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A RECICLAGEM COMO VOCÊ NUNCA IMAGINOU! Com Bruno Catador e Marcos MS

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Episódio completo no YouTube: A RECICLAGEM COMO VOCÊ NUNCA IMAGINOU! Com Bruno Catador e Marcos MS

O catador autônomo Bruno e o reciclador Marcos MS contam como a reciclagem funciona na periferia de São Paulo e o que falta para valorizar quem trabalha.

Principais insights

  • Bruno é catador autônomo no Capão Redondo, em São Paulo, e Marcos MS recicla eletroeletrônicos, poliestireno (PS) e polipropileno (PP); o episódio, segundo Rui, é "sobre gente".
  • O plástico responde por cerca de 30% a 35% do que Bruno cata nas ruas e por 60% ou mais do faturamento da empresa de Marcos, que tem cerca de 10 pessoas.
  • Bandejas de PET, como a de ovos, só valem se chegarem sem etiqueta; a manga de papel, que se separa do plástico, é apontada como solução que evita o rejeito.
  • Para os dois, banir sacolinhas e sacos de lixo não faz sentido nas periferias, onde o saco plástico é parte da saúde pública, e a sacola de polietileno pode ser reciclada.
  • Bruno defende pagamento pelo serviço prestado ao catador autônomo, que não se sente representado pelas entidades nacionais, e alerta que a reforma tributária pode onerar quem está na ponta da cadeia.
  • Eles apoiam os dois projetos de lei paulistas sobre cores de plásticos e etiquetas e a educação ambiental na base, como o Sarau Sustentável que Bruno realiza todo mês no Capão Redondo.

Perguntas frequentes

Quem são Bruno e Marcos MS, os convidados do episódio?
Bruno é catador autônomo no Capão Redondo, zona sul de São Paulo, ex-presidente de cooperativa e idealizador do Sarau Sustentável. Marcos MS tem uma empresa de reciclagem de eletroeletrônicos, PS e PP, que também faz moagem de plástico, com cerca de 10 funcionários.
Qual é a diferença entre catador autônomo e catador avulso, segundo Bruno?
Bruno diz que o catador avulso é aquele em situação de extrema vulnerabilidade, muitas vezes ligado a dependência química, que vive "ao sabor do vento" e sustenta o vício com a catação. Já o catador autônomo trabalha por conta própria, com rotina e profissão, e é quem abastece boa parte da cadeia de reciclagem.
Por que o plástico é importante para a renda de catadores e recicladores?
Segundo Bruno, o plástico representa cerca de 30% a 35% do que ele cata, mas vale mais por quilo do que o papel, que tem maior volume. Marcos afirma que o plástico já responde por 60% ou mais do faturamento da empresa dele. Para ambos, sem o plástico a atividade seria inviável.
O que atrapalha a reciclagem das bandejas de PET, como a de ovos?
O principal problema é a etiqueta, que não sai nem a "cacetada" e transforma a embalagem em rejeito, além da mistura de materiais de aparência igual, como PET e PVC em blisters. Bruno e Marcos sugerem etiqueta removível ou manga de papel e apoiam o projeto de lei que atribui cores aos plásticos para facilitar a triagem.
O que é o Sarau Sustentável?
É um evento comunitário que Bruno realiza na última sexta-feira de cada mês, das 18h às 20h, em uma praça do Capão Redondo. Reúne poetas e cantores da região e leva informação sobre clima, água e resíduos para as famílias da periferia, indicando depósitos onde cada material pode ser vendido.
O que Bruno e Marcos pensam do decreto do plástico e da reforma tributária?
Eles dizem que o decreto avançou ao criar metas de conteúdo reciclado, mas que a indústria que não pode usar reciclado em alimentos acaba comprando crédito de reciclagem, e o benefício não chega ao catador. Sobre a reforma tributária, Bruno teme que a ponta da cadeia seja a mais onerada e defende pagamento por serviço ambiental ao catador autônomo.

Capítulos e transcrição

0:00Abertura: um podcast sobre gente

[0:00]e sejam muito bem-vindos a mais um episódio do PodPlástico. Hoje nós vamos fazer um podcast diferente. Hoje nós não vamos falar sobre indústria, nem sobre máquina, nem sobre política. Hoje o assunto é sobre gente. Então, temos aqui hoje o Bruno, que é catadora autônomo no Capão Redondo. Bruno, muito bem-vindo. Nós temos aqui o Marcos, que trabalha com reciclagem de vários materiais, inclusive eletroelectrônicos, e eles vão trocar um pouquinho com a gente. Bruno, começa aí, se apresenta para o pessoal, por favor.

[0:34]Bom, primeiramente Rui, muito obrigado pelo convite, né? Satisfação está aqui, poder compartilhar um pouco da nossa jornada aí. É relacionada a reciclagem, reciclagem do plástico, esses desafios, estou feliz de estar aqui e muito obrigado por esse início. Eu acho que é sobre a gente, a nossa conversa no final das contas. e isso aí. Vamos lá, Marcos. Bom dia Rui, sou Marcos MS, eu estou aí nessa luta também há bastante tempo com resíduos no contexto geral do eletrônico plástico, todos os tipos de materiais que a gente diz reciclagem eu estou envolvido. É isso aí. Então hoje o Bruno, vamos começar com você Bruno, hoje o Bruno saiu da rua, hoje o Bruno não está trabalhando, tirou um dia de folga, veio aqui compartilhar com a gente no PodPlástico, nós vamos falar de várias coisas de imposto, de decreto, de reforma tributária, nós vamos falar tudo o que implica na reciclagem, mas há quanto tempo você trabalha como catadora autônomo, Bruno?

1:40A trajetória de Bruno: da cooperativa à catação autônoma

[1:40]reciclagem. Bom, a última... Conta um pouco da sua história pra gente. Meu retorno aqui Rui, aqui na reciclagem tem dois anos. Eu fundei uma ONG também lá no Capão Redondo, chamada Navi Capão, participei da fundação dela, toquei o trabalho os sete primeiros anos e hoje tem outra gestão lá e eu fiquei disponível pro mercado, entendeu? e aí como que a gente faz né, tem que pagar as contas, tem que pagar os boletos, aquele velho chute no saco de lixo, é isso aí, então a rua cara, o dinheiro tá na rua também né, precisava pagar as contas, então comecei a chutar saco de lixo lá de uma balada, percebi que tinha bastante latinha, bastante PET e falei opa, tem um desafio aqui que é o vidro, que que eu estudava gestão ambiental, também uma bolsa de estudos que eu ganhei do Instituto Ururra, que era uma ONG ali da região do Capão também, ganhei uma bolsa, fui fazer esse estágio nessa cooperativa, e aí cara, é legal falar e relembrar, porque eu cheguei na cooperativa para fazer o estágio, com aquela mentalidade de escritório, computador, pô, quando eu eu cheguei no galpãozinho e vi a precariedade da estrutura e aquelas senhoras, as mulheres de fibra carregando aqueles bag pesado na cabeça, eu falei é acho que o meu lugar não vai ser aqui dentro dessa sala não, então cá sei jeito de contribuir com a minha mão de obra também né o meu esforço físico passei a colaborar com a copergaia e acabei me tornando presidente a co-operativa logo depois, participamos de um projeto junto a Petrobras, com a co-operativa Viralata, e as coisas foram melhorando um pouquinho, porém, a gente não conseguiu o convento na quele momento com a prefeitura, então o Galpão precisou ser entregue, que era uma antiga mercenaria, a gente teve que entregar o Galpão, apesar de ter feito toda a renovação reciclagem do estatuto, todos os trâmites legais que são cabíveis para a cooperativa, a gente não conseguiu dar meto no trabalho naquele momento, o grupo foi cada um pulado, Dona Naná, se eu não me engano, está trabalhando até hoje com carioca, e eu voltei a reciclar dois anos atrás nessa balada lá no capão, entendeu? Então tem uma história aí com com a reciclagem que não é de hoje também, e muito doido, cara, porque a cooperativa foi o lugar onde eu aprendi com aquelas mestras não só a separar material reciclável, aprendi a valorizar pessoas, valorizar gente, humanização, né, cara, a valorizar a possibilidade que a gente tem de melhorar uma ponta de um trabalho que está sendo hoje que é muito invisibilizado infelizmente, que são de catadores e catadoras autônomos, às vezes em barracos precários, em lugares com uma insalubridade terrível, você vai em cooperativa, você sabe, tem cooperativa que você chega, o nome é cooperativa, mas o trabalho infelizmente é analogar escravidão, por quê? Porque cara, como que você levanta uma bombona de vidro, por exemplo, há vários quilos na sua coluna. Você não tem um equipamento correto, um EPI decente. Então, toda essa luta, Rui, que a gente vem travando aí diante de vários desafios que a reciclagem impõe, a gente quer conversar aqui hoje. Então, acho que você foi muito feliz em falar que é sobre gente realmente.

[6:06]Essa é um pouquinho da minha história, a gente vai conversar. Vamos falar bastante hoje. e você, Marcos, vem de onde? Começou quando? Eu tenho uma trajetória com resíduo, no geral, o plástico, principalmente. Eu trabalhei sempre, eu também sou, vamos dizer assim, aprendi através de uma associação, a desenvolver tudo o que era reaproveitar, né? Então, eu comecei a reaproveitar a madeira.

[6:33]Da madeira, eu saí dessa marcenaria, dessa associação, que era uma marcenaria, e aí eu comecei a desenvolver a... eu queria conhecer o plástico, então eu montei um depósito para mim sem nenhum tipo de conhecimento, e disso aí eu fui desenvolvendo, eu comecei a fazer as coletas, das coletas comecei a conhecer o plástico, como que pensava, como pensava, batalhei, adquiri uma prensa, disso aí eu fui desenvolvendo, comprei caminhão, e depois eu quis entrar para a área para morrer, para aprender a morrer, então eu mesmo comecei a construir os meus próprios moinho, e eu vim desenvolvendo e hoje eu também estou na área que além do eletrônico eu desenvolvo a moagem dos tipos de material, que é o PS, que acabou entrando pra vida pelo fato de que a gente comprava eletrônico e o PS não tinha ninguém que não interesse do PS, a gente resolveu também a fazer a reciclagem desse material, então a gente hoje recicla o PS e também o PP, os tanques de máquina que a gente compra como é muito eletrônico e muitas máquinas. Então a gente acabou desenvolvendo também o P.P., amoendo ele também.

