificuldade de mão de obra para entender o tipo de plástico. O plástico é muito misturado, faz-se muito blend, então misturam-se diversos tipos de plástico na produção do eletroeletrônio.

[17:07]poliestireno. Antigamente era feito muito com ABS, era praticamente tudo no ABS. Era praticamente tudo no ABS. Aí você reciclava com uma facilidade absurda. Era bem mais simples. Você tinha muito poliestireno, o PS e o ABS. São plásticos próximos, mas era um pouco mais bem definido. A partir do momento que começou a entrar os blends, começou a se misturar, por exemplo, o policarbonato, o POM, que é o poliacetal, e isso dificultou biodemais, então você tem um exemplo, você tem uma capa de um monitor de televisão, que ele é um policarbonato mais ABS, e às vezes você pega uma outra capa, às vezes até do mesmo fabricante, que ele é um ABS mais policarbonato, então é impossível você saber a mistura da quantidade policarbonato em um e de ABS no outro, então se você misturar essas duas mesmas capas numa reciclação, você não consegue comercializar, você tem um plástico contaminado, ele é um lixo, ele virou um lixo, então isso é muito complicado. Aí o Descartes é a terra sanitária. Aí o Descartes vira a terra sanitária, você vai levar para um coprocessamento, e empresa de coprocessamento, o processo é caro, e aí volta naquela questão da bitributação. Pensa você ter trabalhado todo um processo, você GT, adquirindo um produto ser tributado por aquilo, e aí você vai depois descartar, e a própria empresa que realizou o Descartes, ela é tributada aí eu volto naquele velho tema que a gente sempre fala aqui no podcast. O culpado disso é o design, o culpado disso é o cara que pensou de como deveria ser aquilo, então tudo começa lá no design, se o design, o desenvolvimento vier com uma proposta sustentável, como era mais simples no passado, talvez mudou, porque precisou afinar o material para o seu criar uma resistência melhor, uma rigidez melhor, por isso misturaram materiais, mas aí entra a logística reversa, a economia circular, que é onde essas empresas terão que se adequar agora, né?

[19:15]Exatamente, eles não têm como a gente fugir disso, né? O design é que manda tudo, então se você tem lá no fabricante alguém pensando no processo comum todo, um processo circular, então, ele vai pensar que se houver uma mistura de plástico, na hora que chegar na ponta da reciclagem, ali vai se ter um problema, né? Então, se tudo for feito com um tipo de plástico, você pode escolher dois tipos de plásticos diferentes, contando que você não faça a blend desses plásticos, né? E que a identificação seja fácil.

[19:43]Então, se você escolhe lá um poliestireno e um ABS, né? Pode até usar um policarbonato, mas que sejam peças integras, somente daquele tipo de plástico. o blend mata o processo de reciclagem. E aí nós temos estruturas de materiais plásticos maravilhosas que não necessitam fazer essa blend também. A reta já é muito consolidada o mercado de plástico, então, é óbvio, tem alguns processos que é difícil de ser retirado, por exemplo, a pintura anti-chama, isso é uma questão de segurança, a gente entende perfeitamente, que não tem como se retirar.

[20:17]aditivo, que você mistura isso. E ele é anti-chama. Então isso é necessário, ele dificulta o processo de reciclagem, porque depois você vai fazer um processo de extrusão, ele vai passar por calor e, se o plástico é anti-chama, ele vai dificultar. Mas a gente entende perfeitamente que isso é necessário e não tem como retirar, mas o blend, ele mata o processo. Então, se no design, se lá no fabricante ele pensar que a economia não é mais linear, conforme como você disse, que ela é circular, e aquele produto dele vai, em determinado momento, ser transformado em matéria-prima de novo, as coisas começam a mudar, né, porque o designer tem que pensar sempre que o material não pode proteger-o. Exato. O aterro, né, ele vai existir sempre, mas quanto menos você enviar para lá, melhor. Então, o custo pro município vai ser o menor possível, o reaproveitamento é o maior possível e a economia em meio ambiente agradece e a economia gira de uma forma muito melhor. Então o design, se ele se dê conta da importância dele pro processo econômico, desde a hora que ele produzir o produto dele, seja um celular, seja uma televisão, qualquer elétronico em si, que o fabricante decide produzir. O design tem que pensar, a economia não é mais linear, ela é circular. Esse celular que eu estou produzindo hoje, ele vai retornar como matéria-prima e ver um outro produto. Eu vi lá no seu negócio na visita que eu fiz a sua empresa que você tinha uma linha de extrusão parada que você até me contou ou que no passado utilizava muito, por conta das blendas, acabou enviabilizando você fazer extrusão.