7:43Marcos MS e a reciclagem de eletroeletrônicos, PS e PP

[7:43]Hoje a gente tem duas linhas, uma para a linha do PS e uma para o P.P., que é o... E você entende hoje a sua empresa sem os materiais plásticos? Você consegue ver um norte sem material plástico? Meio que impossível. O plástico para mim é na empresa nossa lá, ele tá hoje práticamente chegando a 60% até mais do nosso faturamento. Quantas pessoas você tem hoje? Hoje nós temos, em geral, 10 pessoas. Eu chego de colaboradores que são registrados tudo, mas são 10 pessoas, trabalham com a gente direto e indiretamente. E fora os outros parceiros, mas eu trabalho muito mais na rua, fazendo compra, né? E é difícil você emcontrá-lo? Não, tenho essa facilidade. Eu compro de pequenos depósitos, pequenos depósitos cooperativas. Mas se uma pessoa quiser te vender um eletroletrônico, você compra ou não? Eu posso até abrir a sessão, mas é porque eu compro mais lotes de depósito que geralmente uma pessoa só está vendendo por depósito nunca para nossa empresa, a gente não trabalha reciclagem com comércio de porta aberta. Nosso depósito é depósito de porta fechada para a gente poder fazer a toda triagem com mais calma facilidade, porque tem uma, você tem que dar uma qualidade no material, né? Você pega o material reciclável do eletrônico, você tem que fazer uma separação correta para que ele não contamine e o plástico também. A gente tem os bocos lá, que são divididos, mas...

[9:18]E todo o material eletroeletrônico é passivo de reciclagem? material eletrônico é passivo de reciclagem. Você pega uma máquina de lavar, ela tem também o eletrônico, muitas pessoas acho que ela não tem, mas ela tem aquela placa eletrônica que ela também é reciclável. Aí você acaba reciclando o plástico externo, interno e as placas, exatamente. Na máquina, no contexto geral é tudo, não sobra nada, tudo dela é reciclável. E a gente vê um monte jogado na rua, mas tudo dela. Mesmo assim, a gente ver o monte na rua. Tem muita, né? Não só máquina, como a... Todo tipo de eletroelitrônico, né? A gente trabalha com todos os cabos, cabos, a gente dá o destino correto pra todos, pra todos tem um lugar certo pra ir, né? Você pega um celular, muitas pessoas acham o celular, não, o celular tem a bateria, tem um flat dele, que antes as pessoas, se você vai nas lojas que consertam o celular, eles descartavam aquilo no lixo comum, o flat do, a frente do celular, jogava num lixo comum. Então, a nossa empresa começou a adquirir esse conhecimento para ir nessas lojas, pequenos lojas, para orientar eles que esse tipo de material é passivo de reciclagem. Olha aí pessoal, você aí que tá jogando um eletroletrônico fora, um marcão aqui, pega tudo isso aí, recicla e faz dinheiro e a a comunidade agradece, o meio ambiente agradece, e faz a destinação correta, e a destinação vai para o lugar certo, que não é o aterro, né? É muito importante. E lá você, Bruno, conta um pouco para a gente, você faz a catação, o material plástico representa o quê ali dentro do seu dia a dia? Então, Rui, hoje dessa forma mais autônoma é na rua mesmo, a gente percebe que aproximadamente aí eu diria que uns 30, 35% é bastante também. Esses resíduos de calçada porta-a-porta das donas de casa, da galera da rua mesmo, tá nessa composição aí.

11:24Etiqueta, bandeja de PET e o que vira rejeito

[11:24]Porém, a gente enfrenta essa dificuldade. Mas em valor, ele é maior do que o valor do papel, por exemplo, ou não? O plástico sim. Então em volume é menor, mas em valor ele é maior. Em volume é menor, em valor é maior. porquê? Vamos dar um exemplo aqui. Estamos falando aqui de comunidades, famílias de baixa renda. Sim. Essa cartela de ovo aqui, por exemplo, que é um PET, correto? PET. Isso aqui faz parte da realidade do resíduo urbano hoje, de muitas comunidades. Tem ferias onde a gente faz o trabalho, né? Só que a gente enfrenta essa dificuldade, às vezes vem com etiqueta, entendeu?

[12:07]e a etiqueta não sai nem a cacetada. Acaba virando rejeito por essa, é um desafio, né, que a gente tem aí pra superar, então, estar aqui hoje é muito legal pra gente poder falar desses assuntos, vou mostrar aqui pra câmera também, pro pessoal ver, uma cartela de ovo comum, feita de PET. Existe reciclagem pra esse tipo de material? Pelo que eu saiba existe. Sim, claro, não existe.

[12:32]ver que fabrica essa bandeja de relíquela de volta. Pois é, tem aí uma logística reversa para a gente poder fazer. Aí vem a história da etiqueta, etiquetou ou perdeu a embalagem, porque a etiqueta não sai. Aquela que vem com a manga, aquela que vem com a manga de papel, aquela é espetacular, porque você aproveita tanto o papel quanto o plástico, nenhum dos dois vira a ejeita. Para a gente poder explicar essa manga de papel que você está falando, para quem está em casa vai ver esse podcast, é aquele papel que vem em volta da embalagem correta, com as informações, é uma luva, né, ao invés de adesivo, se os fabricantes começarem a fazer essas mangas, já vai facilitar mais o processo, e aí a gente começa a coletar mais esse material, porque hoje infelizmente boa parte ainda desses plásticos mais maleáveis são rejeitos, eles são por conta da mistura vergonha de materiais na verdade quando vai prensar né porque na na na seleção se a pessoa sabe por exemplo em balaço de ovo é só PET pô esse que eu posso pegar balaço de ovo é só PET se eu posso pegar aí você pega um blister você fala putz é PET PVC que diabo que é isso aqui né então aí já começa a complicar quando vai pra área do blister mas por exemplo se o cristal fosse só PET também virava renda também virar a gente tava falando com o marcão aqui pô, vou te chamar de marcão. Pode ser? É, porque é melhor. Tava falando com ele sobre esse material, marmitinha fitness, que é muito consumida hoje. Isso aqui entra junto com o teu material, é mói lindo, né? Mói sem nenhum problema. Mói legal é o material bom, que é o PP, que a gente chama de PP. A gente chama de PP, porque é a facilidade que a gente encontra.

[14:13]Ele é o PP. Todos os depósitos, né? Todos já conhecem, donos de depósito, conhecem como o PP. reciclagem. É, mas é um material muito bom, a gente usa ele, maior de junto com o material que a gente tem, de boa. Aí você lá na catação, deve dar uma raiva do caramba, que você vai catar um negócio desse que tá cheio de comida podre dentro, né? Ah, é um pouco assim, esse desafio passa por essa reeducação, né, que a gente precisa tá se reciclando, né, primeiramente pra... É que a gente vem de uma economia linear, né, que você existe esse conceito, você compra, consome, descarta, e agora acabou essa idêia, né? A gente precisa fazer esse reciclar. Vamos reciclar. Então você que tá em casa e que vai ver esse podcast, a gente fala sempre se puder não misturar com o resto de comida, né?

[14:59]Fez os seus preparos ali. Esses plásticos, gente. Não precisa lavar, né? Só bater uma aguinha, né, cara? Aquela água que tá ali. Rui, Rui. Olha como é simples. Geralmente você tira o ovo daqui e coloca na geladeira ou não. No ato que você tirou o produto, você já pode guardar em balagem para o catador que vai passar, já está reciclando ela. A partir do momento que a gente misturou, ali com o resto de comida, lixo de banheiro, aí já complica.

[15:25]Aí virou lixo, né? Aí já complica, entendeu? Então a gente vê a situação de catadores autônomos aí, tem esse desafio dessa educação da nossa população, uma educação realmente ambiental, voltada para a valorização do catador. você acha que tinha que ter uma educação na escola disso? Com certeza. Uma aula de economia circular? Não só de economia circular, mas de reciclagem mesmo, na prática. É o que a gente faz no instituto. A gente reproduzi. O instituto ainda tá pequeno, né? Tá começando.

[15:59]Produziu uma mesa de triagem numa escola e fazer uma imersão com os alunos, com crianças, com adolescentes, pra mostrar porque são também pessoas que daqui a pôr, que a pouco tão assumindo suas famílias, fazendo compra em mercado, podendo ter decisão. Então, a gente criar essa plataforma de incentivar para que os plásticos tenham um aumento no índice dessa reciclabilidade deles, onde a gente consiga também gerar renda, né, Rui?

[16:29]É por exemplo, você pega um pallet na rua, você recicla aquilo, ou não? De madeira? Você leva e embora? Cara, a gente pode falar que recicla, pode, se você for usar ele. ele. Mas você tem pra quem vender? Hoje não. Tá madeira, você não vende. O ferro você pega. Ferro ainda pega alguma coisa. Ferro pega o... Sucata ferrosa, né? Sucata ferrosa misturada, tem vários tipos, né?

[16:52]Você pega alumínio, nem se fala, alumínio é ótimo, né? O calatinha é ótimo. Hoje a reciclabilidade dela e o valor dela é bem bom também, né? É bem atrativo. O PET tava chegando próximo aí, ver e ver os importados agora aí com queda de resina, aí já deu uma segurada, jogou vocês pra baixo, né? Sim, tá próximo do preço da matéria Vige, né? Então aí quem acaba se lascando com isso? É, eu acho que toda a decisão que é tomada na parte de cima da cadeia econômica da reciclagem, atinge diretamente esse catador autônomo aí que tá fazendo reciclagem de trabalho. E do teu lado, como funciona a parte de reciclagem de venda de material, está vendo queda de preço, sim, houve bastante queda no plástico, o material menos que eu vendo houve uma queda de uns 30%, mas pegando o gancho no que o Bruno está falando a respeito dos próprios resíduos que as famílias acabam gerando em casa, o pote de margarina, a gente também faz a reciclagem dele. Sim.

[17:57]Gostaria que o pote de margarina chegasse na mão do coletor até chegar para a nossa empresa, que ele chegasse limpo, porque assim, a gente gastaria menos água para a pessoa. É, só bater um aloí, né? Então, eu acho que assim, a dona de casa, ela não tem muito custo, isso já é pratico dentro de casa mesmo, inclusive, eu tenho um trabalho com algum jovem, que a gente faz esse trabalho explicando para eles.