[22:18]Você fazia extrusão, fazia o pelletzinho e vendia como matéria-prima para um outro produto. Então exatamente por conta das blendas de materiais, pela incógnita, por você não saber o que está ali dentro, você parou de fazer essa extrusão, hoje só faz a moagem de alguns materiais que não dá volume para você ter uma extrusão rodando, não é isso? porque antigamente, quando era um pouco mais simples de você fazer esse trabalho de selecionar os tipos de plásticos, você não precisava de uma mão de obra tão específica, você não precisava treinar aquela mão de obra durante tanto tempo.

[22:53]Óbvio que é um somatório de fatores. Hoje no Brasil, mão de obra não é simples, você não consegue reter uma pessoa durante muito tempo. não fala isso, porque a gente está no Brasil, cara. Então, enfim, aí é um outro podcast, né? Rui, assunto para muito tempo, e mão de obra no Brasil não está fácil. Então, hoje a gente sabe que é muito mais fácil você ficar parado sem trabalhar do que você decidir buscar um trabalho.

[23:19]E aí, o que acontece? Você precisa de uma mão de obra específica e muito bem treinada para a separação do plástico. Então, está aí o primeiro problema. Como o plástico ficou mais difícil de ser separado, a chance de você errar é maior. Além de tudo isso aí, o pessoal de qualidade, esses plásticos, Oryum do eletroletrônico, eles vão muitas vezes para a indústria automotiva, então o pessoal reaproveita muito esse plástico na indústria automotiva, que é uma indústria muito qualificada, é uma indústria muito exigente de você enviar material para eles. Então você tem desde lá da ponta uma necessidade de mão de obra qualificada, que é difícil você treinar e manter e reter aquela mão de óbvio durante muito tempo. Segundo, o plástico está muito mais difícil de ser separado.

[24:06]Terceiro, para quem está recebendo aquele plástico, a exigência de que o plástico seja de boa qualidade é grande. E por último, você tem uma queda nos preços. Desde o final da pandemia, os preços caíram vertiginosamente. Então, para você manter uma linha de extrusão, aonde você tem um custo muito alto e você vai vender o produto final a um preço que não está tão compensatório, é melhor você tomar uma decisão ali ou você continua trabalhando com aquela linha de extrusão e se sustentando, fazendo muita força para se manter ou você decide parar e ficar com uma linha mais simples, que é uma linha de moagem, aí você às vezes implementa uma lavagem, uma secagem no plástico, então é uma decisão uma estratégica que cada empresa que trabalha num ramo de reciclagem de eletrônicos, caso queira decidir implantar um tratamento mais elaborado de plástico, vai ter que decidir por conta própria, é uma decisão de mercado.

[25:08]E o que você vê aí na legislação brasileira que beneficia ou prejudica o setor de reciclagem de eletroeletrônico? eu acho que a legislação em si com a Política Nacional de Residência do Sólidos vem caminhando há muito tempo, ela ficou muito tempo parada, depois ela teve uma implementação, só que essa implementação decidiu incluir obrigatoriamente os catadores e essa acabou sendo uma dificuldade porque o catador em si não é legalizado, a gente sabe de como funciona a sociedade brasileira, sabe que existem pessoas que sobrevivem da catação de lixo, mas você inclui obrigatoriamente...