[18:17]Acabou a margarina, tenta ali limpar o máximo possível com o próprio pão, depois coloca, quando estiver lavando sua louça, coloca lá, não precisa lavar ele, coloque no fundo da pia, que a água vai batendo automaticamente, depois você tira da liva. Esse projeto aí, quanto um pouco mais? Você começou a falar ali, eu te cortei porque eu queria te ouvir aqui.

18:37Sarau Sustentável: educação ambiental na periferia

[18:37]Ah tá, sobre o sarau sustentável? Tá, a ideia do sarau sustentável que a gente faz agora dentro das praças, usa mais as praças públicas, é para levar a informação sobre o clima, sobre a água, sobre o resíduo em si dentro da própria casa, das famílias, nas periferias, é orientando, instruindo ela como que faz a reciclagem. reciclagem. Muitos delas não tem a informação adequada, não chega a informação. Então, para que ela leva para dentro do depósito, porque na periferia, para quem não sabe, tem muitas pessoas que vivem do resíduo, vivem disso aqui, sobrevivem, as vezes ela tem, mas é um complemento aquele ali, aquele pouco de dinheiro que ela consegue. Então, a ideia do sarau-cicentável é levar informação para ela, olha, tudo é reciclável, tanto o plástico contra o eletrônico, contra o ferro, contra o alumínio e como recicle reciclagem ontem, reciclagem. Então, nossos parceiros da região, a gente tá... Aí você tem uma galera ali que fica junto com você fazer essa... Sim, tem grupos, a gente convida cantores da própria região, poetas, pessoas, moradores, senhores, senhores que gostariam de fazer sua poesia, além da poesia, a gente trazia essa informação pra ela, que ela, tudo o que ela tem dentro da casa dela, não precisa ela colocar num lixo comum, ela pode levar, né, tem uns lugares, inclusive a e agora a gente tá montando que parceria com os donos de depósito de catadores, pra que eles possam estar com a gente orientando e a gente direcionar. Pra quem não tem necessidade de ganhar o dinheiro com resíduo, tá indicando. Vamos lá, tem um depósito, a pessoa que ganha de orório, fulano de tal, compra todo tipo de material, o depósito de fulano, endereço, a gente passa o endereço, informação, porque reduz esse lijo na própria referência.

[20:18]Gera renda, né? Isso, gera renda. Deixa de ir pro Aterro Sanitário, porque a Prefeitura. você não tem incentivo de nada, né? Não, nunca um. São vocês que fazem porque... Sim, não tem incentivo governamental, de empresa, a empresa que acabou adotando é a minha própria empresa, que é a nossa empresa mesmo, que adotou essa ideia junto com os parceiros, o Bruno e outros pessoal que a gente tem, para levar para a própria comunidade essa ideia, entendeu?

[21:12]Não só para lá, para outros lugares, para a escola, a gente tem feito um trabalho no... a gente fez um trabalho numa escola que nós levamos nosso museu do eletrônico, é tão interessante. esse museu aí, eu quero ver, eu conheço esse museu. O museu do eletrônico, ele é interessante, porque as crianças, vai lá pegar um bip, uma coisa que ela nunca viu na vida, que a gente usava ele como informação. Eu estou louco atrás de um bip, já sei onde tem. Então, hoje temos muitos materiais antigos, principalmente eletrônico, aí eu vou também na caça desses materiais que a gente vê aí, quiser entrar em contato, porque a gente usa muito na escola para estar passando informação. Isso também desenvolve, a criança acaba com aquela curiosidade dela, querendo aprender edemaes sobre o próprio resílio, onde jogar. Então a gente leva esse trabalho também pra escola, não só na própria comunidade, nos bairros, a gente leva essa ideia.

[21:59]Você já pensou hoje uma criança, uma criança adolescente, esperando um fax, acho que morri do coração, hoje é tudo papapu, instantâneo, uma comunicação instantânea. Tem que esperar o fax, o bip, aí vim o bip, a gente ia para o orelhão, parava no orelhão, reciclagem de reciclagem de reciclagem, pós- pântala, o próprio, há adultos que eles não tem, na vida nossa. A criança, hoje em dia, ela tem muito mais noção do que o pai e a mãe. E a ideia é trazer o adulto também pra esse tipo de trabalho. E você consegue juntar uma alloy boa pra quando?

[22:59]Tem vindo o pessoal legal no nosso saral nosso movimento. Ele tá crescendo, está desenvolvendo cada dia mais. Ele é lá no capão mesmo. É lá no capão redondo, na co de ventista. Você faz o que? de fina de semana? Eu sempre a última sexta-feira do mês a partir das 6h até às oito da noite. e o reciclagem para as últimas sextas de mês. Agora, se chover, não, gente, porque se chover, lá é um espaço curado, é aberto e sempre em praça. E a gente tem agora, depois desse aí, a gente aprecia mais uns quatro convites para outros lugares, para a gente tá participando também nos bares, nos bairros vizinhos, né? Acho interessante, legal, as pessoas que foram, gostou da ideia. É uma forma de educar a comunidade, porque assim, é um trabalho que já deveria ter vindo de base, hein? Deberia estar dentro das escolas para poder estar informando a nossa juventude, mas ainda não tem, essa dificuldade da... é o que a gente estava falando no último podcast que nós gravamos aqui, nós devemos ter falado de educação aqui umas duzentas vezes, porque não adianta você colocar um decreto, você colocar um projeto de lei, se você não trabalhar na educação, como que você vai colocar um projeto de lei ou você vai estabelecer um decreto sem explicar, sem que as pessoas estejam entendendo o que é aquilo. Você entende porque você trabalha com isso, você entende porque você trabalha com isso, eu entendo, mas a dona de casa, a dona Maria Lana não entende disso aí, né?

[24:24]Rui, você imagina uma coisa, eu aprendo todos os dias, que nem você falou, que você gosta muito de aprender também. Eu gosto, sai de casa todo dia querendo aprender fico diferente. A gente monta um grupo, mostrói uma política pública, correto? Como quando chama o Catador que está lá na rua para construir esse negócio? O Catador precisa participar disso.

[24:47]Cara, mas chamaram. E não só disso. Mas chamaram. E não só disso. É, mas assim, essa representação também não representa a todos, concorda? São ideias diferentes. Depois que a gente começa eu me represento, entendeu? E na medida do possível que a gente vai unindo força, por isso que eu achei muito louco, né? A gente tá aqui, certo Marcos? Trocando essas ideias, a gente veio lá do Capão Redondo, bater esse papo pra aprender isso junto, que é junto que a gente vai construir, entendeu? Um futuro mais sustentável mesmo para os nossos filhos, para os nossos netos e a gente precisa discutir.

[25:26]recente. Ele é sustentável de todas as formas. Não só as embalagens, mas as políticas que estão sendo colocadas. Você está falando de decreto. Cara, esse lance da tributação. A reforma que vem aí, né? Forma tributária, correto? A gente vai sair do que está no texto lá que eu leio de decreto de 6 para 26. O maior onerado vai ser o catador da ponta. vai, vai receber menos. Que é o cara e a mulher, corrigindo, primeira mulher que é catadora e depois os catadores, correto, que a maioria mulheres, acho que, acho não, mais de setenta por cento, não saber, de catadores autônomos são representatividade do gênero feminino e mulheres negras também, sem falar que sessenta por cento desse contigente leite, ainda atua dentro de lixão, correto? Então a gente tem um desafio ainda muito grande que é ainda, cara, olhar para a PNRS, que é a Política Nacional, e lá na Política Nacional de Residência Olides, que é a lei 12.305 de 2010, se não me engano, ela disse que a responsabilidade é compartilhada, então nós compartilhamos essa responsabilidade para dar e ter um melhor presente e dar um melhor futuro. Mas se a gente não participa dessas discussões, para ter essa representatividade, que é a tal da construção do projeto, né?

[27:05]Você entende? Fica vazio, entendeu? Ele não ser imposto como foi. Fica faltando uma voz ali, entendeu? Não estou dizendo que tem que ser a minha, vamos entender aqui, né? Mas em nias girais... ser uma pessoa... Catadores autônomos, que eu falo autônomos, né, que eu aprendi isso com a minha companheira, Amanda, que é a pessoa que tá comigo e me apoiou desde o início desse meu projeto, né. Desde quando eu decidi voltar pra rua pra chutar saco de lixo, ela falou eu tô com você, e ela falou pra mim, Bruno, mas existe uma diferença grande entre catadura avulsa e catadura autônomo, você não acha? E eu parei pra pensar nisso, pôr, sabe? Então a gente tem catadores aí a avulso? O que é o catador de avulso? É tipo uma pipa mandada, cara. Já viu uma pipa quando o Tamarhello soltou pipa? Sim, pra caramba. Você vai, o vento que vai levar, entendeu?

[27:59]Entendi. É o catador que muitas vezes está numa situação de vulnerabilidade extrema, né? Algum tipo de dependência química mais forte ou dependência de álcool também. Ele não é um canal da catação, a droga ninguém fala, tá ligado? E a gente não quer discutir esses assuntos que são chatos pra discutir, mas ele sustenta o vício dele na rua através da reciclagem. Que dia que nós vamos olhar pra esse povo pra fazer um trabalho com esse povo? É o povo com quem eu lido na rua, é o povo com quem o Marcos lida na ponta, então a gente seja comércio aberto, fechado, vir e mexe, tem um motor de geladeira para comprar, às vezes chega um botigião de gás e isso é preocupante, entendeu dentro das comunidades, então a gente está se organizando, a comunidade já é organizada em prol disso, mas é um desafio grande, então trazer humanidade, trazer legitimidade para esses profissionais, porque ser catador de material reciclável, ser catadora de material reciclável é uma profissão, e é uma profissão como qualquer outra reciclagem, cara, porque a importância desse trabalho não está só nessa limpeza que é feita, entendeu? Tá numa consciência. Tá num monte de coisa. E a gente... O primeiro que ninguém vê é que o cara põe o saco na porta da casa dele, aí o saco sumiu, o lixo sumiu, certo?

[29:29]Porque ali o que tá dentro do saco é lixo, o lixo sumiu. Então sumiu, dane-se. E a questão não é essa, né? A questão é que falam, sim, mais ou menos um milhão decatadoras e catadores. Tem muito mais. Tem muito mais. Tem muito mais. Eu acredito nisso. O que falam é que tem um milhão. Eu acho que tem mais também. Eu acho que tem muito mais. Então, mil sete ou oito anos na rua sem saída, lá no Morro do Piolho, cara, eu brincava no final da rua onde fazia a pilha de lixo e o caminhão subia para coletar, levava embora. Eu, moleque, nem tendia. Então, a mistória começa aí um pouquinho com o lixo. A gente ter que fazer o garimpo, no Rio de Janeiro é conhecido como Podrão, aqui em São Paulo é Xepa. Então a gente ia nos finales de Sacolão, fim de feira, atrás dos mercados, então eu me envolvo na reciclagem por necessidade, como a maioria, como a grande maioria dos catadores e catadores de material. Então a gente não pode deixar de falar disso aqui, como você fez a chamada, que é um podcast para tratar da humanidade.

[30:31]pet, então trazer essa cara, essa pessoa que tá por trás desse saco que sumiu, seja porque tinha uma latinha, seja porque tinha umas garrafas pet, cara, esse é um trabalho que temos que dar parabéns, entendeu? Isso, já tinha que estar em trisco na cabeça das pessoas, que tinha que estar separadinho lá fora, né cara, não precisava o cara rasgar nada, pegar nada, já o saquinho aqui, ó, esse é reciclável, esse não é reciclável.

[31:00]dentre o voz queso, vai, vai. Desculpa, Marcos. Eu não passava assim, cara. Eu fui fazer uma após em reis índios sólidos na USP e eu tive vários desafios lá porque tinha uma professora que falava isso. Mais de bate pronto, eu levei um pouco da minha realidade lá da comunidade que eu também trabalhava, que é ali no Jardim Lídia, onde mora. Acho que a mãe do Arthur mora lá, até hoje, e estava comentando com a gente, morou, né? No Parque colônia ali no Lídia, naquela região. E cara, como que você vai falar com uma pessoa que tá acostumada a acordar e jogar o seu saquinho de lixo no primeiro esgoto que vê na frente?

[31:40]Que na frente da casa dela é um esgoto. Então, a gente tem uma série de políticas públicas ainda que precisam ser melhor desenvolvidas, como saneamento básico, inclusive quem assistir o filme Saneamento Básico, esse filme explica muita coisa, eu não sabia nem que tinha eu vou assistir, porque a gente passa por esses desafios de você chegar para conseguir uma representação, uma frente, uma fala, um lugar de fala mesmo, sabe que não seja só dentro da nossa bolha da periferia, como a gente se conheceu lá no evento do plástico, que foi muito legal, para poder discutir, para poder melhorar e não melhorar para um, melhorar para o coletivo.

32:25Sacolinha, saco de lixo e saúde pública

[32:25]Aí você que está lá na comunidade, como que você enxerga a sacolinha, a sacolinha? Vamos falar, acabou a sacolinha lá no meio da comunidade, acabou a sacolinha. Cara, vamos comprar saco de lixo? Ou aquilo ali faz parte da saúde pública? credito que, cara, boa pergunta. Acho que é o primeiro desafio que a gente vai ter, vamos supor que numa situação hipotética não temos mais sacola de lixo. A gente vai ter caixa de papelão para todo mundo colocar o resíduo orgânico que vai vazar e o coletor vai vim pegar e vai virar aquela feira na frente da tua casa, ninguém quer, entendeu? Então a sacola plástico do saco plástico, longe de mim, cara, fazer frente, lobby, de plástico, não é sobre isso.

[33:14]Não, não, não, não. Eu estou te fazendo uma pergunta de saúde pública mesmo, que eu bato um... Cara, a gente veio no carro e eu falei pra galera, eu perguntei, meu, se não tem o saco de lixo, papo ou lixo, a sacolinha, a gente vai botar onde? Porque hoje a coleta do resíduo urbano, ela é estruturada dessa maneira. Você, por exemplo, eu sempre discuto muito pô, essa questão da sacola plástica, porque a sacola plástica foi o primeiro fio que puxaram, né?

[33:41]Acho que foi uma grande cortina de fumaça. É, foi um greenwash em total. Demonizar a sacolinha? A sacola puxaram ela, beleza. Então vamos falar, vamos proibir a sacola. Aí tem a pessoa que está na vulnerabilidade, às vezes está passando uma necessidade dentro de casa. Pô, ela vai ter grana para ir lá e comprar um saco de lixo. E o saco de lixo, ele é mais pesado do que a sacola.

[34:04]Então eu não vejo muita lógica nesse tipo de pensamento, vamos falar assim. Até porque também a sacolinha é reciclável, não sei até onde eles chegaram, o ponto de achar que ela não é só um reciclável. E por sinal é um material muito bom, ele faz de novo uma oa, a sua própria sacolinha. É um polietileno muito baixo a densidade. de boa qualidade. Ele faz o saco de lixo, ele faz a sacolinha de novo. Inclusive, eu trabalhei muito com a para. Trabalhei muito. Cheguei a apreensar toneladas e toneladas de a para que eu compravam bastante. E é uma coisa que eu acho que é assim inaceitável dizer que a sacolinha é o vilão da história. Não, acho que a gente teria que educar as pessoas, né, falar assim, olha, a sacolinha não precisa no lixo comum, né? Ela pode até também servir como para você estar almazenando o lixo para jogar para o coletor estar levando, mas também ao mesmo tempo deixar ela para ser reciclável de novo. Eu tenho um trabalho da minha própria residência, que eu faço isso lá, é tanta esposa com meu nertinho lá, eu estou sempre orientando ele, tudo é reciclável.

[35:09]Acaba facilitando a separação, né? Eu ensino, eu tenho as nertinhas também que eu ensino ela, para assim, estar reciclando tudo. Meu filho que é o meu sócio filho, a gente tem já essa cultura. Então, quando eles ficam demonizando a sacolinha, eu acho reciclagem de justiça, qualquer tipo de plástico, que nem um canudinho, um canudinho é reciclável. Então ele não podia ser totalmente marginalizado, de tirar ele do mercado e acabar com os empregos.

[35:34]Acho que deveria arrumar o mecanismo para que ele voltasse de novo para cadeia produtiva. Velogística reversa, né? E como que vocês enxergam assim hoje, por exemplo, diante de um decreto desse que veio, que esse decreto veio específico por materiais plásticos, ele não contempla outros materiais, e a reforma tributária. Você acha que a reciclagem é incentivada ou joga tudo para trás? Ou você retrocede? O que você pensa? Vocês pensam em cima disso que está acontecendo agora, nesse momento?

36:10Decreto, crédito de reciclagem e reforma tributária

[36:10]Vou falar primeiro aí, Marcos. Vou falar. Aqui é o seguinte, Rui. Eu acredito que tivemos bons avanços. produtos, muitos avanços, entendeu? Cara, foi anunciada aí Prona Hap, uma série de outras medidas, né? Na última é Expo Catadores, presidente Lula anunciou um pacote muito grande de medidas, porém por outro lado tem esses outros desafios, né? Então eu vejo como uma coisa ter uma porcentagem de material reciclável em outros produtos, para que eles sejam produzidos, porque esse incentivo é essa circularidade da qual a gente está falando.

[36:54]Em cima de você estar falando, eu vou falar desse produto em específico. Esse produto aqui não pode usar material reciclado que vai para alimento. Então o fabricante desse produto, ele é penalizado, aí ele tem que comprar crédito. ele vai para o crédito de reciclagem, ele não vai colocar aqui porque não pode, não é aprovado por lei, esse produto aqui pode, esse aqui não pode.

[37:15]Sim, uma conversa puxa outra, foi para o crédito, a gente já tem esses desafios da reciclagem dele lá na ponta, crédito de reciclagem nem se fala, né, são certificadoras, são outras empresas, a gente tem que estar muito antenado para não ser o tempo todo sendo usado de escada, entendeu? essa cadeia da reciclagem que é um desafio gigantesco pra o catador que tá como eu lá na comunidade fazendo um trabalho de formiga, né? E a gente não vê a coisa de forma isolada, entendeu? Eu acredito que as coisas precisam caminhar junta a parte de educação, de construção das políticas públicas, entendeu? Catador, ele precisa ter mais espaço. Catador autônomo, pôr-me falar especificamente. Para dizer as dores dele lá, porque as dores dele estão atreladas muitas vezes com essa consciência ou não das pessoas que estão colocando o material para fora das empresas que acabam se tornando um grande gerador e aí o catador vai lá e ameniza aquele volume e essa empresa passa não ter que pagar uma taxa essa empresa passa não ter que contratar uma coleta reciclagem particular. São n's os desafios, mas eu vejo a coisa integrada. O saneamento básico precisa caminhar junto com a questão da reciclagem, porque reciclagem é saúde, reciclagem é cultura, está aqui o Marcos, que promove esses eventos nas favelas da comunidade lá, e são lugares que são excluídos. Não tem tantos acessos, digamos assim, a comunidade produz reciclagem e produzir reciclagem na área da reciclagem também é algo cultural, é cultural porque a minha avó já pegava caceterita, caceterita é um tipo de pedra, são vários tipos de pedras que tem que as pedreiras estouram por aí, então minha avó junto com outras mulheres ficava por ali pegando o que ia para longe, tinha que fazer o garimpo dessas pedras, isso era uma forma de reciclar, entendeu? Então eu acho que, né, aprendi isso com a diretora de Departamento de Serviço Social da Pokiril, que é a Valéria Basso, professora Valéria, pra quem eu mando um beijo, ninguém tá no lixo à toa, entendeu? Então se a gente tá fazendo esse trabalho é por um propósito maior, eu acredito nisso, sabe ruim. Então não tem como ver de forma isolada. Ah, vamos pegar a sacola, agora a sacola é o problema.

[39:58]Cara, vamos discutir, entendeu? Vamos construir, vamos... Antes de fazer isso, vamos construir o projeto. Juntos um caminho aqui para que a gente... Por que, cara? A embalagem para ir para o alimento precisa estar vigente, correto? É, para esses, sim. Os caras não vão poder colocar uma porcentagem. PET é o único que volta para o alimento. O PET é o único que volta pela sua pureza, correto?

[40:21]é que você tem processos de que você tira os gases voláteis e você deixa ele puro novamente para ele estar em contato com alimento. São específicos do material PET, polipropileno ele volta para brinquedo, ele volta para outros produtos, que não para o alimento. Várias produtos. Cadeira. Então concluindo essa linha de raciocínio, a gente tem um mar nas periferias de São Paulo, porque esse material, a massa dele bruta, tá indo pro aterro sanitário. E não é o Catador que tá ganhando com isso.