[25:54]Que na verdade são as formiguinhas que fazem acontecer. Que fazem acontecer, né? Mas você incluir obrigatoriamente o catador, ele acaba dificultando um pouco o processo, né? O que na nossa visão tem que ser ali implementado e tem que sempre ser feito à busca é de empresas legalizadas que estão trabalhando ali com logística, que estão trabalhando com engenharia e que estão trabalhando com a parte ambiental, fazendo que todo o processo funcione, seja a venda e a destinação, seja feita de forma correta, seja o material reciclável que faça a venda dele, seja o material não reciclável que faça a destinação final correta.

[26:33]Então, na legislação em si, você tem ali todas as obrigações, você lê, né, todo a Polícia Nacional de Executórios, tá legal, ela é muito bacana, ela é muito bonita. Mas na prática, pra você implementar até o fim dos lixões, até hoje você não conseguiu fazer isso aí, você depende muito do recurso, você depende de muita boa vontade pra que seja implementado exatamente da forma como foi descrito ali. Então, facilidade não tem, né, na questão da legislação. O que se tem é alguns empecilhos que foram criados e tem que a gente que até dá nome para isso de alguns jabutis que foram colocados na legislação, e o que dificultou, né? E hoje você tem aí depois de tantos anos que foi sancionada a Polícia Nacional de Exíduos Sólhos, ainda você tem muito lixão aí disponível e de difícil fechamento.

27:25Treinamento de associações de catadores

[27:25]Tem bastante lixão ainda, tem vários lugares, vivem levando materiais para lixões e é um negócio bem feio isso, né? é bem complicado, você recebe resíduo que vem de lixão, de aterra, você recebe lá e como é feita essa captação lá dentro. Na verdade a gente tem um programa de treinamento, onde a gente vai nas associações de catadores e a gente treina o pessoal para que seja feita a separação do lixo eletrônico.

[27:58]Então a gente trabalha hoje com cerca de 18 associações de catadores que estão diretamente ligadas da lixões. Lixões que a gente espera que um dia vire a terro sanitário mesmo, que as associações continuem trabalhando ali, mas dentro de todas as condições de higiene cursível e de um processo de coleta seletiva bem mais apurado. Mas hoje não é assim, a gente sabe, a realidade do Brasil não é essa, mas a Associação de Catador trabalha lá e a gente vai dar um treinamento de como separar aquele material, de como muitas vezes até desmontar o eletro eletroeletrônico, e a Eco Brasil faz o recolhimento de tudo. Na verdade, ela faz a compra de tudo, para que a associação, os catadores associados àquela associação, sejam remunerados e eles têm uma fonte de renda a mais além do que eles já trabalham. Então, isso funciona muito bem.

[28:51]E hoje tem muita associação de catador que gera uma renda extra somente com o eletroeletrônico. então, com esse treinamento, a gente conseguiu implementar e evita de que simplesmente um celular seja descartado, seja aterrado de forma incorreta, ele é recuperado, retirado daquele lixão, ele é vendido para Eco Brasil, então ele gerou uma renda e nós damos um tratamento correto para todas as partes do celular, para a bateria, nada é lixo, tudo é reaproveitável, o que você enxerga agora com esse esse plano nacional de resíduos sólidos com a legislação que está sendo trabalhada, estão tendo várias reuniões e está meio movimentado essa questão de economia circular, tudo isso, a entrada da economia circular com mais força e o que você enxerga de oportunidade no seu mercado?

[29:49]É, na verdade a gente tem muita esperança, né, de que as conversas avancem muito mais mais do que elas ficaram aí paradas no passado. E elas avancem no sentido, essa é a esperança nossa, avança no sentido de sempre prestigiar quem trabalha de forma correta, quem ali buscou o licenciamento ambiental, quem tem um processo de logística implementada, quem tem um processo de engenharia implementado dentro da sua empresa, então a esperança nossa é que as conversas sempre avançem nesse sentido. Prestigiem as empresas, prestigiem os municípios que tenham processos implementados de forma correta para a reciclagem de forma adequada, seja de qualquer resíduo, seja de pneu, seja de embalagem de agrotóxico, seja de eletroeletrônico, seja de pilibateria remédio de lâmpada, remédio de tubo.