[40:56]Ninguém tá ganhando. Muito, ao contrário, onera o estado, o estado como eu falo, o estado como todo, onera a prefeitura. A prefeitura paga esse aterro, né? Então, como que a gente faz pra recuperar, entendeu? O que tá indo... nós fazemos pequenas regras, que é o que está sendo feito hoje na Assembleia Legislativa de São Paulo. Existem dois projetos de lei, um que regula etiqueta e um que regula a cor do material para ser identificado na estreia de triagem ou mesmo pelos catadores. Cada material vai ter o seu valor e cada mat... aí, quando você difere os materiais, você sabe que o material recicla, que o material vai poliço, né? Só que se você des animaqueiro, desbale-nadeira, e você não diferir, vai todo mundo poliço! Você tem que separar o cara!

[41:43]Quando a gente encontra, por exemplo, aqui é um PET cristal, maravilha! Até 13 reais, hoje no mercado, você consegue vender o quilo fardado! não é isso? Só uns 3,54 reais! Fardado! Aí baixou o material importado, aí ele baixou. Chegou o próximo do preço, você recebe menos, o cara que lava recebe mais. reciclagem, e o último a tomar a cacetada é o Catador, que é quem faz o suprimento de toda cadeia, correto? O que eu falei no encontro do plástico lá. Cara, aqui eu não estou vendo ainda o selo daio reciclo, mas eu já vi o selo daio reciclo em uma embalagem que eu procurei para reciclar e não consegui, infelizmente virou rejeito. O que aquele selo estava fazendo reciclagem na linha, entendeu? Quais foram os critérios? Então assim, como é que a gente consegue também desmistificar, sabe? Trazer esse valor da embalagem? Como que essas empresas podem ter essa consciência?

[42:47]Quando você tem um selo, por exemplo, do reciclo, eu entrevistei o reciclo, putz, fantástico. Foi uma entrevista muito legal, muito bacana mesmo. Mas quando aí o reciclo põe o selo dela naquela reciclagem. Na minha cabeça, eu não entendo absolutamente nada como é esse processo de compra e venda que vocês fazem. Mas se você pegar o telefone e ligar para o reciclo, falar o reciclo, onde que eu vendo isso aqui? Tem seu selo? Ele não tem que te indicar um comprador? Porque o selo está lá? É uma pergunta que fica.

[43:21]Sim, então eu volto naquilo que eu te falei, de quem é a responsabilidade? A Política reciclagem nacional de resíduos sólidos diz que precisa ser compartilhada. Então, no mínimo, ele tem que me dar um outro telefone para eu ligar, sacou? É, exatamente. É o que eu... Liga nesse cara aqui que é quem fez, a gente só certificou. Beleza, vamos ligar para o cara e entender. Se não é, se não tem solução...

[43:44]Não pode ter o selo. Eu ligo por Rui, falo Rui, como é que a gente faz, né? Você conhece alguém aqui? Ou Marcos? Sim. marcos, vamos inventar uma parada com isso aqui, vamos ver o que dá para fazer, nem sempre a gente tem esse combustível, mas a ideia é essa, eu acho que seria o ideal, o mundo ideal, mas a gente sabe das dificuldades, que isso se implica, né, e o pessoal lá em Brasília discutindo reforma tributária e decreto sobre reciclagem, é isso aí, então vamos continuar.

44:19Representatividade: ANCAT e o catador autônomo

[44:19]eu vou te perguntar, eu vou perguntar diretamente pra vocês sobre a representatividade da ANCAT, nós falamos sobre Magnum Lemonome, nós vamos dar nome. A ANCAT hoje, ela te representa? Cara, como catador, não, catador autônomo que tá na rua, eu vejo o trabalho da ANCAT, assim, acompanho, né, estive na Expo Catadores, que também é um evento promovido junto pancate também. Ela fala por você? Não, cara, quem fala por mim sou eu, entendeu? Quem fala por mim sou eu e junto com os meus na quebrada a gente tá fazendo esse corre para que a nossa voz também seja ouvida, né? Então a gente vai para os eventos, vai falar com as pessoas para justamente conseguir fazer uma frente, uma fala sobre como que é estar na pele de quem tá na rua fazendo esse trabalho, entendeu? E a gente, por entender da economia e dessa economia circular, quer fazer essa briga também.

[45:26]Aqui é o trabalho que você faz da economia circular no seu SARAL. Você dá a aula sem apoio, sem nada, pra que a comunidade entenda a importância disso, né? Sem dúvida. Não tem nenhum tipo de incentivo, isso é ruim pra gente trabalhar, né? A gente não consegue tem que desenvolver, teria até mais campo pra estar desenvolvendo, né? Falta mesmo, incentivo.

[45:48]Mas a gente sempre fez essa luta, né, Bruno? A gente não vai parar, né, essa ideia está sempre fazendo esse tipo de movimento pra conscientizar, mas é que nem falou, tem órgãos que não nos representam em potos alguma, em forma nenhuma. Você já foi consultado por eles o que você precisa, ou já aumentou em alguma coisa sua renda, alguma ação que eles tenham feito?

[46:08]não. O que eu estou buscando é fazer uma frente por catadores autônomos, começando por mim mesmo, junto ao Comitê Interministerial, que atua em Brasília, que é o CIISC. Então, eu vejo nesse comitê que tem muitas discussões, mas não vejo se falar tanto desse, dessa a categoria de catadores, que estão autônomos na rua. O que a gente tem? A gente tem uma defesa e uma fala em pró-catadores, mas quais os catadores? Vou dar um exemplo. Como que você é impactado pelo pacote de medidas que foi anunciado agora na Expo Catadores em dezembro? É um evento promovido pela, entre outras entidades, a ANCAT também. Então, como que eu, na ponta, CPF, sou beneficiado? Tem que estar cadastrado na cooperativa, não é isso? Então, eu não consigo, tá aí outra pergunta. A gente, com certeza, vai ter gente que vai talvez fazer a defesa e dizer como. E aí eu vou entender esse caminho, entendeu? É que eu não estou lembrando, mas no podcast do Eu Reciclo, ele explicou isso. Foi. Mas CPF não. Eu vou assistir, calor, atalha, em portraits.

[47:36]Aqui é o si-ia-men, aqui é o si-ia-men. Se você tem que nadar no si-ia-men, você vai láacity, ele vai... É um desafio. . Aí você tem que calar a cadastrada, você vai ter um... Como que CPF, não se a maioria é CPF? É exatamente isso. E o contigente massífico de catadores e catadores ainda é CPF. É, pra você ter um CNPJ e pagar imposto. caramba, é bastante. É bastante, é sucata eletrônica, a gente compra todo tipo de resíduo eletrônico e no plástico, hoje, o PP, que a gente chama de PP, de alta e de baixa, nós estamos na casa de um ano e vinte toneladas, meiz, e o PS varia, né, doze, dez, é bastante, a gente mostra, não, nós tiramos bastante resíduo e tem assim, a demanda é muito grande, a gente, isso aí a gente parou e até de atingir. Se tivesse mais, você teria demanda para isso? Se a gente tivesse espaço, a demanda até tem, nós não temos espaço para poder gerir tudo isso. Se isso aqui chegasse lá para você, você tem demanda para vender isso? Tem, eu tenho demanda para vender, tenho demanda para produzir, passo, sabe? O problema hoje nossa, nossa dificuldade também, porque o nosso espaço acabou ficando pequeno, porque quando a gente começou com o resíduo eletrônico e nossa irmã não só resíduo eletrônico, como a gente nós também fazemos um chamado garimpo também, garimpo no contexto geral, então ele já consumiu o nosso espaço, depois que nós montamos essa linha de moagem, aí ficou menor ainda, mas a gente tem capacidade para muito mais, a gente tá querendo buscar parceiros para ver se a gente consegue montar a linha em outros lugares, São Paulo precisa de muito mais, porque a gente vê muito os resíduos jogando, hoje eu tenho assim, além da carteira de cliente, que eu só atendo mais o pânico, um ou outro que atende o plástico, que eu não tenho, porque a minha produção é muito alta, eu não tenho nem necessidade de comprar do próprio depósito, porque eu não consigo, falta de espaço, e eu tenho que acabar dispensando, e hoje eles me procuram muito, porque tem muito esse plástico na rua, esse resíduo, então tem muito interesse, no momento a gente tem a ideia de estar ampliando, buscando parceiro, eu estou com parceiro por aí que a gente tá conversando, pra ver se a gente consegue ampliar uma outra linha, ampliar essa linha de moagem pro lado do PP, e uma ou outras. O PS, ele vem pra gente sem a gente procurar ele, porque você tem essas lojas hoje de eletrônica, que eles acabam refugando, hoje a televisão se tornou descartável, ele acaba refugando ela. Então o ferro é fácil de você dar destino a placa, o fio, aluminium, mas o PS, que é o que fica atrás, é difícil de ver descartado em qualquer lugar, então é jogado por hora. Vamos falar de uma realidade também, porque nem tudo são flores, você pega hoje um material eletroeletrônico, são todos os plásticos de eletrônicos que você consegue dar destino de reciclagem ou não? Não, são poucos, são poucos, por conta de blenda de material. Exatamente. Tem um material que acaba sendo um refugo. Tem uns que ele está quase na casa do baquilite. Você tem que descartar ele mesmo um lixo comum.

[50:56]É comum não, né? Você tem que descartar ele. Ele manda para o aterro. E sem falar que assim, você hoje pega um componente eletrônico que tem um plástico, que ele tem a classificação de PS. Quando você vai fazer o teste nele, ele é um PC. Não, ele é um PC, ele é um ABS. Está marcado errado. Ele está marcado errado. Essas classificações reciclagem, atrapalha até na reciclagem. E isso aí, no meu entendimento, eu penso que tinha que vir a público, quem são as marcas que estão fazendo isso, até mesmo não, quando você vai fazer uma seleção de material que você falou da garrafinha que você pegou colorida. Essa foi a maior. Mas isso tem que vir a público, cara, e o que é bom também tem que vir a público, porque a gente tem um lado ruim, que pode ser modelado, é ruim, olha, cara, isso aqui você fez, a dona Teresa gravou com aquela garrafa que você falou. Uma rosa? É, você, cara, que fez a garrafa corde rosa, olha, isso aqui num recicla.