[30:43]Eu acho que um reconhecimento para o reciclador como um todo, eu falo desde lá do começo da etapa que é a coleta até a destinação desse produto, eu acho que um reconhecimento seria mesmo uma diminuição tributária, quem mais recicla paga menos, que é o que eu escuto muito quando eu vou em alguma associação, alguma cooperativa, todo mundo acha muito muito injusto a cobrança de tributos de um material que está sendo retirado do meio ambiente.

[31:14]Ele iria parar no aterrosanitário, se não existissem os recicladores, existem muitos materiais que vão para o aterrosanitário, que têm reciclagem, mas têm a dificuldade que paga-se muito pouco, mas paga pouco, porque gira pouco, se começar a ter um giro, uma circularidade embalagem maior, ele acaba tendo um valor melhor, o que demonstra muito bem isso é a garrafa plástica. Hoje todo mundo compra, falta a garrafa plástica para reciclar, porque ela ganhou o valor, ela ganhou o seu espaço, que foram criados meios maneiras de se reciclar isso com muita facilidade e também melhoraram com a performance do lácreo, a performance da tampa, enfim, ficou uma embalagem de reciclar, que é o que nós estamos falando, por exemplo, da traseira de uma televisão, que o cara põe uma blenda de material, ninguém sabe o que está lá, são materiais que trabalham em temperaturas diferentes, então você não consegue reciclar por isso, uma trava rousca do canhão e a outra queima, porque são temperaturas diferentes, ou vice-versa, então eu acredito que é mais o incentivo que os governos, ou seja, Governo Municipal, Estadual, Federal, poderiam andar, seria o incentivo tributário, né?

[32:32]É, correto. Acho que em questão de legislação, primeiro, a gente tem que falar, voltando um pouquinho na questão de design, que é importante, acho que deveria ser... Pegar um pouco mais no pé. Pegar um pouco mais no pé. Então assim, você vai colocar um produto no mercado, esse seu produto ele tem que está de acordo com economia circular. Então não adianta você, conforme você diz, colocar ali uma televisão, onde a capa da televisão atrás é uma mistura de dois plásticos e a gente já sabe que aquilo ali não vai ser reciclado.

[32:57]E se não vai ser reciclado, a gente sabe que vai parar no lixão e vai ser o descartinho correto, vai gerar um cuspo município. Então você pegou no pé lá no design o produto, ele é parte da economia circular e aí entra no outro ponto que você tocou, que é a questão do volume. Se você tem reciclagem, a volume é peso. Então se você tem uma capa de televisão, que é um tipo de plástico único, que a gente sabe que vai se esquecer. Você bota uma extrusora lá rodando de novo, né?

[33:22]Você põe a extrusora pra funcionar outra vez. Então aquilo que eu vendia, aquela extrusora que eu parei, que eu deixei de funcionar, ela volta até validade, né? Então é um maquinário que volta a fazer parte ali da economia. Gerou, no mínimo, mais dois empregos nessa marca. Exatamente, era no mínimo, mais dois poste de trabalho naquela marca. Então você tem um volume aonde você vai ali num aterro, onde você vai numa associação de catador, o pessoal voltou a separar, porque sabe reciclagem. Então, para aquela associação, opa, tem mais uma fonte de renda aqui, esse material que antes não era reciclagem, ele voltou a ser reciclado, eu vou acumular, vou prensar, ele vai dar peso, vai dar volume, vai ter uma empresa que vai vir aqui e vai me pagar por isso. E aí depois, quando você tem essa questão da matéria-prima disponível de novo no mercado e você sabe que aquela matéria-prima vai ser de qualidade, porque é um tipo de plástico apenas, o mercado vai se interessar, então ele vai parar de comprar um pouco material virgem. Não tem necessidade de comprar tanto material virgem assim, da extração. Tem um material vindo da reciclagem que é um material bem puro, então dá pra gente reaproveitar. Óbvio que ele tem ali todas as perdas de durabilidade, você tem ali todas as características intrínsecas do plástico que elas diminuem com o processo de reciclagem. Entretanto, você tem aditivo aditivo para todos, você pode reaproveitar e refazer diversos produtos com isso aí, mas tudo lá, seja pegando um pouquinho no pé, lado design, seja como reduzindo tributos, gerando incentivo para que aquele material não seja bitributado, tritibutado, seja lá quantas vezes vai ser tributado, você vai gerar sempre o interesse de empresas que queiram reciclar e esse interesse é benefício para para todos, seja para o catador, para a associação, seja na redução de lixo para o município, seja na geração, igual você disse aí, uma extrusora voltou a funcionar, mais dois postos de trabalho, e por aí vai.

[35:19]Então, os benefícios são grandes, mas só recapitulando a questão do mercado e da legislação, você precisa pegar no pé do design e você precisa ter uma redução em tributo. fazendo isso aí, eu acho que já é um passo crucial para que a gente possa seguir, um passo largo. Porque você acaba valorizando mais o reciclador, o reciclador aumenta o ganho, então ele fica mais agradável, mais atrativo para que tenham mais empresas de reciclagem, o material torna-se o material disputado, automaticamente criou disputa sobre preço, melhora para todo mundo e o ambiente fica indica muito mais favorável para economia circular.

[36:05]Você disse tudo, né? Acho que você criou ali a concorrência, criou a disputa, criou o ambiente de mercado, você só tem a ganhar com isso aí, né? E hoje se você não tem esse ambiente favorável, o que não vai gerar nenhum interesse, então você vai ter a descarte e ninguém vai buscar isso aí, você só vai gerar mais custo. Poxa, que bacana, você vê aqui no estado de São Paulo nós abrimos uma frente parlamentar da reciclar, onde será discutido também sobre equipamentos eletroeletrônicos e tantos outros materiais para entrarem na cadeia de circularidade, onde possivelmente serão pautados alguns projetos de lei, quem está encabeçando isso ao deputado Bruno Zambele, e está convidando todos os os players de reciclagem para participar dessa frente parlamentar. Então, tudo que a gente conversa com todas as pessoas sempre cai na parte de tributação, que a parte de diminuição tributária seria o incentivo necessário, a alavanca para que isso explodisse de uma maneira melhor, maior, né? E você acaba tirando a informalidade, que é o que você falou, né?

[37:21]então, tirando a informalidade, automaticamente você melhora os processos, porque uma indústria trabalha muito melhor do que uma garagem, né? É, a gente sabe que o informal só existe porque o formal custa muito caro. Então, uma vez que você decide no Brasil trabalhar de forma correta, você tem que estar disposto a pagar caro por isso, né? Então, isso incentiva muitas vezes a informalidade.

[37:48]a informalidade, a informalidade não gera benefício, ela gera um custo ainda pior para o estado, porque o que vai ser descartado daquilo ali, ele é o pior do pior, então vai voltar para o lixão de uma forma que ele só vai prejudicar, e muitas vezes ele prejudica demais, nós estamos falando aí de resíduos que possuem metais que vão ficar na natureza por muito tempo. Aquelas placas de circuito isso. Aquilo é feito de quimaterial. Tem fibra, muitas placas são feitas de fibra, algumas placas são feitas até de metais mesmo, com placa de alumínio. Os componentes são removidos dessa placa.

[38:30]Os componentes são triturados juntos, junto com a placa. E depois no refino você tem a separação também de resíduo. Então você tem, por exemplo, um cádmio da vida que ele sai, ele é um item que você não vai conseguir reciclar. Então, esse cádimo vai precisar ser tratado de forma correta. Mas vai ser descartado. Mas vai ser descartado de forma correta.