[51:54]Aí o canal, o reciclo que você vai, então, é onde eu vendo, né, onde eu vendo que eu quero vender. Ou troca sua garrafa pra, a água não vai mudar, troca sua garrafa pro cristal, que o cristal eu faço dinheiro, né, então, mas os caras tem que apontar. São as tradicionais. Aí você tem que mostrar também, falar, o cristal, tal, galera, o cristal é ouro pra gente, o cristal recicla, por exemplo, que eu falei uma vez, veio um DNA do plástico, conhece eles? Gente, bolíssima.

[52:23]Conheci, conheci. Pessoal do encontro do plástico, né? É, gente, bolíssima. Ele veio aqui e eu tava com um pote de whey que ele é feito em polietileno. Pô, se cai um pote de whey na tua recicladora lá, é show, né? Você quer? O quanto tiver, você quer, né? morre, reciclar, né? É, porque é um material limpo, é um material bom. Norido, preto. É, porque é pepe. Algum são PEADs, né? É, normalmente é polietileno, é o PEAD e o PEAD de alta.

[52:52]Então, Rui, quando você tem essa classificação legal nos materiais, até facilita a vida do pó, o próprio Catador, vai chegar pra nós, ele vai levar material com qualidade, vai ser mais rápido a gente fazer essa triagem, tá, e mandar isso pro mercado voltar de novo, mas rápido, não tem aí eu vou falar com você, Bruno, você já pensou lá na tua comunidade, vocês devem reescalar muitas toneladas de material também, né?

[53:44]Cara, eu, eu particularmente assim, trabalhei dos últimos dois anos para um cliente, né, específico, então eu fazia só esse trabalho. Por que, Rui? Porque é um volume concentrado que eu tinha ali, então eu estava fazendo ali uma renda legal, sabe, tab, estava conseguindo me manter, mas eu perdi esse cliente, né, por falta de um pouco de sensibilidade da parte dele, sim, acabou que não quis mais fazer a reciclagem do estabelecimento, veio a crise aí do metanol, entendeu? O carro-chefe lá era o vidro, tá? Então, por reciclar o vidro, acabava vindo muito PET junto, o lixo de balada ele é composto por quase tudo, né? Sim, entre outras coisas, o vômito quatera, latinha no lixo do banheiro, pacaçamba, assim, então tinha que revirar pra pegar, porque é de onde vem uma parte da renda importante, então tudo isso aí dificuldades que o catador que tá na ponta enfrenta, né, pro material chegar, cara, né, a gente é campeão em reciclagem de latinha, por quê? Porque tem gente trampando pra todas essas marcas aí que você tá rotulo. Sim, claro. Então é por aí. Agora participei efetivamente do aumento que teve agora o recorde, que o vidro bateu o recorde. Pô, mandei muitas toneladas pra reciclagem. Muitas mesmo. Eu tenho lá todos os meus recibos, entendeu? Então se eu for fazer a conta aí da descarbonização, remuneração, todo a matemática do rolê, eu deveria ser remunerado por isso, mas eu não estava sendo e Catador nenhuma rua está sendo remunerado por isso, entendeu? Catador autônomo que eu falo. É porque você faz um serviço, um serviço é público, né? Então existe um potencial de muitas toneladas, existe ele tá lá, toda a segunda, quarta e sexta que a dona de casa coloca o seu saquinho pra fora, vem uma bandejinha, vem um agarrafapete, vêm uma lata, vêm um pote de whey, que também a galera vai na academia e isso é bom, né?

[56:01]Você vê um pote de whey secata? Com certeza. Muitas vezes até para reutilizar, mas a gente vê bag cheio, entendeu? Por aí e não é só eu, né? São vários dos catadores autônomos que estão puxando bag ainda assim, aquela situação precária, a gente precisa ter esse incentivo de de eletrificar os carrinhos na periferia, porque o pessoal só eletrifica no centro, entendeu?

[56:26]Isso precisa mudar, cara. É, porque tem umas ladeiras... Vamos falar de racismo ambiental? Que as comunidades mais vulneráveis é que sofrem as enchente, entendeu? Esse dia agora teve uma enchente que pegou um pedaço da Vila Madalena. O pessoal viu como é que é. todo ano, a galera da periferia passa, perde tudo, galpão pega fogo de reciclagem, pequenos comerços, pequenas garages, então há série de desafios, mas são toneladas, um potencial gigantesco, um dos motivos da gente estar aqui para poder conversar, fazer essas parcerias, agregar valor em materiais que hoje não está sendo agregado, é um dos objetivos do meu trabalho lá. Mas assim, o que você acha que hoje seria mais importante? A retirada dos tributos para o reciclador ou vale alguma coisa? Sei lá, um incentivo financeiro pequeno ou retirado de tributo? Cara, as duas coisas, entendeu? Eu acredito que tem que ter o pagamento serviço prestado, sim, sobretudo para catadores autônomos e catadores que estão saindo dos lixões.

[57:48]Que é o cara que tá ali, regrado, politino. É, a gente tem de ruim, a gente não pode chegar lá e fechar o lixão, falar, vambora todo mundo, agora a sustentabilidade é SG, chegar com toda essa parafernalha e não fazer o BAB, entendeu? A pessoa não tem documento, muitas vezes, não tô falando só do catador de lixão, não. reciclagem. Então, a gente tem que trazer essa humanidade, essa humanização, e tem profissionais que fazem isso, as estruturas estão aí, existem as políticas públicas e elas estão acontecendo aos poucos. A gente precisa pressionar para que tenhamos mais, para que se aumente esse volume e para que essa outra parte da cadeia econômica da reciclagem também olhe para esse público, que foi uma das coisas também que a gente conversou bastante no encontro do plástico. Então, é por aí que eu acho que a banda toca, sabe? É muito interessante sair, Marcos. Tem que onerar a tributação, tem que tirar outro. É um trabalho de a caça que você faz das coisas, de onde você tira o resíduo. Sim, é porque o próprio resíduo reciclagem de reciclagem de reciclagem.

[59:30]maratador, de uma forma menos onerosa, digamos assim, né? Quando a gente faz uma reunião em Brasília, que vai aquele monte de gente, compra passagem aérea pra ir pra lá, fica em hotel, gasta uma grana do caramba pra fazer uma reunião em Brasília, você já pensou se cada reunião daquela fosse convertida em um equipamento para uma comunidade, por exemplo, você pegar a tua galera lá e tem um centro de detriagem para o teu próprio material e dali você pegar uma extrusora e fazer um morão que a gente estava falando, você fazer um morão de plástico ou uma ripa de plástico que você possa construir banco, artesão, utilizar, não era mais muito mais interessante do que esse monte de proibitiva, dos caras quererem proibir os materiais que vocês vivem deles, eles querem proibir o material, eles estão atrás de criar caos para o material ser proibido, que isso está acontecendo, mesmo que muitas pessoas não percebam, o fim é esse aí, que essas, a ONG que trabalha, tem um que trabalha, tem um que trabalha pra uma ONG, trabalha pra caramba.

[1:00:42]Comdei uma ONG e trabalha, não trabalha. Comdei um outro projeto, cara, a gente tem... eu tenho um instituto que trabalha, trabalha com educação, sou produto de ONG praticamente assim e falo para você, a maioria das ONGs são sérias, tem muito trabalho de muito valor, mas infelizmente não vamos generalizar, eu tenho instituto que trabalha muito, você vende ONG que trabalha para caramba e para você fez um bem animal, me deu oportunidade, hoje e o que eu faço? Meu trabalho é para replicar essas oportunidades que eu tive lá atrás, entendeu Rui? Não só eu, Marcos, acredito também.

[1:01:21]Os trabalhos que eu faço, cara, eu sou muito grato por tudo que eu consegui até hoje, eu venho lá de baixo também, eu não comecei grande e eu sempre digo para todo mundo que quem começa grande é monstro, tá? remuneração. É, a gente vem de baixo e assim é muito legal poder devolver para a sociedade um pouco daquilo que eu aprendi. Eu não sei tudo, eu quero aprender mais, todo dia eu aprendo um pouco, isso eu falo sempre e eu gosto de passar aquilo que eu aprendi.

[1:01:53]E se puder remunerar, melhor ainda. Isso é muito legal, Rui. E a gente sabe, sim, a gente trabalha todo dia pra isso, né? A gente não precisou atingir uma consciência pra agora ir lá e devolver. A economia circular já tá presente na periferia antes de se chamar economia circular, né? Então eu usei um casaco que era do meu avô, que foi do meu, você entendeu, a ancestralidade das coisas, entendeu? Então acho que a reciclagem também é isso daí. Passa por esse lugar da gente ter esse reconhecimento, sabe? E é isso que eu sinto falta às vezes, entendeu? Em diversas discussões, reuniões. Eu acho que tudo é muito importante, mas a gente precisa discutir e, cara, é os diferentes, né? É o cara de um movimento, é o cara do outro movimento, é o pessoal da outra. Por quê? Porque a gente vai ter ter que ver os argumentos, cara. Me convence que...

[1:02:54]Junta tudo e que... Me convence que não é importante. Entendeu? Me convence. Eu falo para você. É importante a gente olhar para esse público de catadores autônomos, porque é essa galera que abastece essa cadeia que hoje gera emprego... E é também muito importante olhar para a empresa como empresa dele. Sim. Que ele vai receber o teu produto, vai fazer um retrabajo no produto, vai gerar matéria-prima para uma outra indústria e assim vai, né? Qualificar, agregar valor, né, que é o trabalho que o Marcos faz. Eu acredito assim, tudo é reciclável, tudo. Acho que eu comentei com você no começo do respeito das caixas que unham para as feiras, caixa de madeira.

[1:03:35]Então quer dizer, acho que a necessidade faz a gente criar. Então eu acredito muito na preferir as pessoas são muito criativas. Eu cheguei numa feira, olhei em uma caixa que estava lá, que a prefeitura vem com seu caminhão, destruindo tudo, peguei algumas caixas uma vez e veio para casa, pensei o que eu ia fazer, olhei para o cabelo da minha sobrinha, ela tinha uma presilha, era de plástico, olhei para aquilo e falei, poxa, eu posso construir uma, eu peguei construir, fiz uma presilha para ela, daquela presilha eu fiz várias e aí fiz uma produção, comecei a vender na soja, então quer dizer, eu usei uma credibilidade, só que veio um outro mecanismo industrializado, acabou tirando, porque já tinha mais potência, indústrializado. Mas eu tive um período que eu estava vivendo, fabricando, fazendo prisilha com o resto de caixa. Você falou do pallet, o pallet para mim seria uma outra ferramenta, daria muito bem para fazer tanto colheres de madeira, que hoje as pessoas optam muito para colheres de soja de ferro, mas daria a fazer colheres muito bem. Daria para fazer colheres de pau, de boda, fazer várias coisas.