[38:52]A fibra que sai daí. A fibra também. A fibra, no caso, quando você passa a temperatura muito alta, ela vai sumir no caso, no processo. E o processo é físico-químico. Então, você tem muito ácido e você tem um processo físico, que é de trituração, que ele transforma mesmo, basicamente em uma areia, aquilo ali. E dali, no refino, saem recicláveis e não recicláveis.

[39:15]Só como é feito fora do Brasil, ele atende a legislação local do país onde está sendo feito o refino. E lógico, lá não vai ter o desperdício, não vai ter o descarte incorreto do produto que não é reciclável. Se tivéssemos o incentivo, voltando na parte do incentivo, se tivéssemos um íntimo. Aí, pera aí, eu vou te cortar. Então, fala como se você tivesse falando com um legislador, o que seria legal para a reciclagem de equipamentos eletroeletrônicos.

39:49Recado ao legislador: design e tributação

[39:49]Então, para você, legislador, que está me escutando agora, vou falar diretamente para você. Primeiro ponto, pegue no pé do design, pegue no pé dos fabricantes, para que que o produto faça parte da economia circular. Esse é o primeiro ponto, primeiro ponto crucial. Segundo ponto e não menos importante, tributação. Quanto menos tributos, quanto menos impostos, mais vai-se ter o incentivo para a reciclagem. Então, design e tributação. Design, economia circular, menos tributação. Então esse número dois que ele tem que cair, virar só o número um, para que um dia a gente não tenha nem nenhum problema contributo e nenhum problema com design. Isso você vai criar um ambiente totalmente favorável para reciclagem. Você tira pessoas da informalidade e trazem elas para o mercado formal, para empresas legalizadas. E tributação você, retirando ela, você gera um ambiente de competitividade. Isso só tem a favorecer redução de custos para o município e geração de renda geração de emprego com a criação de mais empresas de esclavos.

[40:56]Então, está aí, legislador, para você que me escutou, se não me escutou, escuta de novo, e aí vai dar tudo certo, nós vamos trabalhar de uma forma bem mais favorável para o nosso Brasil. É, cara, eu acho que é basicamente isso que todo mundo pede, e o material que está no atento sanitário, ele é custo, ele não é renda, então se o município quiser desonerar, dê incentivo tributário, porque ele vai ganhar tributação, então é melhor ele pagar ou ele ganhar um pouco, então é melhor ele ganhar um pouco de vida, essa tributação com a empresa que está fazendo a reciclagem. Esse é o ponto que a gente bate bastante, porque se o estado como um todo, vamos falar que ganha 18% no final, se ele ganhar 9% e você 9%, puta, está bom pra caramba já, né? Já é um baita incentivo, né? É, e assim, aquele 9% que o pessoal passou a ganhar, ele vai retornar. E ele pagaria 9% pra enterrar. Então ele vai retornar, de alguma forma, seja na compra de produtos supermercados, seja lá o que for, gerou a renda, o pessoal vai ter que sobreviver, e aí, nisso, a economia é muito interessante e é muito lógico, essa conversa é muito lógico, é só o cara parar, analisar e ver que é lógico. Não é tão difícil, né, Rui?

[42:30]É raciocínio lógico, básico. Então, assim, mais uma vez, para o legislador, se você se você não assistiu o PodPlástico aqui do Rui, por favor, assista uma, duas, três vezes, não é difícil, não é difícil, é simples da gente entender e aí é um raciocínio muito óbvio, muito lógico, conforme a gente está dizendo aqui, então é uma última dica para o legislador, né Rui, assiste aqui o PodPlástico, se não entendeu a primeira vez, assiste a segunda, assiste a terceira, é simples demais, né, é muito óbvio, é isso aí, e a gente está se encaminhando para o final do nosso episódio do PodPlástico, e eu queria que você deixasse suas considerações finais, por favor.

[43:13]É, primeiro lugar eu queria agradecer Rui, o convite, né, é uma roma pra gente estar participando aqui, né, a gente começou há tanto tempo, né, lá atrás batalhando e vem aí superando todas as dificuldades do mercado, hoje está participando aqui do seu podcast, então pra nós é uma felicidade, né, eu só tenho que te agradecer, né, o contato da Eco Brasil. Nós estamos aqui no Estado de São Paulo, então, dentro do Estado de São Paulo, todo mundo pode encontrar diversas empresas, e eu queria deixar também o contato da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos, a Abree, e aí é o Brasil todo, então, podem buscar pela Abre que todo mundo vai conseguir aí dar uma destinação.

[43:57]No caso específico, nós que estamos lá em Minas, e aí para todos os mineiros que queiram entrar em contato com a Eco Brasil, pode entrar via nosso site, que é o www.ecobrasil.net, nós temos também o Instagram, que é o Eco Brasil Reciclagem, e as redes sociais e o nosso site, lá vocês vão encontrar os telefones e os contatos diretamente com a gente, para que vocês possam dar a destinação, a gente atende a região do Sul de Minas, e a gente pode indicar para outras regiões quais são as empresas que atendem também dentro do estado de Minas Gerais.

[44:34]No caso, como eu disse, no caso do estado de São Paulo, a facilidade é um pouco maior. Você tem muito mais empresas trabalhando e você tem associação também que indica e fica mais fácil para o paulista, para o paulistano dar o destino para o seu resíduo eletroeletrônico. Já agradeci a você, Rui, já agradeci aqui a todo o pessoal aqui que está ajudando a fazer o podcast.

[44:56]eu queria mais uma vez reforçar a questão dos incentivos, a gente precisa mesmo para sobreviver e para multiplicar o processo de reciclagem, nós precisamos de algum incentivo, esse mercado precisa ser mais incentivado, o mercado da reciclagem tem ficado um pouco abandonado e aí a gente tem lutado muito informalidade, e se você não gera um incentivo para a formalidade, você acaba perdendo para a informalidade, e você perder para a informalidade é uma tristeza muito grande, porque você vai deixar de gerar emprego e vai ficar ali um salve se quem puder, cada um por si, todo mundo procurando apenas suprir a sua necessidade. Não, não é isso que a gente quer, a gente quer o bem coletivo de todo mundo, a reciclagem é isso, ela é bem coletivo, ela é é o bem do meio ambiente, é o bem da sociedade, é a geração de emprego, é a geração de renda, e a gente só tem a ganhar com isso aí. Então, agradecer a você mais uma vez que leva essa mensagem, a frente parlamentar, você tem aí, através do podcast, contribuído com muitos assuntos que são muito voltados para a reciclagem. No meu caso específico, a reciclagem de eletrônicos, reciclagem de plástico, mas todos os assuntos que você traz aqui, eles têm muito a ver com o processo de reciclagem, e isso é muito importante para todos nós. É isso aí, e como você pode ver, nós estamos abrindo para outros players falando de economia circular, a ideia da reciclagem é como um todo, é como nós tivemos uma aula de reciclagem de eletroeletrônicos aqui, muita coisa, eu não sabia, e como é muito bom, a gente está sempre aprendendo, né? Então Flávio, muito obrigado pela sua participação, pela sua disponibilidade de tempo no nosso PodPlástico, e muito obrigada a você que ficou até agora, deixe um like, deixe o seu comentário se você gostou, se você não gostou, deixe o comentário também, que eu sempre falo que a gente está aqui aprendendo e melhorando. A ideia é sempre estar melhor para o próximo episódio, para o próximo entrevistado. Então, muito obrigado e até o próximo PodPlástico.

Rui Katsuno

Apresentado por

Rui Katsuno

38 anos no setor plástico. Fundador do Instituto Soul do Plástico e da MTF Termoformadoras, autor de O Vilão que Salvou o Mundo e apresentador do PodPlástico.