[1:04:34]Quando a gente está na periferia e passa por uma situação, a gente acaba sendo criativo, entendeu? E o Catador, que nem o autônomo, que nem o mundo sempre tá frisando, ele acaba aprendendo, ele acaba desenvolvendo, entendeu? Ele aprende a viver, sobreviver daquilo ali, né? Então eu acho interessante a reciclagem, ela entrou na minha vida de uma forma que assim, eu acredito que eu jamais vou abandonar ela, porque eu tenho uma paixão, aí quando eu comecei a olhar pro plástico ainda, que eu me apaixonei mais ainda, então quero fazer muito mais.

[1:05:04]e o que ele é? Quem nem eu falei pra você que como tem muitos materiais ainda que vai para o Zaterros Sanitário, eu gostaria de trabalhar em cima deles. Eu não quero um material que já tem um grupo de pessoas que já estão trabalhando, eu quero aquele que está aí no Paterros Sanitário. Claro! Eu preciso dele. É o Luciano Limpo. Exatamente, eu preciso dele para desenvolver, então tem alguns que eu já fiz alguns testes, ele estava tentando, mas vou continuar. Depois você me deu algumas ideias, eu quero trabalhar em cima dessas.

[1:05:29]Vamos fazer os negócios juntos, talvez se dá certo. vamos? O que vocês falaram dos morão, Marcos? A gente tá na quebrada lá, tem muita praça. Muitos lugares que são desqualificados, que vira ponto viciado de lixo, né? Onde a comunidade acaba descartando ali, foi o lugar de... Tem nada, tá largado, né? Cara, fazer um trabalho nesses lugares, levar esses morão, fazer a instalação, parafusar no chão, ou maravilha, entendeu? Isso aí faz parte da reciclagem e mostra para a comunidade como que esses materiais podem ser úteis, entendeu? Então pra gente isso é legal! Só que aí entra a parada que eu tava falando agora há pouco dos equipamentos, né? Você não consegue fazer isso se você não tiver equipamento. Então o nosso Instituto, Instituto Soul do Plástico, a gente tá trabalhando em escola, mas à medida que ele for crescendo, a gente quer ir pra dentro da comunidade.

[1:06:24]Eu tenho um sonho de ir pra dentro da comunidade e é um sonho completamente palpável, tá? a gente entra na comunidade, por exemplo, você moe material lá, moe material misturado, e aquele material, se você não der um jeito nele, ele vai para a terra, certo? A gente catar aquilo chamado de rejeito e fazer o morão e colocar nessa praça, e a comunidade usar aquela extrusora que faz esse morão para vender para outros lugares, para valorizar aquele material que seria lixo, porque quando você transforma aquilo que seria o descarte, você tirou da prefeitura dela pagar o aterro, ela não vai pagar o aterro, ela não vai pagar o transporte do caminhão, aí vem a entrar carga de CO2, não vai ter CO2, porque o caminhão não foi buscar, não levou, não adorou.

[1:07:13]Tudo feito localmente, tudo ali naquele... Tem os artistas, se chamam o grafiteiro, faz uma requalificação daquela via pública, daquele espaço, daquela encruzilhada, daquela esquina, qualifica aquele espaço. comunidade passa a olhar de outro jeito. Por quê? Porque participou do processo, seja porque guardou a bandejinha, que antes era rejeito, virou o Mourão, entendeu? Pode virar um, sem querer deixar o negócio complexo, que aí você tem, né, tem que ter a regulação disso também, né? Não pode chegar e fazer o trabalho da prefeitura na praça. Mas, cara, limpar, revitalizar, requalificar, incluir os catadores e a comunidade junto para deixar o lugar.

[1:08:28]tal, falando que o problema é o plástico, né, mas olhando sua realidade, olhando sua realidade, você acha que o problema é o material plástico, ou o problema ele vem em cima de falta de estrutura educacional, falta de estrutura econômica, ou como que vocês enxergam isso? Por na minha opinião, o problema está na consciência mesmo, entendeu? Na base, né? Na consciência dessa questão, reciclagem. Não é no plástico, mas é na falta de discussão. Tem uma série de outros plásticos aí que a gente nem sabe, mas é reciclável também. A gente vai precisar descobrir isso junto, entendeu? O pessoal da cooperativa está mais acostumado, porque você está lá com a barriga na esteira, está passando, cara, plástico de tudo que eu tenho jeito.

[1:09:22]Não dá tempo, né? Como a gente já conversou de ficar vendo, tirar etiqueta, limpar, cara, é inviável, ninguém vai pagar por isso, não, tá entendendo? Então eu acho que é um pouco de consciência realmente de todos os atores ali, a gente tá discutindo isso pra poder melhorar, entendeu ruim. Você como catador, eu pego esse cara aqui, é PET, aí vamos falar que esse cara aqui é PVC, e vamos falar que esse cara aqui é BOPS, são três materiais diferentes, cada um tem um preço, certo? Esse cara aqui representa 95% do mercado que é o PET, que é o mesmo PET da garrafa, que isso aqui foi feito do mercado plástico, correto? Se eu catar esse cara, deixar ele cristal, sem etiqueta, sem etiqueta, limpa, do jeito que ela tá aqui. Bandiginhas. Eu catar esse aqui que é PVC e colocar um azul nesse cara aqui, e eu colocar esse aqui no BOPS, um amarelo. O que que você acha dessa terça ideia. Eu vou te responder fazendo outra pergunta. Você já foi numa mecanizada? Uma central de triagem mecanizada? Já foi. Eu nunca fui. Já foi. Acho que você pode falar melhor então, porque você já conheceu. Eu vou conhecer em breve lá, aqui tem na Miguel Unes. Acho que é o Carioca que toca lá. Na feira tinha uma. Cara, imagina que se a gente consegue colocar cor nesses negócios, bateu na pessoa vai tirar. Então, até mesmo na estreia de seleção ali, né? É, vai ter mercado, vai pump, pump, pump. Eu tô lá fazendo o garimpo nas ruas, vou começar a pegar a bandejinha de PET sem etiqueta, porque a gente já tá sabendo que tá tendo um comprador, correto?

[1:11:08]em breve você já vai ver o telefone tocando, Rui, estou com a carga aqui, com os bag aqui, não é muito, mas faz alguma diferença. Primeira coisa, estou ajudando a melhorar a qualidade do ar, a gente está falando de várias questões aqui que são ambientais, a gente falou de racismo ambiental, a gente falou de preconceito, a gente falou de inclusão, então só agradecimento aí, foi um papo rápido, mas é por aí, Rui, se a e a gente vê como colocar a cor nessas bandejas, o cara vai melhorar demais, como catador.

[1:11:42]Nós estamos na luta, nós vamos conseguir, nós vamos embora. Mas ele estaria bastante, muito. Senhores deputados estaduais, do estado de São Paulo, por favor, tem dois projetos de lei aí esperando votação, vamos nele, o projeto é do Bruno Zambelli, vamos nele que vai vai ser muito bom para triagem de material. E você responde para mim a mesma pergunta na sua visão, por favor. Então, desde o início, eu estou sempre batendo na tecla de dizer que acho que a educação tem que ser de base. Tem que ser lá na base, é o que a gente tem fazendo na própria comunidade, mas as escolas já deveriam estar aderindo. Eu acho que, assim, existe uma necessidade pra própria escola tá produzindo isso daí, mas não tem.

[1:12:33]Você vê que as escolas, ela quase não traz essa informação pra nossa juventude, então fica difícil, mas é... Mas nós nunca pedimos pra escola também. Sim. Tem que ver o outro lado. A gente nunca pediu como hoje tá sendo... Nunca foi tão falado como está sendo hoje, porque hoje, por exemplo, eu vou falar pelo lado da indústria do plástico. indústria do plástico, ela foi provocada há pouco tempo. Então, quando a indústria sofre uma provocação, sempre tem uma mudança de alguma coisa, sempre muda, porque a indústria não quer fechar, então o cara vai se mexer daqui e dali, e a mesma coisa, a educação nunca foi provocada porque não estava na nossa cabeça, a economia circular, como você falou, sempre existiu, mas ela nunca foi verbalizada da maneira que está sendo reciclagem, pós- reciclagem, pós- reciclagem.

[1:13:51]sim, eu tenho meu projeto, o outro tem o projeto dele, o outro tem o projeto dele, já está sendo falado, daria mais visibilidade, entanto para o catador, fabricante, para todos, é mostrando também que é uma linha que tudo é reciclável, se dá dentro da escola, as crianças já vêm já com essa filosofia, com essa ideia, então acho que sim, tem que estar batendo bem mais na técnica.

[1:14:13]Você prefere pegar um saco pout, sabe aquele saco dobrado pout, metalizado, que os cara usa como refill. Você prefere pegar um saco daquele ou você prefere pegar um POT de UI? Rapaz, qual vale mais dos dois? POT, né? Eu gostaria de você responder. Qual você quer pegar? Mas é aí que tá. Ó hoje, hoje na minha realidade, né? Estou trabalhando com que? Com PET, com PEAD.

[1:14:41]PEAD é o POT de UI, é isso aí. Eu sou pequeno, eu sou pequeno. Entendeu? Então são os prásticos que me paga hoje, que tá pagando alguma coisa aliás. saco paut e não bate pagar. Não é que me paga, mas é que está pagando alguma coisa, entendeu? É importante falar, Rui, da lei de incentiva reciclagem. Sim, vamos falar dessa lei rapidamente, se já está aqui, a gente já está encerrando, mas, cara, construir um projeto que distrinche só os plásticos, vamos lá, que a gente cria um pouco mais dessa cultura de valorização desses tipos de materiais que hoje representa, mano, uma carga aí absurda de rejeito, não só na ruas, mas na cooperativa, entendeu? Você vai conseguir mexer com várias pontas da economia e melhorar as coisas. Então, partir desses projetos que hoje está disponível inclusive para ser submetidos lá os projetos, não sei se você já pensou em colocar alguma coisa por lá. Não, por lá não tem acesso. Mas contar com a gente e fazer, fazer as parcerias para que a gente consiga submeter e fazer essa reeducação, entendeu? Na linha do plástico, pra gente poder falar de máquinas, extrusoras, que a gente consiga dar fina nesses rejeitos aí. É, porque nada é rejeito, mas hoje, por exemplo, uma empresa de um fabricante de whey, tem um aqui perto da minha fábrica, que ele fabrica whey, ele tá colocando ele em refício. No saco. No saco. Aí eu perguntei pra ele qual o motivo. A resposta dele pra para mim foi porque ele queria diminuir o uso de plástico. Mas pra você, o que que recicla?

[1:16:18]Pra você, o que que recicla? Você recicla um saco-pout metalizado? Multicamada. É ruim. É melhor o pot. E o pot? É ouro, não é? É exatamente sobre isso. É a visão que o cara do marketing, o cara que tinha que ser um eco-designer, piscina. Ele não tem essa visão que você tem lá na ponta, que você tem no meio do caminho e que eu estou vendo vocês trabalharem. Será que esse cara escutou falar que o plástico precisa ser reduzido e ele vem nessa cultura? É isso aí. Ou é uma questão também econômica na produção da embalagem? Não, na cultura mesmo de redução, que ele está poluindo o planeta, mas ele não sabe que o pot é muito melhor. Sim, e nenhuma dessas decisões talvez olhou pro catador, entendeu? Nunca, nunca, nunca. Abrangeu aqui a visão e falou não, se pra galera tá compensando, eu não vou mudar aqui o meu jeito de fazer por pura...

[1:17:18]E o cara vem demais no pote porque é mais bonito, é mais vistoso, né? Então, essa é uma, é uma das discussões, entendeu? O Poundt tem que ter algumas coisas lógicas pra leveza de carga, enfim, né? Acho um pouco parecido com o Tetra Pak, tá? É, é, é isso aí. e hoje existe um reciclagem do Tetra Pak porque existe um certo incentivo, né? Muito incentivo, né?

[1:17:39]É, mas não chega pra nós, entendeu esses incentivos. Ah, você não ganha nada com Tetra Pak? Até agora não, eu nem pego, né cara, não dá pra pegar, entendeu? É pesado, é igual vidro, se não tiver uma política de incentivo, como que a gente vai reciclar um material que nós tem que pagar pra fazer a reciclagem dele? é a pergunta que eu faço pra quem tá produzindo, entendeu? Catador tá pagando pra reciclar, cara, em muitas, em muitas... Essa foi a tarde certa de material, ele não consegue nem sobreviver. Não consegue, entendeu? É muito difícil, então o catador ele opita, hoje o papelão hoje não é viável, ele nem pega, porque ele não tem um valor, assim, então ele pega mais o plástico, então ele hoje, o olhar do catador é mais pra papete, pro PAD, pra garrafinha de candida, né, que é o PAD cadê, que eles usam muito, o PPE, então eles usam mais, eles vão, quando vão num plástico, eles vão nesse plástico, eles vão em outra coisa, aí então os demais ficam lá, porque não tem interesse, se tivesse mais incentivo dentro dessa cadê, ou tirasse esse tipo de material que não tem reciclagem, seria melhor.

[1:18:48]e o pod, a embalagem, tem problema, se você pegar o leite, pelo menos eu corto ela e quando vou lavar qualquer coisa na pia, eu abri ela, ela vai estar sempre lavando, então o leite não fica, porque o resto vai te causar o dobro, o vento, a população sabe disso, é pouquíssimo, eu tiro tudo, eu tiro até a parte do plástico ali, parto ela no meio, coloco ela na pia, muda, eu entendo, lavando qualquer coisa... Ela está já lavando automaticamente... Não usa água, água que já tá, que o do Şuja tá se lavando mesmo já vai cair. Ela vai cair limpi.

[1:19:27]Se todos estésses, isso seria melhor, porque o Catador, quando ele vai levar com depósito, tem depósito que rejeita pelo fato que aquilo ali é atrai muito o roilador... Eu tenho uma última pergunta para cada um e cada um vai responder do seu jeito. um biólogo que fala que reciclagem é uma mentira, que reciclagem não vale nada e que a gente está tapando só a capineira, que recado você dá para esse cara?

[1:19:49]Cara, não só para esse cara, mas para todas as pessoas que ainda acham que reciclagem não tem sentido, vamos olhar a história, vamos ler Carolina Maria de Jesus, entendeu? como ler os poetas, vamos ler os autores que já há muito tempo, que não só escreveu, mas também catou papel, por exemplo, Carolina Maria de Jesus era uma catadora de papel na favela do Canindé, ano 50, cara, como que não tem importância, entendeu?

[1:20:27]É mentira? Claro que é mentira. Não, a reciclagem é mentira? Não, é um mito que a reciclagem é mentira, entendeu? reciclagem, Rui, eu aprendi isso há alguns anos assistindo o Lixo Extraordinário, reciclagem é um ato de pessoas inteligentes, porque você não está só fazendo uma inclusão econômica, você não está só tirando algo que ia ser enterrado e que talvez nem desaparecesse do planeta, você não está fazendo só um bem, você está fazendo tudo isso junto reciclagem. O volume é alto pra caramba, não é? Altíssimo. Então, cara, a reciclagem é uma maior verdade onde a gente vai falar muito dela ainda. Então, vocês vão cansar de ver a gente falando, viu? Vai voltar aqui, nós vamos falar mais. Pra vocês que são contra, cara, a gente vai atrás do que é nosso de direito e dessa justiça, tá? É, Rui, importante também essa palavra. Justiça social, justiça ambiental, cara, nosso país é uma ter uma potência, a gente teve ECO 92, a gente, cara, eu tive na Rio Mais Vinte, no Rio de Janeiro, no Aterro do Flamengo, pra discutir lá junto as comunidades, a gente tá nesses eventos, os avanços, eles, às vezes não são nem palpáveis, mas eles existem, mas pés, a gente ainda tem muito para avançar, entendeu? Quando a gente olha o Brasil de cima, cara, da lupa, os desafios são territoriais, né? Também, são macro desafios, né? Então, a minha luta não é só minha, entendeu? Tem muita gente pelo Brasil que vai assistir e vai falar, pô, esse cara me identifiquei com o que ele falou, entendeu? Também não me sinto visto, reciclagem. Quero estar ali, quero participar, quero disputar esse espaço de narrativas, porque cara, a gente vai sendo, infelizmente, colocado a margem da discussão, mas capom, não velho, capom está aqui para representar, entendeu? Então eu sou o Bruno, acredite, reciclagem é possível, reciclagem não é o futuro, mas é também o presente. Obrigado por esse espaço aí refalar. Eu vivo já há muitos anos na reciclagem e eu assim vejo a reciclagem na periferia como a economia circular, porque muitas pessoas vivem do próprio resíduo, então reciclar assim é importantíssimo, tem os seus valores, a gente tem um cara que falou que a reciclagem é mentira, é porque ele acha provavelmente ele não tem noção, talvez ele nem conheça a periferia, ele vive na bolha dele, ele não foi ainda numa periferia para saber que muitas pessoas sobrevivem, né, ou às vezes até um complemento para o salário dela, para a vida dela ali, aquele resíduo, então ele teria que passear um pouco nas periferias, inclusive fica até o convite, quiser vim conhecer o sarau sustentável, que é ali na cobre de ventista, ali na Marmelheiro do Campo, quiser participar também, pode ir lá aqui em São Paulo, para conhecer nossos trabalhos, reciclagem que a gente tá fazendo um trabalho chamado trabalho de base pra poder levar tanto a informação sobre a reciclagem, que o interessante nosso é informar a nossa comunidade, porque quer dizer que não o Bruno bate na tecla, a gente tem que sofre o chamado racismo ambiental, então a gente sofre mais que a gente tá na periferia, então a ideia de levar a informação pro povo pra poder dizer que assim, com a reciclagem dá pra viver e viver bem, então você tem um país que provavelmente se a gente pegasse todo esse resíduo aí daria uma base boa para poder sustentar esse povo, então eu acredito sim na reciclagem, o material belíssimo, o Brasil tem uma qualidade boa nos seus materiais, então eu vou sempre estar incentivando a reciclagem principalmente nas periferias.

[1:24:26]Cara, que podcast incrível, você que ainda não nos segue, nos siga, ative o sininho, compartilha para todo mundo, isso aqui foi maravilhoso esse podcast, muita reformação, trocada. Eu queria deixar uma pergunta aqui pra você, Bruno, e pra você em seguida também. Se você estivesse sendo ouvido pelo mundo inteiro aqui, qual é a mensagem que você gostaria de deixar?

[1:24:55]Boa mensagem ali pra câmera, né? É, ouvido pelo mundo inteiro. É, nunca desista do seu sonho, seja você catador de material reciclável ou não. nunca desista de seus ideais, seus objetivos e não se curve, entendeu? Continue lutando, você consegue. E você, Marcos? Sempre na luta, nunca desista, se conhecer a minha história a fundo, vocês vão assim admirar, tem uma história importantíssima, tem uma vida, uma passagem já com a idade que eu tenho, eu acredito muito, então é sempre luta, não desanime, desacredite, não vai por conversa de ninguém, vai sempre à frente o que você deseja, o que você está desejando, faça em silêncio, luta sempre, nunca pare.

[1:25:53]É, meus amigos, vocês viram aqui que economia circular, ela não é discurso, é trabalho duro e bem duro, e é assim que funciona o nosso PodPlástico, trazendo informação para você, e mais uma vez, você que ainda não nos segue, nos siga, ativa o sininho, compartilha esse vídeo para que mais pessoas possam ter acesso a essa informação de qualidade, e muito obrigada a você que ficou conosco até agora, muito obrigado, Marcos, muito obrigado, Bruno, por ter participado do nosso PodPlástico, a gente está sempre à disposição de portas abertas, sempre tiver uma novidade, por favor, venha compartilhar reciclar com a gente e muito obrigado a você que ficou até agora, até o próximo episódio do PodPlástico.

[1:26:40]Um beijo para minha avó Dona Laurinda aí. Obrigado Rui.

Rui Katsuno

Apresentado por

Rui Katsuno

38 anos no setor plástico. Fundador do Instituto Soul do Plástico e da MTF Termoformadoras, autor de O Vilão que Salvou o Mundo e apresentador do PodPlástico.